Quem tem o privilégio de andar pala zona rural de Aquidauana e Anastácio, depara com frequência com belos cartões postais pintados pela Mãe Natureza. Aliás, é de fazer inveja a qualquer cartão postal dos celebrados Alpes suíços.
Principalmente na região serrana de piraputanga e trecho da BR-262, proximidades do morro do Chapéu. Esses são alguns dos cenários dessas maravilhas com seus lindos ipês floridos que enchem os olhos e despertam admiração de quem passa por esses lugares.
A primavera chegou trazendo consigo a beleza cênica que só a Mãe Natureza tem esse poder de nos presentear. A Estação das flores, do ciclo da reprodução da flora e fauna e, também, o período em comemoramos o Dia da Árvore.
Por outro lado, quem anda pelo centro e bairros de Aquidauana e Anastácio, já deve ter percebido várias frentes de ?ações?, no tocante a podas de árvores de domínio dos referidos município em andamento. Tudo isso, com o intuito de dar um traçado desejado às árvores e acessibilidade e fluidez aos serviços de telefonia e energia elétrica. Até ai tudo bem!
Contudo, seria muito mais dinâmico se tudo isso fosse feito com critérios básicos e o mínimo de coerência. Não devemos se esquecer dos cuidados e zelo para com a nossa ?fauna e flora urbana?, que nessa época do ano, de novembro a janeiro, estão, respectivamente, no auge do processo natural de sua reprodução e floração.
Muitas espécies de pássaros constroem seus ninhos nessas árvores, por migrarem de seu habitat natural por conta da ação do homem. Seja fugindo das queimadas, seja por conta crescimento da densidade demográfica, ou até mesmo por terem uma falsa impressão de que próximo dos seres racionais (Homem) estaria mais seguros. Ledo engano! ?o bicho homem? é o único animal que deixa pegadas irreversíveis na natureza.
Não é preciso ser muito inteligente para observar a ordem cronológica das nossas quatro estações. E suas influências e importância que as exercem, sobre tudo, na dinâmica da perpetuação da vida existente na natureza.
Será que as autoridades que gerenciam e fiscalizam a questão ambiental estão fazendo ?a coisa? com coerência e respeito para com a perpetuação da natureza em toda sua plenitude, ou estariam fazendo ?vista grossa? acerca do assunto?
É preciso mesmo podar as árvores? Se positivo tudo bem! Mas, antes de tudo, é preciso analisar muito bem o assunto em todos os sentidos, como por exemplos: época da floração, época da postura dos ovos dos pássaros, bem como a preservação dos seus ninhos, criadouros, etc.
Só para se ter uma ideia da poda em questão, em certa época do ano (setembro a janeiro), é proibida, conforme Lei Federal, em virtude do período da reprodução dos pássaros, que constroem seus ninhos nestas árvores, além da floração de algumas espécies. Seja ela, plantadas ou nativas.
Nesse período, acontece todo o processo da reprodução da grande maioria da fauna regional, a exemplo da piracema que é o período da reprodução dos peixes, que se realiza de novembro a fevereiro.
Para que tudo seja feito de maneira correta, é indispensável projetos acerca dessas podas. As podas geralmente devem ser feitas em período de descanso das espécies animais e vegetais, após um estudo preliminar para se conhecer essa dinâmica.
Há um relacionamento muito estreito entre a flora e a fauna. Uma depende da outra para garantir a perpetuação de suas respectivas espécies dentro da natureza.
Qualquer que seja a causa do rompimento dessa cadeia reprodutiva, poderá haver um estrangulamento mecânico dessa dinâmica e comprometer todo um ciclo de reprodução da flora e fauna, dentro de uma determinada espécie.
Por outro lado, o não cumprimento das Leis de Proteção Ambientais, com relação à supressão, poda e manejo de qualquer tipo de vegetação, destruição de abrigos, ninhos de pássaros e seus ovos etc., entre outras agravantes, o infrator deve ser responsabilizado por Crime Ambiental de acordo com a Lei Federal-9.605/98.
?PRESERVANDO E CONSERVANDO PARA ESSA E FUTURAS GERAÇÕES?.
SARGENTO LÍDIO DE SOUZA NETO - ESPAÇO VERDE