Raquel Anderson
Publicado em 10/10/2022 às 19:07
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Em pouco mais de cinco meses, imersões diárias nos levaram e nos lavaram nas profundezas do rio, com arrepio, dos pêlos dos braços, da nuca, das pernas. Emoções que esfriaram e esquentaram os pés, as mãos, aqueceram e aceleraram os nossos corações.
Mais do que a tecnologia, agora, pôde e pode fazer e alcançar com a utilização de drones e das câmeras, muito mais sofisticadas, por exemplo, foi possível, verdadeiramente, voltar no tempo e sentir os cheiros, ouvir os grunhidos, o falar pantaneiro, ainda que o sotaque não tenha sido fiel, remeteu, adoravelmente, aos nossos trejeitos e falou de um jeito poético de Aquidauana, sobre Aquidauana.
Larga mão! Tantas vezes sem um contexto preciso, sei lá...
Estivemos ali e nos vimos, nos identificamos.
O peão, paramentado, sensual, como só uma mulher pantaneira enxerga, sente e lê os seus movimentos no tirilintar de sua indumentária, no barulho da espora, do chacoalhar do rabicho, do rabo de tatu e do estalar do pirainho, foi um abraço cheio de saudade e tesão.
A exuberância entranhou-se com a possibilidade real de mostrar a autenticidade, a ingenuidade e a bondade do povo pantaneiro.
A lida diária na fazenda, as prosas de galpão e as noites enluaradas no terreiro pantaneiro com fogo e carne assada no chão,causos de onças, risadas boa música e dança, retrataram a união, a nossa inesquecível comunhão.
Câmbio! Pantanar na escuta!
Na lembrança, eterna, das Jumas que fomos, das Filós que seremos, das Gutas que sensualizamos, das Marias Bruacas que conhecemos ou somos... das Marias Baratas, das Zezés, Yolandas, Dodôs, Nilzas, Ivones e todas as maravilhosas mulheres pantaneiras.
Os gestos respeitosos, com chapéu na mão, os mistérios pantaneiros que nos arregalam os olhos, nos silenciam, sempre, por fora e por dentro porque, além do enredo, das imagens, vive, em nós, um Pantanal que ecoa, silentemente, os sons brejeiros e guarda lendas, encanta e conta que Zé Lenoncios, Tiberios, Tadeus, Joventinos, Deodatos, Altinos, Haroldos, Oswaldos, Mários de Oliveira e tantos e tantos outros pantaneiros revisitaram os repertórios das nossas saudades, das referências e lembranças... banharam e salgaram nossas faces, o cupim oreado, afagaram nossas memórias... só um Pantaneiro sabe, quando "os óio dos bichos, são os olhos de quem ama...Pois a natureza é isso: sem medo, nem dó, nem drama."
Ter visto, mais de uma vez, a imagem e o som do arcordeon do Marcelus Anderson, na novela, foi arrebatador... trouxe a história, a vida, o amor.
Ter visto o Almir e o Gabriel Sater foi delirante, arrepiante, emocionante, apaixonador.
É preciso encerrar o texto, como? O Pantanal mora na poesia que nunca termina.
Pantanar, prossigo, câmbio
Pantanar, câmbio, não desligo!
Toque o berrante, Johny Medeiros.
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