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Lidio de Souza Neto

Os fantasmas do Rio Aquidauana ainda assombram

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A piracema chegou, seria tudo normal se as manifestações dos fantasmas que rondaram durante toda a temporada da pesca os barracos dos profissionais filiados à colônia ?Z-7? (Aquidauana e Anastácio), não estivessem ecoando, ainda, no dia-a-dia desses profissionais. Essa classe de trabalhador exerce um papel notório e importante na economia dessas duas cidades co-irmãs. Mas, nesses últimos quatro anos foram relegados pelos políticos locais, por falta de políticas racionais em prol dessa classe. Diga-se de passagem, muito sofrida.
    
Às margens do Rio Aquidauana, Miranda ou outro qualquer os reflexos são comuns. Suas matas ciliares se recompondo, o silêncio se confunde com as águas calmas, cheias de mistérios, poucas corredeiras, escadarias, cachoeiras, remansos... É a piracema! Até aí tudo normal, se não fosse à presença assídua dos fantasmas da fome, das intempéries do tempo, das frustrações pela falta do peixe, pela falta de apoio dos políticos, esse é o mais assustador, tanto quanto o fantasma do atravessador. É ele quem mais lucra com a pesca em nossa região. O ?sinistro? atravessador tem o monopólio das embarcações e dita o preço do peixe na barranca dos rios leva os poucos pescados, pagando bem abaixo do preço.
     
Como se não bastassem todos esses problemas, os pescadores profissionais da colônia local, ainda sofrem com as constantes ameaças de empresários e alguns políticos que possuem empreendimentos do ramo de turismo e lazer às margens dos Rios Aquidauana e Miranda. Esses ?nobres? privilegiados buscam a todo custo o fechamento da pesca profissional no Estado de Mato Grosso do Sul.
 
Muitos desses pescadores aprenderam com os pais a profissão e por falta de oportunidades não sabem fazer outra coisa a não ser pescar. Boa parte deles não consegue nem pagar os gastos com seus fornecedores. O peixe diminuiu e a burocracia aumentou. Enganam-se aqueles que querem atribuir a falta do peixe aos pescadores profissionais.
 
Por outro lado, para piorar a situação dos pescadores profissionais, das mais de 1200 colônias espalhadas por todo o país, o Ministério da Pesca, através dos órgãos de fiscalização estaduais, passará em breve exigir dos pescadores a nova carteira profissional de pesca. Conforme o Ministério, ela será obrigatória e semelhante a RG com chip contendo todos os dados do profissional. 
     
Só para se ter uma idéia da disparidade entre os trabalhadores brasileiros, basta comparar a refeição de um ?nobre e indispensável? deputado, que por uma generosa refeição paga com nosso dinheiro (dos contribuintes), muito mais que o preço de uma cesta básica, que a maioria dos trabalhadores não consegue comprá-la para suprir o sustendo da família. Isso é sinistro ao extremo! Ou não?

*SGT LÍDIO DE SOUZA NETO - ESPAÇO VERDE

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