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Gabriel Novis Neves

Incêndio na igreja

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Era um domingo. Após a missa das nove na Catedral de Cuiabá, ia com meus amigos do catecismo, jogar futebol no campo que ficava atrás do prédio do Palácio da Instrução. Tinha dimensões reduzidas e apresentava uma cobertura compatível com o jogo que praticávamos.

Os “craques” daquela época foram o Traçaia, que se profissionalizou e por várias vezes foi campeão pernambucano pelo Sport Recife, chegando a jogar na seleção brasileira de futebol, marcando um gol.

Manélito Granja, era o goleiro, apelidado de “Luiz Borracha” em homenagem ao grande goleiro do Flamengo. Herman Pimenta, Nei Pinheiro e tantos outros foram os companheiros de futebol na juventude; e já os perdi na estrada do tempo.

Eu era mais alto que meus colegas; portanto, jogava na defesa. Nunca consegui marcar o Traçaia.

A partida de futebol estava em seu final quando fomos avisados que uma imensa nuvem escura vinha em nossa direção.   

Pulamos o muro do campo de futebol em direção à rua, e fomos correndo para saber de onde vinha aquela fumaceira toda.  Logo chegamos à origem da tragédia onde encontramos muita gente e militares da polícia.

Ao lado da Igreja do Senhor dos Passos, no centro histórico de Cuiabá, no cruzamento das ruas Sete de Setembro e Voluntários da Pátria, havia um depósito de combustíveis. Por problemas no armazenamento houve uma explosão seguida de incêndio, que ameaçou todo o quarteirão.

Enormes labaredas atingiram a Igreja, causando-lhe perdas incalculáveis. Durante semanas, um cordão de isolamento protegia a linda Igreja que foi construída em 1792 e reconstruída em 1952.  As obras de restauração foram conduzidas pelo Padre Wanir Delfino Cesar.

Até então nunca tinha ouvido relatos de incêndios em Cuiabá! Foram tão dramáticas as cenas que presenciei, com a iminência de desabamento da Igreja construída com paredes de adobe, que jamais me esquecerei desse incêndio.

Ao chegar em casa fui severamente repreendido pelo meu pai por ter me aproximado demasiado do local da tragédia.

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