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Francisco T. Leite

Aniversário da cidade? Por que não um desfile temático?

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Deu uma nostalgia gostosa quando vi, daqui bem de longe, as fotos do desfile temático do aniversário de 123 anos de Aquidauana em 15 de Agosto de 2015 (Belezas Naturais e Biodiversidade Pantaneira). Lembrei do meu amigo Arnaldo Begossi que me disse ?escreva, não se importe com a forma.? Resolvi escrever. O objetivo é registrar a ideia dos desfiles temáticos, implementada originalmente quando fui secretario municipal de educação. Nosso primeiro desfile temático aconteceu na Avenida Pantaneta em 15 de Agosto de 1999, e contou a história de Aquidauana. Confesso que fico orgulhoso ao ver que a ideia ainda persiste. 
 
Em 1998, imaginei como poderia transformar o desfile cívico escolar em um evento educativo que motivasse a comunidade a se envolver. Foi quando tive a ideia de criar um ?tema gerador? que pudesse ser contado em alegorias, visualmente, como num grande teatro ao ar livre ? como se fosse uma peça teatral, uma ópera, contada de forma coesa, sequencial, lógica, em tantos atos quantas fossem as entidades participantes do desfile. Teria de ser algo integrado, onde todos conhecessem a história e entendessem o roteiro completo, e cada um apresentasse sua parte articulada com as demais.
 
No início do ano letivo de 1999, convidamos para uma reunião na secretaria de educação representantes das escolas municipais, estaduais e particulares, além das demais instituições que tradicionalmente participavam do desfile. O objetivo era apresentar a ideia e, se aceita, definir o tema gerador. Assim foi feito. Definimos como tema gerador a história de Aquidauana. O entusiasmo era grande entre os participantes. Agora era pensar como encenaríamos a história da cidade no formato de um desfile.
 
Inúmeras outras reuniões se seguiram, e era bonito acompanhar o entusiasmo crescente e a ideia tomando forma. Foram muitas ?tempestades de ideias? sobre quais episódios contar/representar, como contá-los/representá-los, quem contaria o que, etc. Foi um processo criativo de construção coletiva, e isso foi o melhor de tudo. A ideia do desfile aglutinou diferentes atores e instituições, que trabalharam juntos na construção de um projeto no qual todos se sentiam sócios! Elegemos a comissão organizadora liderada pelo Jerônimo Falcão, que muito me ajudou ao longo do processo. E o desfile aconteceu, com tremendo sucesso! Quem estava lá certamente se lembra do carro do Bataclã, com direito a tia Irene a caráter e tudo mais. Da história dos Terena contada pelas escolas municipais indígenas. E por aí afora.
 
Importante registrar o caráter educativo da iniciativa. Espero que ele perdure ou, se desvios houverem, que este registro possa ensejar um retorno à sua concepção inicial. Eu tinha objetivos bem delineados quanto à função socioeducativa que os desfiles temáticos deveriam cumprir. Primeiro, eles deveriam ser um imã poderoso que aproximasse as escolas municipais, estaduais, e particulares e como tal beneficiasse os alunos e a comunidade pela sinergia na otimização do uso dos recursos didáticos disponíveis e pelas oportunidades de aprendizagem cooperativa e reflexiva que surgiriam. Segundo, o ?tema gerador? deveria ser trabalhado em cada escola (seja municipal, estadual, ou particular) de forma multidisciplinar: gerando textos em língua portuguesa, despertando a curiosidade crítica em história, cruzando as informações geográficas com o contexto histórico, expandindo o conceito de local para o regional/nacional, utilizando a matemática para a construção lúdica dos suas representações, as artes para expressar o tema na avenida, e assim por diante; todas as escolas deveriam trabalhar tudo! E com antecipação. Isso naturalmente iria requerer que o tema gerador do ano seguinte fosse escolhido logo após o desfile a cada ano, por exemplo em Setembro ? ou na pior das hipóteses, bem no início do ano letivo, em Fevereiro. Essa era a ideia original.
 
Finalmente, meu terceiro objetivo era que os desfiles temáticos se tornassem catalizadores para a integração educacional no município (níveis municipal, estadual, particular) com as diversas organizações sociais da comunidade. Sempre tive a consciência que isso só seria possível na medida em que tais desfiles fossem percebidos como um valor coletivo construído de forma participativa, cooperativa, respeitosa, e equitativa pela pluralidade de atores que representa o tecido social local. Enfim, vi na iniciativa a oportunidade de transformar uma tradição mecânica em um momento de relevância para todos pelo caráter de construção coletiva, educativo e cultural. Os desfiles deveriam ser, no meu imaginário, o momento mais aguardado nas comemorações do aniversário da cidade, pela relevância social, educacional, e cultural que passariam a representar. Uma importante ferramenta de educação e cultura, em contraposição à simples mecânica de colocar grupos de pessoas marchando nas ruas num processo penosamente repetitivo, entra ano, sai ano.
 
 
Francisco T. Leite, PhD
Contatos com o autor: francicl@yahoo.com

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