dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Carlos Frederico Corrêa da Costa
E-mail cfccosta@terra.com.br
Desordem atrasa o progresso
Artur Bernardes, eleito presidente da república em 1922, assumiu o poder em 15 de novembro com o firme propósito de fazer uma administração austera e enérgica, sua meta principal era a recuperação das finanças do país, então fortemente abaladas por conta de empréstimos duvidosos e o mau uso do dinheiro público.
Em discurso à nação Artur Bernardes fez uma conclamação povo: "Lembremo-nos de que o único meio eficaz para que um país - ou até mesmo uma pessoa - tenha boas finanças, é gastar pouco e produzir muito. Sejamos econômicos e intensifiquemos a nossa produção, e em breve nossa pátria terá ótimas finanças."
Infelizmente, suas palavras não foram bem recebidas pela oposição e pela imprensa, fato que acabou prejudicando sua meta de restauração das finanças nacionais, pois, interesses contrariados e a quebra de privilégios provocaram fortes reações por parte das elites, que, acionando a imprensa tutelada, passaram a instigar a desobediência civil e as desordens, mergulhando o país num clima de intolerância.
Para manter a ordem pública e garantir a paz interna, ameaçadas pela intolerância da oposição e da imprensa, o governo Artur Bernardes precisou gastar muito dinheiro, e assim não foi possível executar senão uma pequena parte do tão necessário programa de austeridade para o bem do Brasil.
Uma reviravolta política
O general João Carlos Saldanha era o presidente da Junta Governativa do Império em Porto Alegre. Português, súdito fervoroso de D. João VI, tentava por todos os meios reprimir a propaganda das idéias da independência.
Em dezembro de 1821 chegou ao seu conhecimento que havia um grupo muito ativo de partidários da independência em fanca conspiração, liderado pelo major Antônio Manoel Correia da Câmara e seu colega de farda Antônio José Ferreira de Brito.
A fim de evitar que o movimento se alastrasse nas forças armadas, o general João Carlos Saldanha mandou prende-los imediatamente, e sem aceitar maiores explicações, tratou logo de transferi-los para o Rio de Janeiro, onde deveriam cumprir a ordem de prisão longe de Porto Alegre, e seguiram custodiados por uma guarda de segurança, sob o comando do coronel Manoel Carneiro da Fontoura.
No dia 9 de janeiro de 1822 a comitiva chegou ao seu destino, a cidade do Rio de Janeiro, que era a sede da Corte, que estava mergulhada em forte agitação, e grande massa popular se concentrava no Campo de Santana (atual Praça da República), aos gritos de Independência, e era intensa a movimentação de tropas pelas ruas.
Os militares que custodiavam os presos rio-grandenses tiveram dificuldade para chegar ao quartel onde deveriam entregá-los, e quando lá chegaram, ficaram sabendo que Dom Pedro I resolveu permanecer no Brasil, assumindo o governo como príncipe regente, fazendo a célebre declaração: "Com é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico".
No mesmo dia os rebeldes rio-grandenses deixaram de ser rebeldes e foram logo postos em liberdade, e quem acabou se dando mal foi o general João Carlos Saldanha, que tinha mandado prende-los.
Referência Bibliográfica
COSTA, C. F. C. da (Adaptador de) TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p.
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS
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