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Gabriel Novis Neves

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Cientistas políticos, estatísticos, jornalistas, marqueteiros, entre outros envolvidos na vida política, estão tendo muito trabalho para interpretar os resultados das eleições do dia cinco de outubro. 
 
O fenômeno ?surpresa? aconteceu em quase todo o Brasil. 
 
Gostaria de analisar com vocês os resultados no nosso Estado. 
 
Queria que algum especialista, não envolvido emocionalmente com siglas partidárias ou contratos comerciais de marketing, explicasse à nossa gente como, em um universo de 1.686.786 eleitores aptos a votar, o número de abstenções foi de 501.407, votos brancos e nulos 202.753, totalizando 704.160 eleitores ?descrentes?. 
 
A votação da ?coligação?, abstenções, brancos e nulos, ultrapassou, em muito, as votações do segundo, terceiro e quarto candidatos ao governo do estado. 
 
É bom lembrar que o eleito teve 833.788 votos. 
 
Para senador, deputados federais e estaduais, a votação de brancos e nulos foi assustadora, destruindo muitos castelos construídos na areia.
 
Esses números deverão ser trabalhados e interpretados cientificamente, pois o silêncio dos eleitores, traduzido pela ausência às urnas, significa uma reprovação com o ?status quo? do nosso jeito de fazer política. 
 
Não houve vencedor nestas eleições aqui em nosso Estado, contrariando o velho jargão que a cidadania foi a grande ganhadora do pleito. 
 
Houve sim, uma enorme demonstração de descontentamento da nossa gente. 
 
Nunca esquecer que entre nós o voto é obrigatório, com severas punições aos faltosos. 
 
Mesmo assim, o recado foi dado e, ?para bom entendedor meia palavra basta?. 
 
Não é mais aceitável a velha crença que votar é exercer a democracia, a cidadania e outras bobagens mais. 
 
Hoje, estamos no momento de demonstrar o nosso protesto. 
 
Que democracia é essa que temos neste país? Votar no dia das eleições em candidatos que pertencem a estruturas políticas impossíveis de serem mudadas? 
 
Grupos encastelados nos poderes da República só legislam em causa própria e na dos financiadores das caríssimas campanhas eleitorais. 
 
O povo, na sua imensa sabedoria, manda recados... 
 
Quem tiver juízo, reformule a velha política ora praticada, ou coisas piores virão. 
 
Teremos segundo turno para a Presidência da República. 
 
É uma decisão que se assemelha muito àquela quando um jogo de futebol termina empatado e há necessidade de um vencedor. 
 
A decisão vai para os pênaltis. 
 
Creio que muitos que se fingiram de alheios ao processo eleitoral no primeiro turno, não deixarão de chutar a bola para que possamos, neste segundo turno, pelo menos, propiciar esperança ao nosso povo.
 
 
Gabriel Novis Neves

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