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Gabriel Novis Neves

O "enxerido"

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Fui bancar o "abelhudo" de querer mexer com o meu destino financeiro no final do ano passado e me dei mal.   Cismei de ganhar e achei que poderia acertar os seis números da mega da virada.

Fiz um jogo simples, baseado nos números mais sorteados dos últimos dez sorteios da virada do ano. Fiz zero ponto. A estatística não interfere na sorte financeira das pessoas.

Também fiz um bolão de cinquenta reais, feito pela máquina e jogado na lotérica do bairro do Dr. Fábio, bem distante da minha casa.   Vieram vários jogos de oito números. Marquei um ponto por jogo, no total de cinco pontos, que nem de consolação me serviu.

Minha família fez um bolão e me convidou para participar dele. Não aceitei pelo valor do mesmo, mas agradeci pela lembrança e desliguei o telefone.   Momento depois ligo para meu neto pedindo a minha inclusão no bolão da família e enviando o dinheiro em espécie pela minha filha que estava em minha casa. Nesse também não consegui marcar nenhum ponto.

O motivo do pedido da minha inclusão no bolão da família foi por pura superstição.

Lembrei-me que há anos estava na Clínica Femina e o colega festeiro da festa de São Lucas, protetor dos médicos, me procurou no consultório.   Queria me vender pelo menos um número do sorteio de um carro para arrecadar fundos para a realização da festa.   Era uma sexta-feira, o sorteio seria aquela noite no baile do Clube Monte Líbano.

Justifiquei ao colega que não poderia ir à festa no Monte Líbano, pois teria cirurgias marcadas para sábado bem cedinho.   Se eu não estivesse na festa e tivesse sido sorteado, sorteariam outro número.

Ele me respondeu que no caso dessas situações, os atuais responsáveis pelos festejos alteraram o regulamento. Mesmo em casa, se sorteado, o colega ganharia o prêmio.

Momentos antes tinha devolvido o número que o colega escolhera para mim. Pedi-lhe o bilhete de volta e paguei o valor estipulado.  No outro dia, ao chegar ao hospital, a minha secretária me cumprimentou por ter ganhado um carro novo.

Recordei-me de um antigo ditado que diz que “um raio não cai num mesmo lugar dua

s vezes seguido”.

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