Os contrastes são rotinas no Pantanal
?Pegadas frescas, árvores arranhadas... será a pintada??
Água e fogo... Cheias e secas. Os contrastes são rotinas no Pantanal. A imensidão de água nessa planície reserva muitos mistérios e desconhecidos esconderijos para proteger seus indivíduos aquáticos. Na vazante ?boca do jacaré?, um dos refúgios do Pantanal no Rio Aquidauana, na época das cheias, os cardumes se espalham pelos campos alagados e, aos primeiros sinais de vazantes os peixes nadam em direção ao leito do rio. Os peixes de escamas são os primeiros a ter essa percepção, já outros, como o pintado e cachara não possuem esse mecanismo. São eles que ficam aprisionados nas baias e corixos e se constituem em verdadeiros banquetes de aves a jacarés. O interessante é que essa paisagem dura pouco mais de um mês e logo esta tudo seco. Essa eterna mudança, cheia e seca, é o que garante o equilíbrio e a perpetuação da natureza e vida no Pantanal.
Há uma relação muito estreita entre as aves e os peixes do Pantanal, isso podemos presenciar, nos mínimos detalhes, ao longo dos rios do Pantanal. Enquanto as aves se alimentam às margens dos rios, derrubam frutas nativas em seus leitos, que servem de alimentos aos peixes deste lugar. No Pantanal, a integração perfeita, porém, não quer dizer fora de perigo. A fauna pantaneira é tão rica que até quando fechamos os olhos, ouvindo a sinfonia da natureza, viajamos no tempo. Mas é preciso ficar sempre em alerta máximo aos mínimos detalhes, respeitando as suas peculiaridades e vulnerabilidade.
Pegadas frescas na trilha, árvores arranhadas... área demarcada. Perigo à vista! A qualquer momento podemos deparar com o maior felino do Pantanal, a onça-pintada. Ela está no topo da cadeia alimentar da fauna pantaneira. Muitas das vezes, ela pode estar bem próxima e não a percebemos. Descendo os principais rios do Pantanal (Aquidauana, Negro, Miranda, Taquari e Paraguai), não é difícil deparar com esses felinos. Às vezes: uma, duas, três e até mais, de uma só vez. É só ter paciência e um pouquinho de ?sorte?, e aí é só admira-las ou ?bater? em retirada o mais rápido possível.
Preservar o Pantanal, ainda é um grande desafio. Anos após anos, presenciamos a exuberância e a degradação desse ecossistema, onde a dinâmica da vida é determinada pelas cheias e secas. Durante todo esse tempo em que tivemos a missão em protegê-lo, o Pantanal vem sendo cada vez mais degradado pela ação do homem. Hoje, boa parte do Pantanal está nas mãos de particulares, muitos primam pela sua preservação, já outros não têm esse comprometimento.
A maioria não sabe, mas, o Pantanal ?tem dono?. Mais de 75% de sua área estão em propriedades particulares. Nesse caso, somados às suas belezas e fragilidade, o Pantanal necessita, urgentemente, de uma legislação específica e eficaz que possa garantir a sua proteção em toda sua plenitude ou vai continuar à mercê da sorte. Hoje, o fazendeiro, só não pode desmatar as áreas protegidas pelas Legislações vigentes, como as áreas de preservação permanente, às margens dos rios e suas nascentes, o que não é o suficiente para garantir a preservação desse rico, porém, frágil bioma.
Outra ameaça para o ecossistema pantaneiro é as queimadas, uma rotina, na época da estiagem. A maioria dessas queimadas é gerada nas partes mais altas, ao entorno do Pantanal, onde alguns proprietários não se mostram muito sensatos com a vulnerabilidade e a proteção desse bioma.
Fiscalizar o Pantanal, não é tarefa fácil para os órgãos responsáveis pelo seu gerenciamento devido às suas adversidades. A tarefa mais difícil dos agentes é a conscientização do ?bicho-homem?, é ele, o único animal que deixa pegadas irreversíveis ao meio ambiente.
O equilíbrio da natureza no Pantanal é tão frágil que pequenas atitudes, se não for racional, podem comprometer boa parte desse bioma. Deixar a natureza seguir o seu curso sem interferir ou destruir, é respeitar a vida no Pantanal.
?PANTANAL, MUNDO ENCANTADO?