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Gabriel Novis Neves

Amor e dúvidas

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A gente precisa aprender a exercitar esse sentimento sem o qual não vivemos. Como ele se manifesta, não há um consenso entre os poetas.  
 
Caymmi disse que estava desprevenido quando ele apareceu.  
 
E, como se faz para mantê-lo? Com o tempo desaprendemos a amar?  
 
São indagações que nos perseguem, pois tudo em nossa vida gira em torno do amor. 
 
Até se mata por amor, segundo afirmam alguns. É possível matar quem se ama? Claro que não! 
 
O pior é quando percebemos que perdemos a capacidade de amar, ainda que a capacidade de doação se torne maior com o avanço da idade. 
 
Aprendemos a exigir menos das pessoas, tendendo a diminuir as cobranças. 
 
Pessoas idosas que não perceberem isso acabam isoladas. A troca pura e simples é para a fase adulta, não para a velhice. 
 
Nessa mesma linha de raciocínio, fácil entender porque as crianças só pensam em tomar, despreocupadas com a possibilidade de trocar. 
 
Existem amores que fazem parte da nossa educação, religião, ambiente em que vivemos, e que aceitamos como verdadeiros, sem discutir ou pensar.  
 
Sempre dizemos que amamos nossa família, pátria, filhos e até amigos. O mesmo acontece com relação ao nosso trabalho. 
 
Aí, misturamos o conforto que a remuneração do trabalho propicia com o amor. 
 
?O amor é querer estar perto, se longe; e mais perto, se perto?. Vinícius de Moraes 
 
Muitas vezes gostamos da ?plata? que atividades laborais nos propiciam, e não do trabalho propriamente dito. Fico em dúvidas quando ouço alguém, em boa situação financeira, declarar que ama o que faz.  
 
Sempre imagino que essas construções são arcaicas, visando nos culpar pelo lazer. Infelizmente carregamos esse tipo de culpa pelo resto de nossas vidas. 
 
O problema do amor está sempre no outro, ao sublimar e compreender as pessoas como elas são com seus defeitos e diferenças. 
 
Encontrar pessoas especiais é possível, embora isso dependa do fator sorte e das renúncias às quais teremos que nos submeter. 
 
A verdade é que o amor sempre existiu dentro de nós. 
 
Precisamos aprender a conviver com ele e, mais do que isso, não fugir dele através de um possível sentimento de prisão, tão peculiar aos que amam a liberdade, inclusive a afetiva. 
 
Carlos Drummond de Andrade dizia nos seus versos apaixonados que ?há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la?. 
 
Felizes daqueles que conseguem descobrir esse motivo!
 
 
Gabriel Novis Neves

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