dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
A Maratona Postal
Na metade do século XIX, a vida em Porto Alegre transcorria calma para os seus pacatos 20 mil habitantes, as coisas aconteciam mais devagar, sem a pressa e as correrias de hoje, entretanto, pelo menos duas vezes por mês, alguns comerciantes e alguns cidadãos tinham que se submeter a uma desenfreada maratona de trabalho, que durava 48 horas.
A cada 15 dias chegava a Porto Alegre um navio a vapor vindo do Rio de Janeiro, que era a sede do Império, o grande centro político, social e comercial, e esse navio trazia a mala-postal, recheada de correspondência comercial, exemplares dos jornais que circulavam na Corte e cartas particulares.
Logo que o navio atracava no porto da Praça da Alfândega, a mala-postal era aberta e a correspondência começava a ser distribuída, os interessados correndo para retirar suas cartas, jornais, encomendas, pedidos de compras e por aí a fora, começando então a segunda parte da correria, pois em 48 horas o navio sairia de Porto Alegre, retornando ao Rio de Janeiro.
Os comerciantes e seus guarda-livros tinham, portanto, 48 horas para preparar as respostas da correspondência recebida, às vezes envolvendo transações de muitos contos de réis. As pessoas que recebiam cartas de parentes e amigos tinham 48 horas para escrever a resposta e ir até o porto da Praça da Alfândega para providenciar a remessa.
E assim, pelo menos duas vezes por mês, Porto Alegre se agitava numa grande correria para colocar em dia sua correspondência, e nesta situação quem mais reclamava eram os comerciantes, que reivindicavam junto à Companhia Brasileira de Paquetes a Vapor um prazo maior de permanência dos navios no porto, mas a situação só haveria de melhorar a partir de 16 de janeiro de 1871, com a inauguração da estação do telégrafo.
Donativo Voluntário
Nos tempos coloniais o Brasil não passava de uma inesgotável vaca leiteira para Portugal. Depois da descoberta das minas de ouro e de diamantes, Portugal imaginava, com certeza, que eram verdadeiramente inesgotáveis as tetas da sua excedente vaca leiteira, e assim eram criados impostos e mais impostos, de ano para ano, cada vez mais escorchantes e mais abusivos.
Durante o governo do Marquês de Pombal, a produção brasileira de ouro e diamantes teve os seus dias de maior esplendor, mas, apesar da abundância das riquezas tiradas do nosso solo, a população levava uma vida miserável, sufocada pelos tributos cada vez mais pesados, e mesmo assim Portugal nunca estava satisfeito com as contribuições da sua colônia.
Entre todos os impostos, havia um que era o mais cruel, o tristemente famoso Donativo Voluntário, uma espécie de Empréstimo Compulsório da época. Se um príncipe ou uma princesa estivesse se preparando para casar, Portugal cobrava do Brasil um Donativo Voluntário, que seria dado como presente ao príncipe ou à princesa; se uma calamidade natural provocasse danos às lavouras portuguesas, lá vinha a cobrança do Donativo Voluntário para indenizar os prejuízos.
Quando Lisboa foi parcialmente destruída pelo grande terremoto de 1755, o rei mandou recolher no Brasil uma Donativo Voluntário para a reconstrução da cidade, e mesmo depois de Lisboa ter sido reedificada, a contribuição continuou em vigor por mais 40 anos, sob a alegação de que somente com uma ordem do rei poderia cessar o efeito da cobrança, e o rei frequentemente mandava dizer aos seus "amados vassalos" que enviassem mais dinheiro.
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