É uma novela que já está nos seus capítulos finais e pelo visto apresenta um universo feminino rico, mas muito rico, mesmo.
A começar pela professora Juliana (Bruna Linzmeyer), com uma meiguice peculiar mudou e continua mudando a vida do local ?Vila de Santa Fé?, com muita delicadeza, e outras características que vão de encontro ao contexto político, social e educacional.
Já no momento educacional, a Escola ia ser queimada a mando do coronel Epaminondas (Osmar Prado), mas não foi porque o próprio capataz se negou a fazê-lo. Quem executaria a ordem voltou atrás. Encantou-se com a professorinha. Taí o papel da educação: mudança dos valores, das opiniões e das ideias e até das ações...
Sempre muito delicada, com posições firmes e uma voz suave impõe sua presença e mudou as idéias de um local pequeno e escondido do mundo.
Seguindo a linha da mudança, Catarina (Juliana Paes), esposa do coronel Epaminondas, com trejeitos, usando, sempre os dedos, mas na hora das opiniões muito firmes e únicas. Ninguém a segura quando quer algo. Ordena, vai em frente com toda sua força imperativa.
Tanto Amância (Dani Ornellas) como Rosinha (Letícia Almeida), empregadas da casa do coronel, também apresentam aspectos típicos das mulheres resolvidas, sem perder o medo do patrão. E Rosinha, já no final da novela mudou de emprego e mesmo sendo demitida não deixou de usar a palavra ?direitos?.
Dona Tê (Inês Peixoto), a mãe da Gina (Paula Barbosa), que tenta ser dominadora e não quer sua única filha longe, tem um temperamento, também muito forte, até mais que o marido. Faz de tudo para que a filha fique do seu lado, na tentativa de marcar até hora para o namoro.
Mãe Benta (Teuda Bara), a benzedeira do local, faz um trabalho reverenciado quando se trata das famosas ?benzeções?, não deixando de dar conselhos muito próprios para as situações que vivencia.
Pituquinha (Geytsa Garcia), uma menina muito atenta à vida da casa onde mora, chamando também atenção pelo seu comportamento adulto diante dos desmandos do pai: o coronel Epa. Mais ainda Milita (Cíntia Dicker) apaixonando-se pelo Viramundo (Gabriel Sater), que virou seu mundo de filha única de um pai viúvo, de nacionalidade italiana. E assim disse ao pai: ?Eu caso ou vou embora, sem casar...? Casou aliás numa cerimônia belíssima.
E como não poderia deixar de ser a tão famosa e braba Gina, personagem com um crescimento ficcional invejável, graças à força da dramaturgia e do talento que tem.
De uma hora para outra muda de maneira tão encantadora que passou a ser personagem principal e essencial ao enredo.
É menina. É mulher num raio de segundo. Chama as crianças para a escola, evitando também a demissão da Professora Juliana.
Gina não tem medo de nada, mas é extremamente sensível ao amor e por isso cresceu como personagem forte e vibrante que sempre demonstrou no desenrolar da novela.
Eis o mistério da ficção...
Maria de Lourdes Medeiros Bruno