X
Gabriel Novis Neves

Dinheiro guardado nas meias

Compartilhe:

A-

A+

Era estudante no Rio de Janeiro quando consegui com o brigadeiro Anísio Botelho, filho de Rosário Oeste, uma passagem aérea.  Na ocasião ele comandava o Correio Aéreo Nacional da FAB, que realizava voos de Integração Nacional. Fui até o Galeão onde funcionava esse departamento no qual ele era chefe.

Contei-lhe minha história de estudante pobre, com saudade dos meus pais.  Deixei seu gabinete com a ordem de viagem em minhas mãos. Antes me disse que se houvesse necessidade de embarque de militar à serviço, ficaria em terra, aguardando a próxima oportunidade.

O velho DC3 decolaria às 5:30 da manhã do Galeão, com escalas em São Paulo, Três Lagoas, Campo-Grande e Cuiabá.  Os assentos eram de madeira e ocupavam as laterais do avião. Seus passageiros, quase na sua totalidade, eram de militares de baixa patente, onde os soldados serviam apenas água.

Viajar de costas para a janelinha do avião foi uma sofrida experiência para o menino do interior que cresceu ouvindo dos seus pais relatos das belezas observadas pelas viagens na janela dos aviões.

Eu tinha em meus bolsos alguns biscoitos para distrair a fome até chegar “sem ônus” aos meus pais em Cuiabá.  Tudo ia muito bem até o pouso em Três Lagoas, quando recebemos ordens para descermos da aeronave.

No aeroporto fomos cientificados que o vôo não teria prosseguimento naquele dia. Uma pane no motor do avião exigia a troca da peça que viria de São Paulo.   Com certeza o voo teria continuidade no outro dia pela manhã, e que passageiros civis teriam que se deslocar de taxi até o centro da cidade para se hospedarem em um hotel. Os militares foram para o quartel.

Não tinha na minha carteira dinheiro para pagar o taxi, muito menos a pensão mais barata da cidade, onde não conhecia ninguém.   

Notei que dos poucos passageiros civis, havia um senhor falante de Cuiabá. Aproximei-me dele, contei toda a minha situação. Assumi o compromisso de resgatá-lo do empréstimo ainda no aeroporto de Cuiabá.   Ele me convidou a ir até o banheiro do aeroporto, sentou-se em pequeno banco de cimento, tirou os sapatos e retirou de dentro das meias o dinheiro que precisava para minhas despesas imprevistas.

Chegando à Cuiabá meu pai já estava no aeroporto e, sabedor da minha dívida, pagou e agradeceu ao amigo, que nunca mais vi em minha vida.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Eleições 2026

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Eleições 2026

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo