Cinco anos, cinco dias, aqui, com o pensamento lento e a chuva mansa para a palavra florir.
Cinco anos, cinco dias aqui, para, docemente, ver, viver , escrever e ouvir:
O que é isso aqui? Eu tomei um susto, quando vi a tenda pensei que fosse, novamente, Covid!
Não, amigo, é tenda da Poesia para melhorar o seu dia!
Eu estou aqui, tem mais de vinte dias, minha filha, adolescente, está na UTI e eu fico por aqui, o dia inteiro, mesmo sabendo que a visita na UTI tem a duração de meia hora!
Então, sente-se aqui, a esperança, realmente, fica, mora em nós, não vai embora, vou lhe escrever Poesia, agora.
Eu vim me despedir do meu tio, ele está nos cuidados Paliativos...
Posso, com Poesia, afagar a sua alma, tenho mil motivos...
Tia, eu tô cor dor no pipi, onde tem florzinha por aqui? Quero catar uma pra você...
Eu acabei de sair da quimioterapia, passei aqui pra receber Poesia
Saí da infusão agora, quero a paz dessa tenda, que a vida melhora.
Eu estou com a minha filha na UTI Pediátrica, muito grave, uma enfermeira me aconselhou a vir aqui, pra você escrever para mim.
Se achegue, me de um abraço, dessa energia, transformarei o contato em laço poético, com o desejo profético, de que ela se restabeleça e que a Poesia o aqueça.
E vieram todos! Muitos com a unanimidade da esperança no olhar...
Pacientes, acompanhantes, pacientemente, presentes, amigos de fora, colegas colaboradores, jardineiros, guardas, enfermeiros, recepcionistas, doutores, para receber Poesia, para nós nos abraçarmos, celebrarmos a vida, a lindeza da nossa empatia, o amor e toda nossa sintonia da família CASSEMS.
Se você ainda não veio, aqui estou, há cinco anos, cinco dias, venha para a tenda Jardim da Poesia, hoje é o último dia dessa imersão na natureza que nos contagia.
Em nome do projeto A Literatura Cura, parabenizo todos os médicos, em especial os médicos do hospital CASSEMS pelo Dia que os reverência.