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Gabriel Novis Neves

Atendimento médico

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Diariamente assistimos pela televisão cenas deprimentes com relação ao atendimento médico do SUS. Ficamos revoltados com a exibição dos atos desumanos praticados contra os fragilizados pacientes que procuram a proteção do Estado, que tem o dever constitucional de fornecer.
 
O sonho dessa gente sofredora é o de conseguir um plano de saúde, pensando, na doce ilusão, de receber um tratamento, pelo menos, mais humanizado.
 
Ilusão ou inocência pensar que o que se passa no SUS é privilégio do desprezo do governo para com o ser humano.
 
Tenho observado que há anos o atendimento médico pelo plano de saúde em pouco difere ao do SUS.
 
Talvez a parte imobiliária do atendimento privado seja um pouco melhor.
 
Com relação à recepção do paciente na unidade de atendimento, é simplesmente sofrível, humilhante e devastadora sob o ponto de vista humano.
 
Gente despreparada, selecionada pelos baixos salários ofertados e sem educação caseira, transforma a chegada do paciente aos locais de socorro médico em centros de tortura mental, agravando e produzindo novas patologias.
 
Quando a passividade de uma sociedade chega ao ponto de negar solidariedade aos necessitados, é que perdemos totalmente a nossa capacidade de amar ao próximo como a nós mesmos.
 
Somos uma sociedade ?monstra?, construída por seres antissociais, aptos a cometerem todo o tipo de crimes contra o próximo.
 
Dizem que a violência gera violência.
 
Ficamos consternados quando um trabalhador, pai de família e com representatividade social é vítima de uma violência fatal, mas esquecemos da violência que cometemos diariamente, especialmente contra os pobres, crianças abandonadas, doentes e idosos fragilizados.
 
O ser humano está em processo de deterioração, não respeitando, nem mesmo importando-se, com o sofrimento alheio.
 
Cada vez estamos mais egoístas, individualistas, antissolidários.
 
O plano de saúde é uma falácia, armadilha para saquear os incautos com o beneplácito e colaboração de grande parte dos profissionais da saúde.
 
A desumanização do atendimento médico, cujo início está na recepção do paciente na unidade de saúde, foi a última barreira derrubada para a adequação do ser humano descartável.
 
 
Gabriel Novis Neves
 
24-01-2013
 

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