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Lidio de Souza Neto

Água: Essência Sagrada, Fonte de Vida...

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Embora a água cubra, aproximadamente, três quarto da superfície da terra, 97,4% é de água salgada, que se encontra nos mares e oceanos, e 1,8% está na forma de gelo e se encontra localizada nas regiões polares, portanto, a água doce disponível para a população do planeta representa apenas 0,8%.
 
Como detentor da maior reserva de água potável do mundo o Brasil, como muitos países, não está cuidando bem de seus mananciais e não está utilizando corretamente esses recursos hídricos disponíveis.
 
Especialistas estimam que até 2025, a água potável que hoje é desperdiçada pelas calçadas e em vazamentos em tubulações com defeitos, nas grandes e pequenas cidades, fará falta para mais da metade da população do mundo.
 
O Brasil tem correndo em seus rios ou guardados em seus lagos 12% da água doce do planeta. Segundo pesquisas, as reservas de água potável hoje representam a metade das que foram contabilizadas em 1950.
 
Boa parte da água desapareceu com a degradação das nascentes e a supressão das matas ciliares dos rios, por conta de crescimento demográfico desordenado e poluição das nossas reservas hídricas por emissão de efluentes oriundos da pecuária, da suinocultura e lavouras entre outros fatores nocivos ao meio ambiente.
 
Na semana em que comemoramos o Dia Mundial da Água (22 de março), nós Aquidauanenses e Anastacianos não temos muito que comemorar.  Basta uma pequena observação em nossos principais rios; Aquidauana e Taquarussu, bem como seus afluentes como os córregos Guanandi e João Dias, em Aquidauana  e também os córregos Pedra Preta, Combate e Acôgo em Anastácio, que chegaremos a uma triste conclusão: não estamos zelando pela preservação dos nossos principais rios e seus afluentes; não estamos cuidando da nossa água. Alguns desses mananciais já se encontram em estado terminal. Condenados literalmente à morte. 
 
O desmatamento para exploração indiscriminada de madeira pelas grandes madeireiras, carvoarias e formação de pastagem para garantir a pecuária, além da exploração irregular de suas águas, estão transformando alguns desses afluentes em verdadeiras estradas áridas em nossa região.
 
Outra grande preocupação, de muitos aquidauanenses, é no tocante a ?Lagoa comprida?, que hoje ostenta o status de ?Parque Municipal?. Com as constantes retiradas de madeiras em sua mata ciliar, e também em virtude de estar recebendo grande quantidade de lixos de diversas ordens no seu entorno, em conseqüência vem tornando em um ambiente propício para a proliferação de vetores de várias doenças. Essas doenças são transmitidas através de suas fezes, urinas e patas, a exemplos de baratas, ratos e o temível mosquito da dengue, que hoje aterroriza a população.
 
Como se não bastasse tudo isso, ainda temos que conviver com as constantes queimadas rotineiras em sua mata ciliar, além da pesca e caça praticada nesse local. Esse manancial (lagoa comprida), sem parte de sua mata ciliar que retêm os sedimentos que descem através dos sulcos, construídos nos prolongamentos das ruas que findam no seu entorno acelera, ainda mais, a poluição o seu processo erosivo.
 
Já tivemos outros tristes exemplos de descasos, ainda vivos em nossa memória. Estamos aludindo dois dos nossos principais córregos que hoje ?choram? e ?agonizam? assentados em seus filetes de águas poluídas que correm em seus leitos assoreados, como lágrimas de alguém que pede socorro para não morrer.
 
Estamos mencionando os históricos Córregos João Dias e Guanandi, que tiveram uma importância determinante quando da implantação do município de Aquidauana.  Quando da doação, pelo fazendeiro João Dias Cordeiro, das terras existentes entre esses dois córregos às margens direita do Rio Aquidauana, os mesmos serviram de parâmetros para a criação do município.
 
Estes córregos, como os demais, sem a sua mata ciliar, acabaram invadidos pelos sedimentos e suas profundidades, que em muitos trechos superavam os 2 metros de profundidade, hoje não passam de filetes de água poluída. O Córrego Guanandi, hoje, é um verdadeiro depósito de lixo sob a rodovia, no Bairro da Serraria, que dá acesso a vila 40.
 
Quem não se lembra das águas do córrego Guanandi irrigando a plantação de arroz na propriedade de Maneco Genro, próximo às suas nascentes na ?lagoa dos bobos?. Além de garantir, por muitas décadas, a dinâmica da irrigação das hortaliças dos Tamanakas, dos Oshiros, dos Higas, e de muitas outras famílias descendentes de japoneses radicadas na saudosa? Colônia dos Japoneses? localizada entre os Bairros da Serraria e Guanandi.
 
Dessa comunidade, esses descendentes, retiravam o seu sustento e garantiam o abastecimento da população local através de suas tradicionais feiras no mercadão municipal e adjacências.
 
Hoje, como já mencionei, não temos o que comemorar, basta fazermos uma simples comparação , do ontem e do hoje, através dessa nossa linha de raciocínio, que chegaremos a uma triste conclusão. Já não temos mais a dinâmica fluvial dos nossos córregos: Guanandi, João Dias, Pedra Preta, Batalha, Acôgo, Morcego, Paxixi...
 
Será a nossa Lagoa Comprida a próxima vítima? Pelo andar da carruagem, levando em considerações as agressões que vem sofrendo constantemente, com seu Ecossistema quase completo, porém frágil, somados ao descaso do nosso Poder Público. É muito provável que ela, a Lagoa Comprida, passa a ser uma séria candidata e poderá estar com os seus dias contados se nenhuma atitude urgente for colocada em prática.
 
Deixando a utopia de lado, ainda é possível evitar este triste fim; ou em breve ouvir dos seus netos a seguinte pergunta: ?Vovô, aqui que era a famosa lagoa comprida??. Se isso acontecer, será uma perda irreparável para os munícipes.
 
?22 DE MARÇO, DIA MUNDIAL DA ÁGUA?.
 
 
SGT LÍDIO DE SOUZA NETO - ESPAÇO VERDE

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