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Gabriel Novis Neves

Investimento

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Ando à procura de ?pérolas? criadas pelos nossos dirigentes maiores. Selecionei para este artigo uma genial do ministro da Fazenda Guido Mantega: ?Investimento em educação vai quebrar o Brasil?.
 
Correto. Quando os países do primeiro mundo souberem que no Brasil investimento em educação é um mau negócio, deixarão de nos levar a sério, além da desconfiança sobre o futuro desta nação.
 
Um país só consegue o seu desenvolvimento investindo em educação.
 
Aqui estamos na contramão.
 
Há quase três meses as universidades federais estão fechadas e seus professores em greve acampados em Brasília. 
 
O governo avisou aos professores que as negociações para um entendimento sobre o final da greve das universidades estão encerradas. 
 
E o Ministro da Fazenda do governo socialista joga essa pérola ou pá de cal, em cima do nosso moribundo ensino.
 
O governo federal, além de humilhar os professores brasileiros, está provando à população do Bolsa Família que as universidades fechadas não alteram em nada a vida nacional.
Prova que eles continuam recebendo sem atrasos o dinheiro do senhor Guido Mantega. 
 
A reivindicação dos professores para melhorar a qualidade do ensino público está em torno de cinco bilhões de reais.
 
Essa quantia não quebra o Brasil e é muito menor que os setecentos bilhões de reais que o governo repassou aos banqueiros, grandes financiadores de campanhas políticas, não exigindo nenhuma contra partida. 
 
O que está quebrando o Brasil é a entrega das nossas empresas estratégicas e rentáveis ao capital nacional e internacional.
 
São as obras não essenciais às necessidades populares, faraônicas, extremamente superfaturadas para o caixa dois que, pelo visto, não é crime e sim cultura política de se fazer campanha.
 
As obras da Copa do Mundo, todas realizadas pelo padrão FIFA, corrupta e corruptora, para abrigar algumas partidas de futebol. O Brasil está construindo ou reformando doze campos de futebol, agora denominados de Arena, ao módico preço de um bilhão de reais cada.
 
O nosso já tem um destino, pois lugar de elefante será no zoológico.
 
Os professores, segundo o ministro da Fazenda, quebrariam o Brasil com investimentos de cinco bilhões na melhoria da qualidade do ensino.
 
As Arenas da FIFA custarão aos cofres públicos mais que o dobro em recursos, e sem o retorno que uma boa educação dá.
 
O que quebra o Brasil é essa promiscuidade abençoada pelo governo, em que poder e dinheiro ficou concentrado nas mãos de poucos especuladores, daqui e de fora do país. 
 
Tudo o que assistimos angustiados, faz parte de um plano diabólico para privatizar o ensino superior, hoje quase todo em mãos de particulares.
 
A situação educacional brasileira é tão caótica, que o Estado mais desenvolvido e rico desta nação, que é São Paulo, sofreu uma queda na sua qualidade, e se nivelou com Estados de piores índices de educação. 
 
A Diretora Executiva do Movimento Todos pela Educação, em artigo recente comentou retrocessos preocupantes para romper com o analfabetismo funcional.
 
Hoje no Ensino Fundamental II, 15% entre os concluintes não possuem o domínio pleno da leitura. Passam oito anos na escola e não aprendem a ler.
 
Dos alunos que concluem o Ensino Médio, 35% são analfabetos funcionais.
 
No ensino superior ? pasmem -, 38% não alcançam o nível pleno.
 
Traduzindo: estamos formando analfabetos funcionais nas três etapas do ensino. Pela gravidade do assunto destaco que, quase 40% dos médicos, engenheiros, advogados e professores, deixam as universidades com o pomposo diploma de analfabetos funcionais.
 
Essa greve das universidades brasileiras é para chamar a atenção da sociedade e autoridades para investirem recursos mais generosos na educação.
 
O ministro da Fazenda se esquece de que o que está quebrando o Brasil é a corrupção do mensalão, ou caixa dois, cartão corporativo, loteamento do poder, inchaço da máquina administrativa e, principalmente, a impunidade e falta de credibilidade das intenções do governo.  
 
Gabriel Novis Neves 
10-08-2012

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