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Gabriel Novis Neves

Blefe

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Após a mudança da capital de Mato Grosso - de Vila Bela da Santíssima Trindade para Cuiabá - e com o advento da República em 1889, o nosso Estado quase sempre foi governado por políticos da cidade e suas, como Santo Antônio de Leverger, Barão de Melgaço, Diamantino, Cáceres e, mais recentemente, por cuiabanos que colonizaram o sul do grande Estado.
 
O Nortão, até 1950, ainda era a nossa grande e promissora reserva ecológica com as suas riquezas naturais. No dizer de Antônio Callado, era um enorme cofre fechado cuja chave para a sua abertura seria o conhecimento científico.
 
Personalidades ilustres e de caráter ilibado tomaram conta da nossa administração pública formando com seus exemplos e ética uma excelente escola de gestores.
 
Eram os profissionais liberais, educadores, empresários da região - e até o nosso Arcebispo Dom Aquino Corrêa - os ocupantes do outrora honroso cargo de governador do Estado. 
Negocistas, aventureiros e despreparados para funções de estado não tinham oportunidade.
 
A maioria dos nossos governadores daquela época foi vitoriosa nas suas empreitadas. Chegavam ao poder com folgada situação patrimonial e deixavam o cargo com dificuldades econômicas até mesmo para se manterem - quando não, pobres.
 
Esse modelo de gestão que implantou uma sólida civilização nesta região chegou à exaustão com a imensa e desorganizada corrente migratória que ocupou o norte do Estado por ocasião da sua colonização. Foi a época da motosserra, que representava a ideologia do falso progresso.
 
Em 2002 deixou o governo um cuiabano de prestígio nacional, que cedeu ao marketing dos novos mato-grossenses de botina e olhos azuis.
 
Muda-se a história política e o poder vai para as mãos dos desmatadores das nossas florestas.
 
Cuiabá sofre um processo de desmoralização e esvaziamento em todas as suas atividades. 
 
A vez era dos ?homens sérios e trabalhadores? que, na sua imensa maioria, vinham do sul do Brasil. Tentaram fazer o que os cuiabanos realizavam visando o desenvolvimento do Estado.
 
Na verdade, construíram inexplicáveis fortunas pessoais, não contribuindo em nada para melhorar a nossa saúde, educação, infraestrutura e segurança pública.
 
Durante doze anos foram fortemente blindados pela mídia e outros poderes constituídos.
 
A farsa terminou depois que o programa Fantástico, com ?cuidados especiais?, mostrou o papel dos nossos modernos colonizadores.
 
A festa acabou e o blefe de progressistas findou nos porões da justiça.
 
Que essa lição sirva de exemplo para as novas gerações.
 
Expulsemos os fariseus do estado sagrado!
 
 
Gabriel Novis Neves

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