dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
O fim do ano se aproxima com assustadora rapidez. As vendas estavam baixas em razão de uma inesperada crise econômica, e os lucros se mantinham abaixo da projeção. A pressão do proprietário se fazia sentir. "É melhor fazer sua projeção de lucros, Pedro, senão você não vai conseguir os cortes da primavera." Era nestes termos que o chefe havia descrito a situação.
O que fazer? Reduzir acentuadamente os custos, dispensando temporariamente um terço da força de trabalho. Caso a recessão continue - raciocinava Pedro - vamos estar em boa posição para sair dela. Se não for tão forte como imaginamos, então, depois dos feriados de fim de ano, podemos convocar muitos dos trabalhadores dispensados. E, o mais importante, a loja atingirá suas metas de lucro para o último trimestre. Considerando as condições daquele ano, isto poderia significar uma bonificação e uma promoção.
Sem dúvida alguma os gerentes têm em geral sofrido ocasionalmente este tipo de pressão, e reagido da melhor forma possível face à adversidade de recuperar lucros - e talvez, como Pedro, de pôr a salva suas carreiras. Neste caso em particular, como frequentemente acontece, Pedro foi aclamado como herói por ter preservado os lucros da empresa, um feito significativo à luz das promessas otimistas feitas ao proprietário e à comunidade financeira.
Porém, a decisão de Pedro veio a ter devastadoras conseqüências para sua empresa, mais tarde. Um elemento crucial da estratégia da empresa vinha sendo há muito tempo a não sindicalização, a fim de evitar custos associados a rigorosas normas trabalhistas, convênios restritivos para contratações e promoções, greves ilegais e coisas semelhantes - problemas estes que assolavam a maioria dos concorrentes mais importantes. Mas logo depois da dispensa feita por Pedro, logo após o Natal, irados trabalhadores realizaram uma eleição de protesto e, pelo mês de maio, a empresa havia sido sindicalizada - não somente a loja de Pedro como todo o grupo empresarial. Pedro tinha conseguido atingir suas metas de lucros de curto prazo, mas, no processo, havia sacrificado em troca uma das vantagens estratégicas de concorrência da empresa.
Embora este exemplo seja extremo, a ocorrência de permutas prejudiciais é uma realidade de todos os dias. Em estudos feitos em empresas brasileiras, foram documentados inúmeros exemplos de decisões operacionais de curto prazo que afetaram de maneira adversa o atingimento de metas de longo prazo. A disputa entre metas de curto prazo e de longo prazo constitui um dilema repetidamente enfrentado pelos grupos empresariais.
A tendência para o atingimento de lucros a curto prazo às expensas de uma conveniente consecução de objetivos estratégicos de longo prazo é um problema significativo e surpreendentemente comum, segundo mostram estudos. De forma clara, entretanto, existem medidas que os proprietários e gerentes podem adotar para identificar a extensão do problema em suas empresas e assegurar que sejam tomadas decisões tendo por objetivo o adequado equilíbrio entre as metas de longo e de curto prazos.
Referência Bibliográfica
BANKS, Robert L. (Pesquisador assistente na Havard Business School). WHEELWRIGHT, Steven C. (Professor de Administração de Empresas na Havard Bjusiness School) Operações versus Estratégia: trocando o amanhã pelo hoje. In: Coleção Harvard de Administração. São Paulo: Nova Cultural, 2002. p. 51-77. v. 2
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social e bacharel em Administração. Elaborou o projeto, implantou e coordenou o Curso de Bacharelado em Administração do Campus de Aquidauana/UFMS.
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