Maria de Lourdes Medeiros Bruno
CLARICE LISPECTOR E A PRESENÇA DAS FLORES
Descrevê-las parece fácil para alguns e muitos , mas a descrição que Clarice apresenta nos leva a um mundo até então distante de nossos olhos, onde em cada momento pela perfeita colocação das palavras chega-se a sentir o perfume de cada flor anunciada no jardim da literariedade e da imaginação.
Quando trata das rosas tudo se refaz em torno de cada uma descrita e o imaginário humano se coloca à disposição de cada pétala apresentada.
Já o cravo, talvez humanizado pela “agressividade”, na página 68, da obra Água viva, nos transporta a planos variados da vida e da morte.
E em se tratando do girassol, violeta e sempre-viva se transformam em seres viventes, com todas as caracterizações pertinentes aos espaços de cada uma, de cada um .já que o girassol passa a ser flor “masculina”(Obra citada:página 69) . Transbordam caracterizações, tais como: “enorme corola”, “introvertida”, “sol de ouro”...entre tantas outras adjetivações trabalhadas em se tratando das flores que permeiam um universo rico e perfumado com a fragrância das palavras.
Entre tantas citadas eis que surgem: orquídea, tulipa, flor dos trigais, angélica, jasmim, estrelícia, dama da noite , com situações ímpares e infinitas que levam a um pensamento único e indelével: seriam também humanas e humanos, brotando num jardim?
E como ficariam a edelvais, o gerânio, vitória-régia e o crisântemo, com todos seus momentos encarando todas as situações tão incomuns ao mundo das pétalas e das flores!
Vale a pena conhecer a preciosidade que é o universo das flores.
Maria de Lourdes Medeiros Bruno
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