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Robinson L Araujo

A VERDADE DO AMOR DEPENDE DE TOTAL AUTOESVAZIAMENTO - 1

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Vive-se tempos difíceis, onde o egocentrismo tem tomando conta de pensamentos e atitudes, não sendo diferente em nossas igrejas. O amor a base de trocas por interesses pessoais, influências e materiais têm levado a uma banalização do Evangelho de Jesus Cristo.

Não podemos viver preso a aquilo que o mundo nos oferece. A Igreja na atualidade, deve contrariar todas as facilidades oferecidas pelo sistema mundano se quiser fazer a diferença em tempos atuais.

Deixar a busca do bem próprio tendo como desafio o bem comum, nos levam a reflexão do que Jesus quer, quando somos levados a vivermos a VERDADE e convocados a nos esvaziarmos de nossos interesses, sendo a essência do Evangelho.

 

1. UMA ATITUDE CONTRA OS INTERESSES PESSOAIS

Quando Jesus chega ao templo, é decepcionado pela ambição do homem, em levar proveito até nas coisas de DEUS, Seu Pai, sendo levado a reprimi-los. Vejamos o que João 2:13-18 nos fala:

A festa da Páscoa, celebrada pelos judeus na primavera, estava para acontecer, e Jesus viajou para Jerusalém. Ele encontrou o templo infestado de vendedores de gado, ovelhas e pombas. Os agiotas também estavam ali, trabalhando a todo vapor. Jesus fez um chicote com tiras de couro e os expulsou do templo. O gado e as ovelhas fugiram. Ele virou a mesa dos agiotas, e as moedas rolaram para todo o lado. Aos vendedores de pombas, Ele ordenou: "Peguem suas coisas e caiam fora daqui! Não transformem a casa de meu Pai em!". Foi nessa hora que os discípulos  se lembraram de um texto das Escrituras: "O zelo pela Tua casa me consome".

Neste texto, temos o Cordeiro submisso de DEUS, opostamente ao descrito em Mateus 11:29, que diz: "Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, porque Sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossas almas". Ele acaba expressando de forma ríspida que: "vocês não vão transformar um espaço sagrado num passeio de consumo! Deixem de ser mentirosos! Visitar o templo deve ser um sinal de respeito ao Meu Pai e não uma forma de comercializar ou passear na busca do prazer que gera sacrifícios".

Quanto a atitude que Jesus tomou nessa hora, Manning (2007, p.15) esclarece:

O mais desconcertante é o amor intenso de Jesus pela verdade. Onde o dinheiro, o poder e o prazer mandam, o corpo da verdade sangra de mil feridas. Muitos de nós temos mantidos a nós mesmos por tanto tempo que nossas confortantes ilusões e justificativas assumiram uma aura de verdade; nós as apertamos em nosso peito como uma criança aperta um ursinho favorito.

Naquele tempo, existia a necessidade de sacrifícios pelos pecados. Isso era normal! Porém, quando Cristo chega ao Templo e visualiza, dentro de uma regra sacrificial, as pessoas se aproveitando para conseguirem proveitos próprios. Tanto os mercadores, quanto aqueles que deveriam trazer a oferta que deixavam de lado a oportunidade de se esforçarem para levar a oferta pelo pecado e aproveitavam a facilidade dos mercadores. Outro fato é que, caso não tivessem o dinheiro, poderiam se utilizar dos agiotas no empréstimo de dinheiro para a compra do animal ou pelo meio do "escambo" - a troca de outras mercadorias pelo animal. Fato esse que não gerava compromisso em trazer a oferta, banalizando o mandamento de DEUS.

Hoje em dia, as coisas não estão muito diferentes daquela época não. Manning  (2007, p. 16), ainda nos afirma:

A questão dolorosa que enfrentamos hoje em nossas igrejas é se o amor de DEUS pode ser comprado de forma tão barata. O primeiro passo na busca da verdade não é a resolução moral de evitar o hábito da mentirinha - por mais desagradável que uma deformação de caráter possa ser. Não se trata de uma decisão sobre deixar de enganar os outros, e sim da decisão de parar de nos enganar.

A quem achamos que enganamos com nossas "mentiras cristãs?" A DEUS? A nós mesmos? As pessoas que estão a nossa volta? A resposta é: NÃO. Não temos como enganar a DEUS e nem a nós, talvez a pessoa que esteja a nossa volta e não possui uma comunhão íntima conosco. Nossas palavras devem estar acompanhadas de nossas atitudes.

Manning (2007) ainda nos afirma que a menos que tenhamos a mesma paixão inexorável pela verdade que Jesus demonstrou no templo, estamos destruindo nossa fé, traindo o Senhor e nos enganando. O autoengano é inimigo da integridade, pois ficamos impedidos de nos ver como realmente somos. Ele encobre nossa falta de crescimento no Espírito da verdade, impedindo-nos de compreender nossa real personalidade.

