No dizer de Vinícius de Moraes, escrever crônica é ?ter uma conversa íntima e livre que, partindo do seu interesse pessoal, vai, de fato, interessar a todos seus leitores?.
Longe de mim me julgar um cronista. Sou fazedor de anamneses que, pela singeleza da abordagem dos assuntos, me agradam.
Sorte é que, às vezes, essa sensação é compartilhada com alguns, pois escrevo sempre para mim.
Acho interessante quando um amigo me diz que escrevi determinada crônica para mim. Correto. Apenas, há a compreensão de poucos.
Quando publiquei ?A barata voadora?, senti que fui acolhido pelos leitores.
Assuntos como política cansam, pois não há fatos novos. Seus conteúdos estão todos em um mesmo saco.
De vez em quando me aventuro nessa área, mais por revolta, e vejo que o que existe é a troca de seis por meia dúzia - que me perdoem os ?estadistas? autointitulados.
Derivo para escrever sobre o cotidiano. Depois de certo tempo percebo que ele é sempre o mesmo, e nós é que mudamos.
O que fica para sempre é o devaneio pela poesia, onde se criam personagens com os quais passaremos a conviver.
Nesses textos brotam a criatividade, cuja estrutura genética é semelhante à de humanos, pois são sempre diferentes.
A repetição de temas de narrativas é penosa para o escritor e o leitor.
Temos necessidade de conviver com gente, e não a encontramos com facilidade.
Como é bom encontrar e conviver com gente com os nossos defeitos e sofrimentos. Fragilidades e sonhos. E a cumplicidade como pilar dessa vida de gente.
Gabriel Novis Neves