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Gabriel Novis Neves

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Se há uma palavra que político nunca, jamais, em tempo algum deve empregar é a palavra ?não? - um advérbio da negação.
 
O melhor político é o que tem paciência para ouvir e preguiça para responder.
 
Os seguidores da negação em três letras transmitem prepotência, autoritarismo (não confundir com autoridade) e, na grande maioria das vezes, despertam a curiosidade dos seus adversários para pegar o truculento verbal pisando em falso.
 
Os adultos sabem que em política não existe segredo, e conversa reservada só existe quando ninguém fala - coisa impossível.
 
A sabedoria popular diz que segredo não foi feito para guardar.
 
Dia desses o presidente de um partido político da base de sustentação do governo relatou, confidencialmente, o seu despacho com o seu chefe.
 
Disse-lhe que estava sendo cobrado pelos seus correligionários. Desejava saber como ficariam as pessoas indicadas para trabalhar no governo e que ajudaram a eleger.
 
Olimpicamente, a resposta foi contundente para ambientes políticos - "essa gente da lista não nos interessa".
 
Surpreso, o presidente do partido deixou a reunião.
 
Questionado pelos seus partidários, que sabiam estar com os currículos à disposição, com o perfil técnico e de honestidade exigidos pelo executivo, não suportou a pressão e disse o que ouviu na reunião: ?essa gente não nos interessa?.
 
Coisas são sempre coisas, descartáveis e, geralmente, perdem a importância assim que as possuímos.
 
Gente é gente, não mercadoria para não mais interessar após conquistar o que se pretendia com os seus apoios.
 
?Essa gente não nos interessa? é uma expressão infeliz que transmite insegurança ao cidadão honesto, qualificado e trabalhador.
 
A bandeira amarela subiu ao mastro.
 
Imagine se professores, profissionais da saúde e outros servidores forem sumariamente classificados como ?essa gente não nos interessa??.
 
Todos nós temos o que oferecer de bom na complexidade difícil do ser humano.
 
O nivelamento de pessoas por critérios industriais e cotação nas Bolsas de Valores de Pequin, é um erro que um especialista em gente jamais cometerá.
 
A máquina é acionada até por controle remoto - gente por estímulos cerebrais, que em termos de máquina é incomparável e inimitável.
 
Não somos do signo do atraso e de homens prepotentes.
 
Essa gente que assim se comporta, não interessa ao nosso país. 
 
Enfim, ?quem pariu Mateus que o embale.?
 
 
Gabriel Novis Neves 

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