Animação rolava solta, bailão, festança pantaneira das boas....
Autenticidades se sobressaiam, sempre, justamente porque legitimam a verdade, o caráter genuíno, puro, natural
Nesse cenário, Oswaldão transitava faceiro, à vontade, ali era a sua praia, zanzava pra lá e pra cá, tudo observava...feliz de quem estivesse por perto para ouvir uma de suas tiradas....
Com sua postura elegante resolveu dançar, apelidou sua dama de "corotinho de pinga", baixinha e pesada, mas ele dava um jeito e a conduzia no salão, com o seu performático passo 2X1 que sua dama tinha dificuldades em acompanhar, contudo, ela estampava seu belo sorriso e profundo bom humor e assim bailavam ao som de maravilhosos chamamés e polcas paraguaias.
Salão cheio, apertado, entre cotoveladas, esbarara/esbarra, trombadas e bundadas, todos dançavam e se divertiam.
Muito chique se trajava a dama do Oswaldão para a ocasião, o vestido chemise com scarpin pediam o uso de meias finas, apesar do calor pantaneiro e assim, ela, esforçando-se para apresentar uma performance elegante na dança, sorria e se deixava levar pelo seu imponente cavalheiro até que, num lapso de distração, ao lado do nobre casal, dançava um sujeito, serelepe, com botas de bico fino (bota estilo country), o dançarino, desajeitado, deu uma bicuda no tornozelo da dama do Oswaldão, desequilibrando-a, ela disfarça e segue dançando,pois para a felicidade do sujeito em questão o Oswaldão não percebeu tal façanha, mas, no momento seguinte,a dama sente o sangue escorrer quente nos seus pés e pede uma pausa para ir ao banheiro, lá, tira as meias e detecta que sua grande verruga, antiga, foi decepada pelo bico da bota do dançarino sem compostura, fato que a fez sentir-se incomodada e traumatizada todas as vezes que cruzava pelo tal rapaz na cidade, anos e anos após esse feito.
O belo "corotinho de pinga" utilizou os medicamentos de primeiros socorros disponibilizados no banheiro e voltou para o salão como se nada tivesse acontecido, Oswaldão encontrava-se proseando numa roda onde todos davam gargalhadas, era o momento de intervalo no baile e ele dizia:
-Fulano é mesmo um boca de burro, porra!!!
-É um animar!
-Ele dança todos os ritmos do mesmo jeito, no mesmo passo, na mesma toada!!
-Quá!!! Coitada da Chica véia!! (dama do fulano)
-Cêis pode olhá, tudo ele dança do mesmo jeito, pode ser samba, varsa, bolero, porca, lenta, "fuk truk" (foxtrot: dança de salão de origem americana do início do séc XX, em compasso quaternário combina passos lentos e passos rápidos alternados) pra ele é tudo igualzinho, quá!!!
Então ele vira-se para sua dama:
-Demorô no miquitório, heim?!
-Lembrei da piada dos bugrinhos agora, no baile, hahaha!!
-Vou contar essa:
-Haviam dois bugrinhos no baile,doidos pra dançar, estavam envergonhados, cobiçavam duas bugrinhas do outro lado do salão, um dizia para o outro: "Vai lá, tira a coisinha pra dançar!"
-Vai você, to com vergonha!!
-Ô côrno, esse!!
Até que eles se encorajaram e foram até as bugrinhas, quando se aproximavam uma delas saiu...
-Um deles disse:
-"Vamo dançá?!"
E ela respondeu:
-"Num posso, to c unha encravada!"
-Dança c Maria!!
-Onde tá ela?
-Foi ali, na banheiro!!
-Será que vai demorá??
-Num sei, acho que não, já saiu daqui peidando!!!!