Raquel Anderson
Raquel Anderson
Publicado em 04/04/2020 às 20:47
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Diário de um tempo de Pandemia III
Como as pulseiras, a tirilintar, nos braços de Maria Bethânia, com movimentos que pretendem ser suaves, com "uma vida que parece muito calma, têm segredos que eu não posso revelar, escondidos bem no fundo de minh'alma, não transparecem, nem sequer, em um olhar..."
Parece que estamos, ainda, a rasgar o ventre de nossas mães ou estamos prestes a rasgar os nossos ventres ou, segurando uma ejaculação, seguimos numa espécie de espera, em tempos de coronavírus, uma espécie de espera de gozo, de regozijos...
Regozijos pela vida, por um dia, uns dias, que e há e hão de vir... a nos reunir...
Não há mais zonas abertas, as casas estão fechadas, a mulher, pronta, é a nossa, é a sua, sou eu!
Mulheres, antes ignoradas, são, agora, contempladas, somos...
Prontos estamos?
Para quê?
Para o abrir, impetuoso, dos bretes, o escancarar das portas, da vida, das baladas, da "!iberdade..."
E o que é isso?
É a vida pedindo calmaria, gratidão, contentamento pelo o que nós temos, pelo o que somos...
É calmaria para além da Pandemia...
É afago, é diálogo com o seu homem ou com a sua mulher...
É atenção ao seu filho, é interesse pela sua família
É vigília residencial, presencial, noite e dia
É medo do resto do mundo, é, agora, a casa, o seu lugar mais fecundo
O seu bicho, lhe ensinando, com capricho, o que é cuidado e amor!
E você na internet, no seu televisor, aprendendo, mundo afora, agora, o que é perda, o que é dor...
Que vão além da economia...
É emoção, empatia...
Cemitérios lotados...hospitais abarrotados
Dor, torpor, Amor!
Raquel Anderson
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