OS CONFLITOS de terras no MS na mídia. O advogado indígena Wilson Matos da Silva, residente na Aldeia Jaguapirú, é autor do artigo ?Especialistas em índios...Sou contra!? O texto foi publicado no ?Jornal Preliminar.com.br?.
PRESIDENTE da Comissão Especial de Assuntos Indígenas da OAB/MS, o advogado lembra que mais de 500 indígenas cursam faculdades, dos quais 180 Direito. Denuncia a existência de apadrinhados políticos, que agem como ?donos dos índios?.
?OS DONOS DOS ÍNDIOS? seriam os agentes do Estado, sem qualificação ou sem simpatia com a causa indígena, com medo ? é claro - de perder seus empregos (teta), sob o duvidoso rótulo de ?especialistas em índios?, donos do bem e do mal.
?PROTETORES? Wilson denuncia uma máfia deles agindo inclusive através das famosas ONGs, recebendo dinheiro que não chegam às aldeias, além de reivindicar grandes extensões de áreas que só ajudam a denegrir a imagem dos índios.
?URUBUS? O autor lembra que eles vivem da desgraça do seu povo, recebendo boa remuneração ? além de diárias em hotéis de luxo, honorários de consultoria, locação de veículos, pagamento de RPAs, auxílio finandeiro e outras vantagens.
EMBORA o artigo 3º da Declaração da ONU diga que ?Os povos indígenas têm direito à livre determinação?, os índios com formação ou em formação, são excluídos do processo demarcatório. Simplesmente ignorados pelos ?donos dos índios?.
A MANIPULAÇÃO política é evidente, principalmente nos períodos eleitorais. Mesmo após a Constituição de 88 o problema continua longe de ser solucionado. Falta boa vontade do Governo, com índios morrendo e vivendo em degradação.
APELO Morando ainda na Aldeia Jaguapiru, com os pais e demais familiares, esse cidadão denuncia essa manipulação através destes ?falsos protetores? , que mais atrapalham do que ajudam. Wilson pede o expurgo deles o quanto antes.
A PROPÓSITO Entre a penúltima e a última visita do ministro da Justiça da Justiça ao nosso Estado, a questão da demarcatória não evoluiu. Pelo contrário: criou revolta dos fazendeiros ?despejados? e a desesperança de solução pelos indígenas.
O MINISTRO Cardozo decepcionou. Não só pelo desconhecimento das dimensões do problema, bem como pela forma como se portou. Lamentável aquela sua fala contra uma produtora rural. Ora! O cargo de ministro exige postura comedida.
OS DEPUTADOS estaduais acompanharam o episódio e os seus pronunciamentos E mostraram imensa preocupação. Até a atuação do Conselho Indigenista Missionário foi questionada pela deputada Mara Caseiro, que pode motivar inclusive uma CPI.
RESOLVE? Colocar militares ? temporariamente ? para policiar as regiões em conflito é medida paliativa. O show de imagens mostradas não é um indicativo seguro de que o Governo está no caminho certo para solução a curto prazo.
EM TEMPO Se todos são iguais, não se pode também discriminar o homem branco que ocupa a terra por força de documento que se pressupõe idôneo. Convenhamos: há uma orquestração incrível ? de longa data - para demonizar o produtor rural.
ENFIM... o quadro é preocupante para todas partes envolvidas, com reflexos sociais e econômicos no Estado. Um Estado com a economia alicerçada na produção agrícola não pode conviver com essa situação inquietante. Todos nós perdemos.
MUDANÇAS A ?janela partidária?, aprovada no Senado, deve refletir no cenário da capital. O jogo de interesses dos grandes partidos é enorme; na Câmara a sua aprovação ainda é duvidosa. Aqui, Marcos Trad é o grande interessado.
OS POLÍTICOS nunca ganharam tanto espaço na mídia como ultimamente. Se no cenário nacional eles estão presentes devido a ?Lava Jato?, aqui a volta de Bernal e a Operação ?Coffee Break? tem sido o alvo das atenções da opinião pública.
AS APOSTAS nos desdobramentos destes casos na sucessão na capital e inclusive no pleito de 2018 são grandes. Há gente prevendo uma profunda renovação no quadro político, com a automática aposentadoria de lideranças antigas. É esperar.
A EXPOSIÇÃO de políticos na mídia em situações desconfortáveis faz estragos. Lembro o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra acusado de compra irregular de bicicletas para agentes da saúde. Inocentado, não conseguiu se recuperar. Tarde demais.
O DEPUTADO Vander Loubet é um exemplo recente de político em desgaste pelas denúncias da Lava Jato. São duas vertentes: do direito ? onde a defesa será feita na época oportuna; e de fato ? com a influência imediata devido ao noticiário.
IGUAIS? Se levarmos em conta que a conduta irregular, aética não está restrita a esse ou aquele partido, seremos obrigados a concordar com a tese de que no fundo, todos os políticos seriam iguais. As exceções infelizmente não entram como referência.
AS PESQUISAS futuras em nível nacional devem mostrar que cresceu o contingente de eleitores incrédulos ou pelo menos indecisos. Apesar das dificuldades advindas pela votação eletrônica, a tendência é a opção pela anulação do voto.
O BRASIL sem retoques: inflação crescente, desemprego visível, a classe política desacreditada e um governo dúbio e desgastado. E o mais grave: estamos ainda no início de mandato. Para piorar, a oposição não se entende, não se junta.
?Hoje, em pleno século XXI, querem nos impor a pecha de bugres...?(Wilson M. da Silva ? advogado indígena)