X
Raquel Anderson

22 de Março!

Compartilhe:

A-

A+

O silêncio gélido tudo emudeceu, sem graça e sem poesia, a gaveta trancada, a resistência que não vale mais nada, o endereço, que endereço?? Tudo é incerto, só a dor é precisa, os olhos encharcados, o peito dilacerado, a vida agora passa em câmera lenta, a moça caminhava às margens do rio de águas turvas, a mata ciliar rasteira, tal qual era agora, rasteiro o olhar, a estatura do brio humano, a mata rasteira como uma grama verde oliva farta para enfatizar que o jeep e fardas que passavam ao lado enverdejavam tudo, com armas em punho, até os carros verdes pareciam ter voz, atitudes imponentes.
 
A moça caminhava desolada às margens do rio, ela sabia que o percurso tinha exatos vinte e cinco quilômetros, estava amanhecendo, a mata ciliar, molhada pela relva nessa época, meio do outono, fazia um friozinho para mostrar que os tempos seriam frios no clima e na alma.

O medo fez com que a moça não soubesse o que fazer com as mãos, se dava socos no ar, se cruzava os braços ou os abria ao vento clamando por um futuro que a agarrasse pelas mãos, ela estava atordoada e machucada, saíra dos escombros do castelo da esperança que acabava de ruir, cujos estragos eram infinitamente maiores que quaisquer catástrofes ambientais.

E ela caminhava às margens do rio, era nítida a imagem, é a história de uma pessoa que acreditou num país, que sonhou, ingenuamente, com igualdades, que não tinha maldades, respirava o ar da graça, a graça dos jovens, a graça de quem saboreia uma canção, a graça de quem devora poemas e poesias, a graça de quem apaixona-se por um livro, a graça de quem carrega flores porque tem um jardim na alma e um espelho no olhar, a graça de quem compõe versos que exalam sua intimidade, a graça de quem vê pássaros dentro das flautas, a graça toda que agora queria ser sem graça, aquela jovem mulher caminhando cabisbaixa, por um minuto ergueu a cabeça e viu as folhas esvoaçantes do outono, imaginou que fossem folhas de papel com inúmeras letras a bailar, acomodando as palavras e formando pares dançantes entre o amor e a poesia,a entrega e o horizonte,a força e a união.

Aos poucos o vento da manhã e a metáfora proporcionada pelas folhas outonais batem no rosto da moça caminhante e ela é esbofeteada pelas possibilidades que vislumbrou através das folhas, os medos deram lugar a paixão e ela se entregou a superação da dor do cotidiano que se mantém firme aos movimentos pesados e leves, as folhas do outono foram utilizadas para escrever porque os poetas são assim, escrevem histórias, sonhos, o passado, muitas vezes diferente na memória, abrem as porteiras da nostalgia, descansam sobre os papéis e caminham com as ilusões e a fé de que o mundo pode ser mais delicado.

A moça ficou às margens do rio catando as folhas para escrever a história do seu país, o país que está nas mentes de quem doa sonhos.... 

*Foi mais ou menos assim o meu sonho a noite passada.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Eleições 2026

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Eleições 2026

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo