dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
Carlos Frederico Corrêa da Costa
E-mail cfccosta@terra.com.br
Convocando Voluntários
A Guerra do Paraguai exigia grandes contingentes de soldados, mas as forças regulares eram insuficientes para formar os batalhões, e como solução para esse impasse, surgiu a idéia de recrutamento de voluntários, e para isso foram criados os batalhões provisórios, denominados Voluntários da Pátria.
A idéia era boa, pois envolvia um forte componente patriótico, esperando-se uma grande corrida para o chamamento, e de fato, o apelo ao patriotismo comoveu muitos jovens, mas não o suficiente para arregimentar o efetivo desejado.
Diante da frustração da expectativa, foi sugerido o recrutamento forçado, com a convocação, em cada paróquia, de dois homens por mil habitantes. Mesmo assim ainda não foi suficiente, e recorreu-se então aos escravos, cedidos pelos seus senhores diante das pressões do governo.
E como reforço a essa verdadeira convocação de voluntários, o Chefe do Gabinete Imperial, Zacarias de Góis e Vasconcelos baixou o seguinte decreto: "Hei por bem ordenar que, aos escravos da nação, que estiverem nas condições de servir o Exército, se dê gratuitamente liberdade para se empregarem naquele serviço; e,sendo casados, estenda-se o mesmo benefício às suas mulheres".
Logo nas unidades de infantaria se encontravam tantos escravos, ao ponto de os paraguaios chamarem de negros a todos os brasileiros que viam em combate, os nossos oficiais, entretanto, aprenderam a reconhecer nos soldados negros companheiros nada desprezíveis, dos quais, em muitos casos, chegou a depender sua própria sobrevivência.
Cabral esqueceu o Brasil
Depois de oficializar a posse do Brasil e enviar um emissário a Lisboa para dar a notícia ao rei, Pedro Álvares Cabral seguiu com sua esquadra para o porto de Calicute, nas Índias, onde tinha negócios a realizar.
Um ano depois, quando retornava das Índias, encontrou-se nas ilhas de Cabo Verde com a primeira frota exploradora que si dirigia ao Brasil, porém, já naquela época, o Brasil era apenas uma lembrança distante na memória de Cabral, pois, seu interesse estava voltado para as Índias.
Mais tarde,em 1502, como prêmio por seus serviços, Cabral recebeu do rei D. Manoel duas pensões vitalícias, com valores muito expressivos, mas, apesar de ter sido premiado com as polpudas pensões, recusou-se a continuar viajando pelos mares a serviço de Portugal, preferiu a vida mansa e pacata no ambiente rural, onde se dedicou ao cultivo da terra numa fazenda de sua propriedade.
Nunca mais retornou ao Brasil depois do episódio da descoberta, apenas uma parte dos seus restos mortais aqui chegou. Cabral morreu aos 62 anos, em 1529, e foi sepultado na sacristia do Convento das Graças, em Santarém, sobre o rio Tejo, e parte dos seus restos mortais foram trazidos para o Brasil e depositados na Catedral do Rio de Janeiro.
Cabral nunca entendeu a grandeza do seu feito.
Referência Bibliográfica
COSTA, C. F. C. da (Adaptador de) TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p. 54-56.
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS
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