dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Carlos Frederico Corrêa da Costa
E-mail cfccosta@terra.com.br
De Fidalgo a Mendigo
O fidalgo português Vasco Fernandes Coutinho fez grande fortuna com seus negócios nas índias, e em 1534, atraído pelas notícias sobre a nova terra descoberta por Cabral, resolveu vender todos os seus bens em Portugal e viajar para o Brasil, onde pretendia fundar uma colônia, nas terras que recebera em doação do rei D. João III, e por ter chegado no Brasil no dia de Pentecostes, deu à sua capitania (era assim o nome dado na época às terras do Brasil doadas pelo rei), o nome de Espírito Santo.
Os primeiros tempos foram difíceis, teve que lutar contra os ferozes índios guaianazes e ainda controlar os ânimos de alguns colonos revoltosos, e nessas batalhas perdeu um olho e ficou aleijado de uma perna, mas com o seu temperamento bondoso e compreensivo, acabou conquistando a estima e o respeito dos índios, dos colonos e até mesmo dos escravos.
Plantou extensas lavouras de cana e construiu engenhos de açúcar, e para lembrar e perpetuar essas conquistas batizou a primeira vila fundada na capitania com o nome de Nossa Senhora da Vitória.
Mas, justamente por causa do seu temperamento bondoso e compreensivo, Vasco Fernandes Coutinho se tornou alvo da cobiça e da ingratidão daqueles a quem tanto ajudara, pois, colonos gananciosos instigaram os índios contra ele e foram tomando, pouco a pouco, as suas terras e os seus bens.
No final da vida, velho, aleijado, pobre e amargurado pelos desenganos e sofrimentos, acabou seus dias como mendigo na sua própria capitania, pedindo comida de porta em porta, "pelo amor de Deus".
Quase dois séculos depois, em 1718, a capitania fundada por Vasco Fernandes Coutinho passou ao domínio da Coroa portuguesa, dando origem ao atual estado do Espírito Santo, com sua capital Vitória.
Foi à breca a Monarquia
Cinco dias antes da Proclamação da República, Benjamin Constant, coronel professor da Academia Militar, positivista, talvez responsável pela conversão do Marechal Rondon ao positivismo(religião fundada na França por Augusto Comte.), foi visitar o marechal Deodoro da Fonseca (futuro proclamador da República) para lhe propor um plano de ação imediata contra o Ministério e contra a própria Monarquia, pois não havia mais tempo para ficar adiando aquela situação, que a cada dia se tornava mais insustentável.
Ele demonstrou, com força de muitos argumentos, que tinha chegado a hora de transformar o Brasil numa República, e ponderou que D. Pedro II já não era mais um governante confiável e que, a qualquer momento, o trono poderia parar nas mãos de algum dos oportunistas despreparados que cercavam o Imperador.
Quando Benjamin Constant concluiu seu inflamado discurso, Deodoro ficou pensativo, seu olhar foi se iluminando aos poucos e um leve sorriso avivou seu rosto; apalpou o cabo da espada e então falou, com firmeza e convicção:
- O velho já não regula bem, portanto, já que não há outro remédio, leve à breca a monarquia, nada mais temos a esperar dela, que venha, pois a República.
Cinco dias depois, a 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República Brasileira.
Referência Bibliográfica
COSTA, C. F. C. da (Adaptador de) TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p. 61-63.
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS
Eleições 2026
Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região
Eleições 2026
Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades
Voltar ao topo