Trabalhadores olhados de soslaio
Desigualdades amontoadas no mesmo balaio
Dores laborais do mundo, afogo-me, desmaio
Há homens caídos no chão...
Adoeça-nos, vasto mundo, tira-nos o pão
Cesse a força que nos mantém, derruba-nos, ó sofreguidão
O sonho do trabalhador é utopia, torpor
Destino cruel nos incumbiu um certo doutor
Nascer pobre, trabalhador, agruras e muita dor
Que a dor na hora da morte não nos seja indiferente
A hora da igualdade forçada, todos morrerão igualmente
Trabalho pela a família, diariamente, força e garra na mente
Tropeçou na vida servil, limpou privada, sorriu sem dente
Arrebatou meu coração, me mostrou seu sorriso de gengiva
Esbofeteou a minha cara, me ensinou a simplicidade da vida
Alegra-se com pouco, trabalhador, nem pede guarida
Seus dias... operário, muita entrega e pouco salário
Sua proteção é o seu suor, esperança e um relicário
Homens e mulheres necessários para cumprir horários
Que esse momento de lágrimas que molha as letras
Ensope as esperanças e alimente a força laboral
Permita que tenhas mais força, outra força, a força cerebral
Para lutar por direitos, surrupiados por covardes, maldade descomunal
E que o amanhã seja melhor, tenhamos outros maios, direitos preservados, humanidades, trabalho ideal!
(Raquel Anderson)