Maria de Lourdes Medeiros Bruno
Publicado em 30/03/2026 às 20:01
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Lavando Neurônios
(... breves recordações...)
Entre tantas notícias apresentadas, lidas e divulgadas a respeito do magistério e dos salários dos PROFESSORES e das PROFESSORAS interessante lembrarem, antes de se comentar a trajetória salarial e da vida profissional da referida classe.
Nos anos idos de 1975 (tomando por base este ano), ingressava-se no magistério, esperando nomeação, pelo Diário Oficial, mais ou menos uns 6 meses, até que toda documentação fosse devidamente examinada. Correto. O Estado ainda era Mato Grosso, tendo com Capital Cuiabá....
Só que nos meses da espera o pagamento ainda não saía... Lá se foram seis meses, sem receber... E a vida corria. Comia-se. Pagava-se aluguel. Médico. Remédios... E a vida seguia... E a inflação seguia, correndo mais ainda...
Época das cadernetas, no comércio de maneira geral.
Tudo bem diferente. Talões de cheque nas formas admissíveis do mercado financeiro...
Famílias no sustento até que o salário fosse devidamente depositado. E o tempo passando e os anos correndo... Né?
Orações, preces e rezas, em curso para que o mesmo chegasse integral e não fatiado.
Quinto dia útil não existia (preocupações, apenas com as contas, que não chegassem aos quintos dos infernos ( expressão ”originada no Brasil Colônia referente ao imposto de 20% do ouro”)... Atrasos salariais...
Inflação já se apresentava e também a crise do petróleo...
Pensando e pensando... Nos maiores salários do Brasil...
Anos que corriam... Seis meses mais ou menos sem receber...
Cruzado... Cruzeiro... Cruzado novo... Plano real...Tira zero, bota zero... Idos mais ou menos de 1989... Né? Lógico, com o famoso gatilho salarial (idos 1986)... Reajustes de acordo com inflação... Só para refrescar lembranças pedagógicas, didáticas e metodológicas... E econômicas mais ainda financeiras...
E a vida seguia ... E as contas chegavam... Cheques pré-datados... Preocupações com atrasos salariais... E os anos se passavam. E a Inflação, também correndo e os preços aumentando...
E o tempo que corria. Urrava. Uivava. E rugia...
E as greves sentenciavam reposições com o famoso 50% mais um (para a presença dos alunos em sala de aula)... Antes mesmo das do início das greves...
E o professor nos intermináveis sábados das famigeradas reposições!
Até empréstimos bancários foram realizados para receber nosso próprio salário? Pensem!
Sem contar com o famoso também existente índice zero (anos anteriores) de aumento no salário dos professores. Não se tem certeza que este índice aconteceu... Mas por via das dúvidas convém lembrar. Só para lembrar.
Diante do exposto pergunta-se: Houve luta? Sim, houve. Também dos professores que ministravam suas aulas. Estavam em sala!
Bem, na atualidade, os famosos 14% tirado do salário de cada funcionário púbico, até dos aposentados...
Na ativa não tinha sido pago?
Mas e os percentuais do governo federal? Como estão?
Entretanto aí vem a palavra mágica: contingência: “Que pode ou não suceder, incerto, indeterminado.” Complementando: contingenciar:”Impor o governo, limite ou cota a (liberação de verba orçamentária, importação de certas mercadorias etc.)” página:195 Mini
Aurélio Buarque de Holanda.
Contingência. Contingenciar? Só para salários?
Mas no País com Orçamento Secreto, Verba Partidária, Verbas de Gabinetes, Diárias interessantes, economiza-se apenas nos salários?
Então importante refletir sobre fatos acontecidos para se concluir a respeito dos salários e aumentos, neste País tão desigual.
E para maior reflexão um pequeno trecho de um texto cujo título é:
“ Que Fazer Do Relógio”
“... o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima do invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro. O tempo é mais que coisa, coisa capaz de linguagem, e que ao passar vai expressando as formas que tem de passar-se.”
(Texto –Montagem com fragmentos de
Machado-Drummond-João Cabral-Guimarães Rosa )
(LITERATURA BRASILEIRA EM CURSO)
Eis aí, então o passado da vida do professor da escola pública estadual ( tido, hoje detentor de um dos maiores salários do Brasil diante de tantas perdas e danos. )
Uns e outros assim o dizem...
O tudo é pouco e bem pouco!
Maria de Lourdes Medeiros Bruno
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