A natureza em Aquidauana, já pagou caro por alguns crimes ambientais que deixaram seqüelas irreversíveis ao meio ambiente e, até hoje, ninguém pagou por isso. Quem não se lembra dos nossos córregos João Dias e Guanadi, referências no passado por suas dinâmicas fluviais e oferta de pescados. Esses recursos naturais foram muitos generosos, para com os que deles dependiam. Isso quando tinham o que oferecer. Em passado, não muito recente, serviram de parâmetros limítrofes quando da implantação de Aquidauana. As terras doadas pelo fazendeiro, João Dias, entre esses dois córregos é hoje, a sede do município. Atualmente, esses celebrados cursos de água, João Dias e Guanadi, se resumem em pequenos filetes de águas contaminadas que, mais, se parecem com fios de lágrimas vindos de alguém, agonizando e implorando por socorro para não morrer.
Contudo, ainda nos restam algumas belezas naturais para preservarmos, dentre elas, a lagoa comprida, que apesar de muitas promessas utópicas, degradação, obras fictícias... ainda resiste os descasos dos nossos políticos e ostenta sua beleza. Se alguém duvida da importância de preservá-la, basta voltar ao passado e pegar como exemplos os nossos córregos citados. Hoje, para consertar os estragos ambientais, provocados durante anos e anos de degradação ao longo de seus leitos, é quase impossível tecnicamente falando.
As diferenças entre esses dois ecossistemas são poucas. Para começar, no Pantanal, temos duas estações bem definidas, a seca e a chuvosa. Durante as chuvas a planície pantaneira fica, quase inteiramente, debaixo da água e, a Lagoa Comprida por ser um fragmento do bioma Pantaneiro, recebe uma boa quantidade de água. Quando chega a estação da seca, as águas baixam e ás suas margens, brotam os plânctons que serve de alimentos para os peixes mais jovens que alimentam os pássaros. É uma festa. No caso dos córregos, com exceção das suas nascentes, seus respectivos leitos correm na planície pantaneira de declividade mínima que, na época das chuvas, devido o assoreamento, formam pequenas lagoas efêmeras (temporárias) ao longo de seus cursos médios e deságuam no Rio Aquidauana.
Por outro lado, a grande preocupação da maioria dos aquidauanenses é em relação aos recursos naturais que compõem o pequeno e quase completo ecossistema da lagoa comprida. Nesse complexo, estão inseridas as suas nascentes e as matas consideradas de Reserva Permanente, que margeiam a pista do Aeroporto Gal Canrobert. Esse bioma vem sendo, abusivamente, degradado com a supressão da cobertura vegetal, extração de aterro, queimadas e recebendo grande quantidade de lixos. O pior de tudo, é que esses crimes ambientais são praticados pela prefeitura do município, órgão que deveria dar bons exemplos e oferecer condições dignas para uma boa qualidade de vida aos seus munícipes.
Outro problema são as queimadas constantes, geradas pela disponibilidade de matérias de alta combustão, descartados nesse local, como: pneus, móveis velhos, isopores, sacolas plásticas, restos de podas de árvores dentre outros. Essas queimadas, provindas da queima de lixos de diversas origens, liberam uma grande quantidade de fumaças tóxicas na região, onde os maiores prejudicados são os moradores dos bairros que circundam o local, como: São Pedro, Aeroporto, Santa Terezinha e adjacências.
Devido à composição e procedências de determinados grupos de lixos que, ali são descartados, tal prática é uma ameaça eminente, podendo poluir o meio ambiente local. Uma grande parte desses lixos é tóxica, e quando decompostos libera um líquido conhecido como chorume, muito comum em grandes aterros sanitários. Com a extração de aterro no local, se formou uma cratera considerável e, devida a sua profundidade, esse chorume pode estar atingindo o lençol freático, responsável pela dinâmica fluvial da lagoa comprida. E como conseqüência, a poluição de todo esse ecossistema. Esse local, formado pelas matas que envolvem o Aeroporto Gal Canrobert, está localizado, em sua parte mais extrema, aproximadamente, a 600 metros, em linha reta, das nascentes da lagoa Comprida.
Uma vez, o lençol freático atingido pelo chorume, somados com outras fontes contaminantes, como às dos vagões da antiga NOB, que estão depositados a menos de 300 metros das nascentes da lagoa comprida que, também, se transformou em ambiente favorável para a proliferação dos mosquitos transmissores da Leishmaniose e dengue. A fusão de todos esses fatores determinantes, pode se concluir que: às águas e seus indivíduos aquáticos, da linda e bela lagoa comprida, estão sendo contaminados progressivamente, além, da supressão de parte da cobertura vegetal e poluição do ar e do solo. Uma coisa é certa! Alguém está praticando Crime Ambiental e incorrendo nos dispositivos da Lei Federal-9.605/98 e Resolução CONAMA-004/85.
O pior de tudo: os crimes ambientais, contra esse ecossistema acontecem em plena luz do dia. E só nossas autoridades, responsáveis pela regulamentação e fiscalização do meio ambiente, não às constatam. Ou estariam fazendo ?vista grossa? acerca desse assunto? Eis uma pergunta que não se cala. Que pena!