Um amigo da padaria, sócio convidado do Clube dos Fuxiqueiros, me fez uma pergunta à queima-roupa, quando estava na fila para comprar pães.
- Em sua opinião, qual ou quais as construções mais lindas, suntuosas, deslumbrantes e caríssimas da nossa cidade?
A minha resposta não foi imediata. Pela opção de viver enclausurado, solicitei alguns detalhes que atendessem à curiosidade do madrugador.
- Pode ser casa, mansão, edifício de apartamentos, restaurante, boate, clube, hospital, estádio de futebol (mesmo em projeto), escola, prédio de repartição pública?
A resposta veio antes do ponto de interrogação:
- Sim! Qualquer construção realizada com o dinheiro público.
Ficou fácil a resposta. Às vezes sou obrigado a resolver certos problemas em repartições públicas. Quando me deparo com o edifício desses abrigos de funcionários públicos, penso que estou em Dubai!
Luxo, ostentação, gosto ornamental duvidoso e cheiro do nosso dinheiro.
- São os prédios públicos! - finalmente respondi ao já nervoso interpelador.
Ele me abraça por ter acertado a resposta e confessa que, das mais de cinco mil entrevistas realizadas por ele, a minha resposta foi a mais demorada. Todos os outros consultados responderam de bate-pronto: prédios públicos.
Não contente com o sucesso da sua pesquisa, encerrada com a minha resposta, ainda me provocou.
Sabendo do meu fanatismo pela saúde pública, tendo dedicado toda a minha vida a preparar gente para o exercício profissional em saúde, principalmente;
Tendo participado da implantação dos dois cursos de Medicina de Cuiabá e criado cursos na área da saúde;
Com participação no governo do Estado, onde fui diretor de um hospital e por dois períodos secretário de Saúde;
Com mais de meio século exercendo a profissão de médico, e professor aposentado de medicina pela UFMT;
A maldade da pergunta:
- Com o dinheiro do luxo dessas construções, você construiria quantos hospitais no Estado?
Volto para casa com os pães e pensando em como maltratamos os pobres, utilizando o seu nome.
Pobre cidade pobre, que humilha, com os seus prédios, os humildes.
Quantos hospitais não construídos se refletem nas vestimentas de blindex dos nossos prédios públicos.
01-02-2011