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Gabriel Novis Neves

Resposta das ruas

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A recente pesquisa CNI/IBOPE aponta que as recentes medidas tomadas pela Presidente, em resposta aos protestos de rua, recebeu nota quatro dos entrevistados.
 
A aprovação do seu governo despencou de 55% para 31%, diz o Instituto.
 
A população brasileira desaprovou as medidas tomadas pelo governo federal, obrigando-o a engatar uma marcha ré em seus projetos de permanência no poder.
 
O Programa ?Mais Médicos? foi o mais rejeitado. A sociedade exige uma resposta imediata e sensata.
 
O governo optou por um remédio eleitoral que não deu certo. Os Ministros da Educação e da Saúde não se entendem mais, e o recuo é evidente.
 
O ?espichamento? do Curso de Medicina por mais dois anos está enterrado.
 
O Ministro da Educação quer transformar esses dois anos em Residência Médica em qualquer área.
 
A classe médica, que jamais foi consultada, não vê como formar profissionais de qualidade com a estrutura física existente nos municípios brasileiros.
 
Já o seu colega da Saúde, por incrível que pareça, concorda com a ideia do seu colega economista, com um porém.
 
Defende que essa Residência, feita nos municípios sem estrutura física adequada para o exercício digno da medicina, seja feita nas áreas de urgência, emergência e atenção básica à saúde.
 
O desconforto do governo com as vaias das ruas e os números das pesquisas é evidente.
 
Aquela história de obrigar médicos recém-graduados a prestarem serviços no interior para torná-los mais humanizados no tratamento dos seus pacientes é carta fora do baralho.
 
A saúde foi o setor de atendimento que mobilizou 43% da população para os protestos, ganhando da corrupção (35%), melhoria da segurança pública (20%) e contra a inflação (16%).
 
A onda de protestos jogou na faixa da reprovação popular, não apenas a Presidente, que obteve nota quatro, mas também governadores, prefeitos, senadores e deputados federais.
 
Enfim, os políticos desta nação.
 
Vamos trabalhar sério, sem pensar em eleição e cuidar da nossa população que sofre?
 
Seria pedir muito para a privilegiada classe política deste país de democracia imperial?
 
É sempre bom lembrar que a história costuma surpreender os egoístas do poder, mudando o curso do rio que serve aos poderosos de plantão.
 
Nas palavras de Millôr Fernandes, ?ser pobre não é crime, mas ajuda a chegar lá?.
 
 
Gabriel Novis Neves

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