Raquel Anderson
Publicado em 18/12/2017 às 23:45
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Nada peço, nasce, naturalmente, do meu útero, girassóis em explosões vaginais
E a roupa usada, quarada, lambe a grama, esquento o orvalho, amarela a pele
A sensualidade do espaço existente entre a bacia e a cintura acentuam a curva...
As peças ensopadas escorrem... o líquido remete ao gozo desesperado
O barulho da roupa batida, que as letras não sabem traduzir, esguicham neblinas
Os raios solares, atentos, tremulam as imagens, faíscam, percorrem a cena...
Esticados, em cores desarmônicas, tecidos revelam a condição nenhuma de ser
Panos de bunda, de prato, de cama, de chão, panos de algodão, de secar a mão
Panos de cobrir o corpo, da rede para deitar, pano esticado no ombro da mãe
A taquara alteia o arame, cutuca a roupa, feito mastro, ergue a bandeira da vestimenta
Esqueço o tempo, deixo esturricar tecidos, a cara franzida engruvinha a pele ressequida, panos amarrotados
A vida amassada pede o ferro quente e a taquara, derrubada, aloita com o chão
O ferro de brasa gangorreia o tição vermelho e vomita cinzas
A gaveta é o ventre pronto para parir e perder a cria
O suor e a sujeira são as sentenças da fazenda encardida
O retorno da sensualidade da bacia, quando caminho, ergue um pedaço do tecido do meu vestido
Estendo ainda, papéis escritos, homens lidos, gentes datadas
Não forro a grama, estico as roupas da vida e não quero desencardir tudo
Limpo o fundo do ferro com a vela até arreganhar o pavio
Passo a roupa da vida no ferro em brasas que a vela tentou limpar
Loterias
Bilhetes foram registrados em Campo Grande e Corguinho; estado ainda teve 32 quadras espalhadas por 17 municípios
Oportunidades
Oportunidades contemplam vagas locais e regionais; atendimento ocorre das 07h às 13h
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