É preciso que reconheçamos a necessidade de mudanças e que também cometemos nossos erros, caso contrário, não poderemos encontrar a verdade do DEUS vivo até enfrentarmos a realidade de nosso erro. Quando entendemos a estreita relação entre a busca da verdade e a conversão do coração, descobrimos uma das maiores realidades da essência da Bíblia de que, o contrário de termos uma vida em verdade, é termos uma vida de mentiras.

No evangelhos de João, o mentiroso obstinadamente recusa-se a ver a luz e a verdade e mergulha nas trevas. Lembre-se sempre: "o Diabo é o pai da mentira, Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou a verdade. Quando mente, fala da sua própria linguagem, pois é mentiroso e pai da mentira". (João 8:44).

O diabo é um grande ilusionista, incitando as pessoas a  dar mais importância ao que não têm importância, desviando a nossa atenção do que é insuperavelmente verdadeiro. I João 1:8, nos afirma: "Se afirmarmos que estamos livres do pecado, estaremos apenas enganando a nós mesmos. Uma declaração dessas é um erro absurdo".

Vejamos o que Manning (2007, p. 24), nos afirma com veemência:

O conflito entre o pai das mentiras e a verdade, que é Jesus Cristo, permeia todo o evangelho de João. O Senhor não somente derrotou o mentiroso, mas nos deu parte de Sua vitória através do Espírito Santo: a exaltação de Jesus Cristo na cruz liberta o Espírito. O Espírito nos capacita a derrotarmos a mentira, o autoengano e a desonestidade; nos torna agradáveis para a verdade de DEUS e nos leva a experimentar as realidades eternas.

Romanos 5:5 ainda nos complementa: "Ora, a esperança não confunde, porque o amor de DEUS é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado".

 

2. O QUE DEVE SER REAL EM NOSSA VIDA CRISTÃ

O que deve ser verdadeiramente real para o cristão é a importância de DEUS para sua vida, dando a sua mente a exuberância da verdade, dando às coisas a devida importância que elas têm na realidade. Porém, nada é mais importante do que a salvação de uma vida para o Senhor.

Fica claro para nós o exemplo que Paulo nos dá sobre Jesus Cristo, descrito em Filipenses 2:5-8, que nos diz:

Tentem pensar como Cristo Jesus pensava. Mesmo em condição de igualdade com DEUS, Jesus nunca pensou em tirar proveito dessa condição, de modo algum. Quando Sua hora chegou, Ele deixou de lado os privilégios da divindade e assumiu a condição de escravo, tornando-se humano! E, depois disso, permaneceu humano. Foi Sua hora de humilhação. Ele não exigiu privilégios especiais, mas viveu uma vida abnegada e obediente, tendo também uma morte abnegada e obediente - e da pior forma: a crucificação.

Percebe-se em nossos dias que para uma maioria das pessoas, o mais real é o mundo da existência material, sendo o mundo de DEUS o mais irreal. O que mais importa são as pessoas influentes que nos cercam; as pessoas que se aproveitam das coisas e meios para a busca de seus interesses próprios; pessoas que dirigem o próprio destino. Dá-se a entender que o poderoso é o que faz coisas, não os que estão aquebrantados e carentes.

Não cabe mais para nós cristãos nadarmos a favor da correnteza, mantendo uma boa dianteira. O custo de sermos discípulos de Jesus Cristo é alto. Não existe um Pentecostes barato, as pessoas devem confiar que em nós, o único interesse que temos para com elas é que se arrependam de seus pecados e sejam salvas, passando a viver uma vida em comunidade e cuidado de uns para com os outros.

Não podemos deixar de mencionar o que Atos 2: 42-47 que nos afirma:

Elas passaram a seguir o ensino dos apóstolos, a vida em comunidade, a refeição comunitária, e a prática da oração. Todos ficaram perplexos com os sinais e maravilhas realizados por meio dos apóstolos! Os crentes viviam numa harmonia maravilhosa e tinham tudo em comum. Vendiam o que possuíam e deixavam os recursos à disposição para atender às necessidades de quem precisasse. Eles seguiam uma disciplina diária de cultos no templo, seguidos de refeições nas casas. Cada refeição era uma celebração vibrante e alegre, com muito louvor a DEUS. O povo da cidade apreciava o que via. Todos os dias, o número deles aumentava, e DEUS acrescentava os que iam sendo salvos. (grifo do autor).

Nossa insípida reação à realidade é ainda menos entusiasmada quando nos deparamos com Jesus Cristo e analisamos o modelo de vida cristã. Embora sejamos confrontados com uma moral tão sublime e exigente que parece totalmente impossível, não ficamos impressionados pelo estilo de vida que Cristo nos apresentou. Ele nos orienta que o padrão de estilo de vida do cristão deve ser o Ágape. João 15:13 nos deixa claro: "Dêem a vida pelos amigos". Quando nos doamos as pessoas, verdadeiramente demonstramos que amamos a Ele, conforme o v. 14: 'Vocês mostram que são meus amigos quando fazem o que mando".

 

Continua...

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