Hoje, há uma grande euforia entre os ?profissionais? da área da radiofonia em todo o Brasil. As emissoras de rádio que operam em AM (Amplitude Modulada) podem migrar para FM (Frequência Modulada). Em Aquidauana e Anastácio não é diferente, levando em conta vários comentários, por parte dos órgãos de imprensa oficial e bastidores.
Como todo processo evolutivo, para acompanhar o mundo globalizado, dentro de todo e qualquer seguimento, seja profissional ou amador, haverá necessidade, também, de adaptação de ?mão-de-obra? à altura das mudanças radicais. Sob pena de por si só, correr o risco de colocar tudo a perder, por falta da disponibilidade de profissionais e meio técnicos à altura. Com certeza, vai exigir muito mais dos seus administradores.
É claro que em nossa região contamos com bons e competentes profissionais do rádio. Por outro lado, o que nos preocupa, é a existência de alguns ?teimosos? que insistem em fazer a ?coisa? sem a preocupação de se capacitarem para tal, esquecendo que rádio é um veículo didático e formador de opinião.
A estação AM, até bem pouco tempo, era tida como a ?rádio povão?. Seu ápice, em nossa região, foi nos anos 60/70. Nessa época de ouro tudo girava em torno do rádio. Era ele quem ditava o dia a dia do cidadão da cidade e do campo. Ter um rádio em casa era um sonho de consumo das famílias à época.
Quem não se lembra das programações da Rádio Difusora e da saudosa ?Martelinho?, hoje Rádio Independente. Essas emissoras radiofônicas faziam a diferença dos ouvintes. O trabalhador das fazendas, chácaras, sítio etc., tinha o rádio como seu único meio de se orientar sobre a hora de se levantar para tomar o seu chimarrão, fazer o seu café, degustar o seu ?quebra-torto? e sair para os seus a fazeres diário.
Entre outras boas programações de rádio da época de ouro em Aquidauana, a que mais marcou foi sem dúvidas a programação diária da Rádio Difusora, intitulada de ?Mensagem Social?, na voz de grandes comunicadores, como: Sadi Soares, Wilson Batista de Assis, Cláudio Valério e outros.
Claro que não podemos esquecer o grande jornalista Antonio Garcia (jornalista 120) que, diariamente, levava aos ouvintes, pelas ondas sonoras da Rádio Independente, os acontecimentos dentro das diversas camadas da sociedade. Sempre com seus comentários coerentes e balizados.
O que mais prendia a atenção do ouvinte eram o carisma e o profissionalismo do comunicador. Todos altamente capacitados, que faziam a sua comunicação com todo esmero e lisura que o povo da época merecia. Hoje, apesar de nostálgico, ainda são lembrados pelos remanescentes daquela geração.
A mudança, a migração ou a troca de faixa das AMs para FM, com certeza, vão deixar saudades. As AMs tinham um relacionamento muito estreito entre o comunicador e o seu público alvo.
Atualmente, nesse ramo de comunicação estamos carentes de renovação. Nos últimos anos não tivemos nenhuma revelação à altura desses monstros sagrados do rádio, principalmente pelo lado das comunicadoras femininas.
As últimas que se destacaram, foram Ioná Cristina, Dóroty Nunes e a atual comunicadora Mônica Santos. Essa última, pela escassez, pode ser considerada como uma agulha encontrada em um ?palheiro?.
Por outro lado, ao contrário das profissionais ?mulheres no rádio?, temos bons profissionais experientes como Ronaldo Régis, Iramar Ferreira, Edson de Souza, Armandinho Anache, Luiz Carlos Benites, Leonel Ramos e Alex Melo, entre outros. Mas há necessidade premente de renovação se não, quando esses decanos do rádio pararem, como será?
Além da preocupação para com os profissionais da radiofonia, as rádios AMs, ao contrário da época de ouro, operam hoje, com potência mínima, e com isso, algumas delas não abrangem sequer 15% das fazendas pantaneiras.
Para que a migração de AM a FM tenha êxito, haverá necessidade de mudanças significativas na qualidade de todo o conjunto. Desde a qualidade do áudio aos ?profissionais? como um todo, com raras exceções.
A famosa frase de das rádios AMs aquidauanenses ou sul-mato-grossense, isso não vem ao caso, ?QUEM OUVIR, FAVOR AVISAR?, apesar de não fazer parte há muito tempo da comunicação radiofônica em nossa região, ainda, nos deixa muitas saudades.
Quem não se lembra da alegria da dona de casa, de um tio ou algum parente mais velho que na hora do almoço ouvindo Tonico e Tinoco, Teixerinha e, em especial, Délio e Delinha ?o casal de onça do rádio?, mandar a criançada falar menos ou ?fechar o bico?, por que era à hora da ?MENSAGEM SOCIAL? e tinha que ?escutar? as notícias dos parentes que ficaram na cidade. Muitos têm na memória essas recordações.
Rádio é coisa seria! Hoje não há mais espaço para aberrações do tipo: ?nóis foi?, ?a gente vamos?, ?falar com nóis?, ?não tem pobrema?. E nem para os que pensam que rádio é reduto de jabás que não hesitam em pedir carneiro, porco, galinha, queijo além de outras coisas bizarras.
Sob pena de se sucumbir, os dirigentes das AMs devem repensar o assunto. Não basta irem migrando para FM sem antes, porém, pensar na necessidade urgentíssima de renovar o seu quadro de profissionais. Será uma tarefa difícil, em virtude desse segmento profissional não atrair o jovem em início de carreira.
LÍDIO DE SOUZA NETO - ESPAÇO VERDE