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Gabriel Novis Neves

Amizade não tem preço

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Sempre vivi dentro de um hospital. Sentia paz, tranquilidade e leveza. Às vezes, quando passava visitas nas minhas pacientes, desligava do mundo.

Quando fiquei na exclusiva função de professor no HUJM, após ter sido Reitor da Universidade, lecionando a disciplina ginecologia e obstetrícia, pedi ao chefe do serviço que também me escalasse para orientar os alunos nas visitas às pacientes internadas nas enfermarias, aos sábados pela manhã.

Quem não compreendia essa minha mania de trabalhar aos sábados eram meus filhos menores.  Hoje, entendem perfeitamente essa minha vocação. Nunca os abandonei.

Existiam mais pessoas necessitadas dos meus cuidados profissionais e do ensino humanizado aos futuros médicos.  Após 30 anos, os antigos estudantes sempre se lembram de mim, como o “professor das visitas aos sábados”.

Quando, um tanto desiludido da má prática getal da medicina humanizada - muita falada e pouco utilizada -, tive necessidade de me internar para tratamento.

Encontrei  aquilo que fora motivo de me sentir tão bem quando jovem nos hospitais.  Em plena pandemia do Covid fui atendido, medicado e permanecido internado por 24 horas em um leito do Pronto Atendimento de Doenças Infeciosas Pulmonares.  

Estava no 2º dia de sintomas e testagem positiva do PCR para Covid.  A internação foi preventiva, para evitar complicações em idoso de 87 anos, mesmo tendo tomado as duas doses da vacina  Astrazenica e dose de reforço da Pfizer, contrai a variante do vírus Covid 19.

Fui atendido por um médico e professor universitário de invejável currículo acadêmico, muito competente, humilde e transbordando empatia e humanismo, que não conhecia pessoalmente antes desse episódio.

Após a alta médica e hospitalar, o procurei em seu consultório para perguntar o preço dos seus honorários e efetuar pagamento; ao que me respondeu – “esqueça-se dessa pergunta.  Eu é que lhe devo, pois acabei de adquirir uma amizade e isso não tem preço."

 

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