dothCom Consultoria Digital
Publicado em 27/04/2018 às 00:16
Atualizado em 10/09/2026 às 12:06
Continuando...
3. VIVENDO O KENOSIS
Jesus nos dá a referência desse amor Ágape. Podemos afirmar que é um amor incondicional, um amor que não exige trocas, um amor de total autoesvaziamento para com o próximo.
Jesus nos adverte severamente: "Deixem-me dar a vocês um novo mandamento: amem uns aos outros, assim como amei vocês, amem uns aos outros" (João 13:34). Essa é a única prova que temos como mostrar que amamos ao Senhor e somos seus discípulos, conforme o versículo subsequente que nos fala: "Dessa maneira todos vão reconhecer que vocês são Meus discípulos, quando virem em vocês o amor que vocês têm uns pelos outros".
Ainda podemos citar alguns textos bíblicos que demonstram a diferença em pertencer ao Senhorio de Jesus Cristo e as minhas vontades. Mateus 5:39-42, nos fala:
Aqui esta o que proponho: Não revide, de jeito nenhum. Se alguém bater no seu rosto, ofereça-lhe o outro lado. Se alguém o levar ao tribunal e exigir sua camisa, embrulhe para presente o seu melhor casaco e entregue-o a ele. Se alguém se aproveitar de você para levar vantagens injustamente, aproveite a ocasião para praticar a vida de servo. Nada de pagar na mesma moeda. Viva generosamente.
Como cristãos, não podemos por em prática o código de Hamurabi[1]. A vida cristã é uma vida de recusa a nossos interesses particulares e os interesses de vingança. A verdade do autoesvaziar esta intrinsecamente relacionada ao amor que DEUS nos propiciou, pois sem merecimento, em virtude de nossos pecados, Ele se entregou sem olhar para nossos pecados, caso contrário, não teríamos como herdar a salvação. Mateus 5:29-30, nos afirma:
Não finjam que isso é fácil. Se querem viver uma vida moralmente pura, façam o seguinte: ceguem o olho direito assim que o apanhar em um olhar malicioso. É preciso escolher entre viver com um olho só ou sofrer o juízo de ser lançado num depósito de lixo moral. Se for preciso, ampute a mão direita para que ela não se erga contra ninguém. É melhor ter um membro amputado que sofrer o juízo de ter o corpo inteiro jogado no lixo.
Como a própria Palavra nos afirma, não é fácil levarmos uma vida de autoesvaziamento de nosso "eu" em detrimento de nosso próximo, ao ponto de até mesmo nos lesarmos para deixarmos nossas paixões e desejos de lado. Mateus 5:11-12, ainda nos adverte:
E isso não é tudo. Considerem-se abençoados sempre que forem agredidos, expulsos ou caluniados para me desacreditar. Isso significa que a verdade está perto de vocês o suficiente para os consolar - consolo que os outros não têm. Alegrem-se quando isso acontecer. Comemorem, porque, ainda que eles não gostem disso, Eu gosto! E os céus aplaudem, pois sabem que vocês estão em boa companhia. Meus profetas e minhas testemunhas sempre enfrentaram essa mesma dificuldade.
Acredito que esta palavra contrapõe o Evangelho anunciado em nossos dias atuais, onde as pessoas oferecem as bênçãos prometidas e de facilidades, deixando de falar que a vida cristã é uma vida de dedicação e cruz, representada pela morte de nosso eu.
Ainda em Mateus 10:34 nos adverte: "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas sim a espada". Engano nosso em acharmos que a vida cristã é um mar de rosas, onde o Senhor está de ouvidos atentos para receber todos os nossos pedidos e como um "servo", fazer todas as nossas vontades carnais. Michel Quoist[2] afirma:
Estamos satisfeitos com nossa vidinha decente. Estamos contentes com nossos bons hábitos: nós os tomamos por virtudes. Estamos contentes com nossos pequenos esforços: nós os tomamos por progresso. Estamos orgulhosos de nossas atividades: elas nos fazem pensar que estamos nos doando. Estamos impressionados com nossa influência: imaginamos que ela transformará vidas. Estamos orgulhosos do que damos, entretanto ocultamos o que retemos. Podemos até mesmo estar confundindo um conjunto de egoísmos coincidentes com verdadeira amizade.
É preciso que tenhamos convicção de que:
Quando, como cristãos sinceros, abrimos e começamos a participar da vida proposta por Jesus - uma vida de constante oração e total desinteresse, uma vida de bondade alegre e produtiva e de uma pureza de coração que vai além da castidade para efetuar cada faceta da nossa personalidade - nosso sentimento de temor e perplexidade pode rapidamente azedar em ceticismo e pessimismo. (MANNING, 2007, p. 30).
Verdade que a ética cristã em nossos dias tornou-se impraticável, principalmente em tempos onde a corrupção tem nos assolados de passos largos. Parece que as pessoas não se interessam mais por elas, sendo assim impossível de se praticar e irrelevante. Parece que o que Jesus Cristo falou e demonstrou está associado somente aquela época e tentamos adequar a Sua palavra para nossos interesses do mundo moderno, a um mundo capitalista que pensa somente em seus interesses. O que mais preocupa é que a igreja tem se conformado com essas situações.
Devemos entender que nós recebemos a determinação do próprio DEUS em representarmos e anunciarmos a era Messiânica em que vivemos, conforme Lucas 3:15 fala: "O povo, então, começou prestar mais atenção ao pregador. Eles se perguntavam: 'Será que João é o Messias?'". Em Lucas 7:22, Jesus fala aos discípulos enviados por João: "Voltem e digam a João o que vocês acabaram de ver e ouvir: Os cegos veem, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os marginalizados da terra ficam sabendo que DEUS está do lado deles".
Categórica é a afirmação de (Manning, 2007, p. 32) que nos assevera:
Todas as estruturas da igreja devem revelar a marca do amor de Cristo dedicado aos pobres. Ao ignorar essa árdua sentença, a própria igreja se torna empobrecida, assim como bem pouco confiável e bem pouco convincente para pregar o evangelho com clareza e visão, e também infantilmente presa às quinquilharias da reputação, às conversas vazias da diplomacia, aos favores degradantes dos ricos, à idolatria das estruturas e à posição de proeminência.
Leva-nos a pensar o que temos feito em nossas estruturas intituladas de "igrejas" ou melhor, nossos "templos". O nosso discurso não tem agradado mais as pessoas, pois eles não estão sendo acompanhados pelas práticas. A palavra de DEUS nos afirma que: "Quando o corpo é separado do espírito, temos um cadáver. Tentem separar a fé das obras. O resultado será o mesmo: apenas um cadáver!" (Tiago 2:26).
Porém, cabe ressaltarmos que jamais seremos pessoas perfeitas, que conseguiremos por em prática todas as ordenanças que Jesus nos deixou, seria uma utopia acharmos que nunca erraremos. Sim, nós falharemos no processo. O que é importante é que reconheçamos a nossa falha.
Cntinua...
[1] É um conjunto de leis criadas na Mesopotâmia, por volta do século XVIII a.C, pelo rei Hamurabi da primeira dinastia babilônica. O código é baseado na lei de talião, “olho por olho, dente por dente”.
[2] Michel Quoist foi um presbítero e escritor francês. Como missionário no exterior, fez parte do comitê episcopal da Igreja Católica, na América Latina
Eleições 2026
Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região
Eleições 2026
Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades
Voltar ao topo