O homem na ânsia do desenvolvimento, na grande maioria das vezes, atropela os conceitos relacionados à preservação da natureza, barrando o desenvolvimento de um pensamento ambientalista e social em defesa do meio ambiente. Tais atitudes têm levado há várias pesquisas quanto ao impacto da ocupação humana neste sistema, e as conclusões não são nada animadoras. Os principais problemas detectados são: a contaminação da água, da flora, da fauna, do solo e a poluição do ar.
O córrego Combate, em Anastácio, um fragmento do ecossistema pantaneiro devido às suas características peculiares, tido como um berçário de aves e pequenos répteis, rico em microorganismo vegetal e animal, é um exemplo do descaso das nossas autoridades. Em breve poderemos ter todo este ecossistema comprometido devido à ocupação demográfica linear em suas margens e ao entorno de sua nascente.
Como já mostramos a nossa preocupação em outras oportunidades, a natureza já pagou caro por crimes ambientais em Aquidauana e Anastácio e até hoje ninguém foi responsabilizado por isto.
É evidente que para falarmos em preservação ambiental, temos que começar pelo nosso quintal. Primeiro nossos córregos Guanandi, João Dias, em Aquidauana. Em Anastácio: Pedra Preta, Acôgo, entre outros. Todos resumidos em pequenos fios de água que mais parecem filetes de lágrimas de alguém suplicando para não morrer.
O córrego Combate tem sua nascente próxima ao lixão do município de Anastácio, é um fator de risco a mais para fauna, flora e microorganismo aquático que compõe este ecossistema. O chorume, resultante da decomposição do lixo descartado no local pode contaminar o lençol freático e obviamente todo este manancial.
Em constatação ?in-loco?, parte de sua mata ciliar foi suprimida. Esta ação poderá trazer consequências drásticas a todos os componentes desta biodiversidade, somadas as características do terreno local que com as chuvas levará todos os sedimentos, terra e areia ao seu leito.
Com a supressão da cobertura vegetal e a terraplanagem, o terreno no local se tornou susceptível a erosão, como consequência assoreamento do leito do Combate. E como agravantes a contaminação da água, e dos plânctons que se constituem no principal alimento dos pássaros e peixes das espécies planctófogas em suas primeiras fases de vida.
Por outro lado, toda essa degradação ambiental gerada neste local atingirá, ?sob efeito cascata?, outros mananciais como os rios Taquarussu e Aquidauana. E ainda, com a ocupação das habitações pelos seus futuros inquilinos, tende-se a agravar com prováveis ligações clandestinas de esgotos domésticos, onde os dejetos e excretas humanas serão depositados nestes mananciais.
Hoje, fala-se muito em preservação ambiental, não só em rodas de tererés, discursos acalorados de políticos demagogos e principalmente na mídia globalizada. Seria de grande valia se uma pequena fração de tudo isso que veiculam no mundo globalizado em prol ao meio ambiente, fosse colocada em prática. Se assim fosse, com certeza a nossa qualidade de vida seria bem melhor!
O mais intrigante, é a inércia de nossas autoridades constituídas, Ministério Público e demais Órgãos que têm o dever de fazer cumprir as Leis e aplicar os seus dispositivos legais. E assim, assegurar os princípios básicos para manter o meio ambiente equilibrado. As ferramentas de cidadania (as Leis), para proteger todo e qualquer cidadão e a sadia qualidade de vida dessa e futuras gerações têm que ser exercitadas.
?Proteger o meio ambiente é dever de todos, Governo e Sociedade?.
SGT LÍDIO DE SOUZA NETO - ESPAÇO VERDE