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Carlos Frederico

Crônicas Pitorescas da história do Brasil XIV

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Carlos Frederico Corrêa da Costa
E-mail cfccosta@terra.com.br

A Violência de D. Pedro I

Em 12 de novembro de 1823 D. Pedro I dissolveu a Assembléia Constituinte e mandou prender José Bonifácio de Andrada (o Patriarca da Independência), seus irmãos e seu aliados políticos, mas sentiu logo a reação do povo, que muito estimava os irmãos Andrada e suas idéias de independência.

Percebendo que a situação poderia se tornar insustentável, D. Pedro mandou chamar o Dr. Pedro de Araújo Lima, que também gozava de grande carisma junto ao povo, e antes mesmo que o Dr.
Lima chegasse, já estava pronto o decreto de sua nomeação como Primeiro Ministro, e em seguida D. Pedro informou-o que tinha ordenado a deportação dos irmãos Andrada e seus seguidores, e que passava às suas mãos naquele momento o cargo de Primeiro Ministro, porém, Dr. Lima respondeu com seu modo calmo de falar:
- Estou pronto a servir Vossa Majestade como todo patriotismo que tenho, serei ministro, porém, permita senhor, que eu peça uma graça pelos serviços que de mim Vossa Majestade exige. É uma mercê que o Brasil inteiro pede através da minha boca, que anule, senhor, o decreto de deportação do Dr. José Bonifácio de Andrada e de seus irmãos, pois, o Brasil não pode ver no exílio as suas verdadeiras glórias.

D. Pedro franziu a testa e não conteve o cacoete que caracterizava seus momentos de cólera: bateu com a mão esquerda na nuca e seus olhos fuzilaram raivosos o rosto sereno do Dr. Lima, e com a boca já espumando, na iminência de um ataque epilético, D. Pedro gritou:
- Seu atrevido!

Num gesto de fúria incontida, agarrou o Dr. Lima pelo braço e jogou-o ao chão. O agredido ergueu-se com calma e com um leve sorriso no rosto encarou D. Pedro e falou com serenidade:
- Agora caem os patriotas, mas daqui a pouco cairá Vossa Majestade.

No dia 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdicava o trono em favor de seu filho D. Pedro II.

O Discípulo Mata o Mestre

Na madrugada do dia 10 de abril de 1866, um contingente de 900 soldados brasileiros, sob o comando do coronel Carlos Vilagran Cabrita (mais tarde Patrono da Arma de Engenharia do Exército),  foi  surpreendido por 1.200 paraguaios, travando-se um encarniçado combate corpo-a-corpo. Em socorro dos brasileiros, veio a nau canhoneira Henrique Martins, entrando pelo canal entre a pequena ilha Redenção e o Forte Itapiru.

Nosso exército perdeu 155 homens, mas conseguiu afundar 30 barcos paraguaios, fez 19 prisioneiros e matou 800 soldados inimigos, porém, nessa batalha morreu Carlos Vilagran Cabrita, atingido por uma granada de morteiro disparada do Forte Itapiru, Vilagran Cabrita em épocas passadas tinha prestado serviços ao exército paraguaio, como instrutor militar, e entre seus discípulos houve um que mais de se destacou, tanto pela disciplina, como pela inteligência, audácia e valentia, o então aspirante Bruguez, e o tiro certeiro que matou Vilagran Cabrita foi disparado justamente pelo seu promissor discípulo Bruguez, já então ocupando um posto como oficial de artilharia.

Hoje a história registra uma curiosa coincidência: a criatura matou o criador, o discípulo matou seu mestre.

Referência Bibliográfica
COSTA, C. F. C. da (Adapatador de) TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p. 58-60.

*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS

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