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Gabriel Novis Neves

Questão de foco

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A presidente do Brasil, incapaz de articular uma resposta de cinco linhas, quer mudar, com urgência, o foco do seu desgoverno.
 
Escolheu como alvo o poderoso presidente da maior potência militar, econômica e científica do mundo. Quer exigir dele o que não consegue nem no diretório do seu partido.
 
Ex-aluno de Harvard, e com grande controle emocional, foi informado do teor do discurso da presidente em São Petersburgo, na Rússia, quando recebeu um ?ultimato?: até o dia 11 de setembro, deverá dar uma resposta que esclareça ?tudo? sobre o caso de espionagem de mensagens e ligações telefônicas do Palácio do Planalto e de ministros brasileiros.
 
A presidente ameaçou: senão for atendida, cancelaria a sua visita de Estado à Washington, marcada para outubro.
 
Seria uma desgraça para o governo americano a ausência do Brasil nessa visita programada!
 
Jogando para a plateia de jornalistas estrangeiros, a presidente disse que teria transmitido a Obama a?indignação pessoal, e do conjunto do país? às denúncias de espionagem contra oBrasil pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA.
 
Essa forte ?indignação? da presidente, não foi notada diante dos sérios problemas sociais, éticos,econômicos e políticos, que maltratam a população trabalhadora do Brasil.
No final da reunião da Rússia,fala quem manda, e a periferia ouve e, se tiver juízo, obedece.
 
Obama reconheceu que os Estados Unidos têm uma ?capacidade maior? de espionagem que os países ?em desenvolvimento, como o Brasil?, e que as novas tecnologias facilitam o acesso às informações confidenciais, o que abre espaço para exageros.
 
?Porque nós podemos ter informação, não necessariamente significa que sempre devemos ter? ? admitiu elegantemente Obama.
 
Resposta tipo tapa com luva de pelica para uma nação que nunca se interessou em investir em educação, ciência e tecnologia.
 
Quando a prioridade é exercer o poder pelo poder, e criar todas as manobras para a perpetuação de grupos neste poder, o resultado é o atraso tecnológico e o povo na rua protestando como nunca, jamais visto num 7 de setembro, data cívica onde comemoramos a nossa Independência.
 
O que assistimos pela televisão foram tropas nas ruas e ausência de público.
 
Está difícil para a presidente desviar o foco da nossa história.
 
Somos mesmo a periferia do poder global.
 
Falta-nos conhecimento, a única chave para atingir o desenvolvimento.
 
Que sete de setembro inesquecível! É urgente tirar conclusões sobre esses acontecimentos.
 
A nação está preocupada, este é o foco.
 
 
Gabriel Novis Neves

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