Gabriel Novis Neves
Como professor de medicina no Hospital Universitário Júlio Muller, lecionava aulas teóricas e práticas de ginecologia e obstetrícia para os internos do quinto e sexto ano do curso.
Acompanhava os alunos nas visitas às enfermarias, centro cirúrgico, pronto atendimento, plantões noturnos e ambulatórios.
Confesso que a minha paixão era o dia do ambulatório de pré- natal.
Era responsável pela supervisão ao atendimento às gestantes, em três ambulatórios, todas às quartas-feiras no período da tarde.
Como sempre fazia, ficava o tempo todo rodando as salas de pré-natal para orientar os alunos, quando não era chamado para esclarecer dúvidas dos jovens acadêmicos.
O pré-natal é um período único na vida de uma mulher!
É quando a mulher é envolvida por uma série de tradições culturais, sociais, religiosas e outras.
Uma gestante na nossa sociedade de consumo e de culto a beleza física tem mais dúvidas que certezas, mesmo sabendo que a gestação não é doença, pelo contrário, é sinal de saúde.
No inconsciente das gestantes povoam uma série de perguntas, que o profissional de saúde tem que esclarecer durante as quarentas semanas em que manterá consultas com elas.
Citarei algumas preocupações que mais causam desconfortos às gestantes:
Ficarei feia?
Meu marido não irá mais me procurar no período da gestação?
Meu parto será normal?
Terei leite suficiente para alimentar o meu bebê?
Ele nascerá saudável?
Quando em trabalho de parto encontrarei vaga no hospital onde fiz o pré-natal?
Certa ocasião, quando entrei em uma sala de ambulatório, presenciei uma gestante perguntar ao futuro médico se ele tinha o hábito de rezar.
Fiquei atento à resposta do interno, que disse que sim.
A gestante ficou aliviada, pois rezava todas as noites para que seu parto fosse normal, que a criança fosse saudável e para encontrar o pré-natalista no hospital.
Sabendo que o médico também rezava, teve a certeza que ele pedia a Deus um bom parto às suas gestantes.
Fazer preces faz parte da nossa cultura. A medicina devemos exercê-la com a ciência e muita fé.
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