Ao longo dos anos tem sido notável a desvalorização do profissional que milita no rádio. Este ?fenômeno é mais gritante nas cidades interioranas, embora a história revele que grandes nomes do rádio e da TV surgiram nos pequenos municípios. Aquidauana é um dos exemplos. Basta sintonizar emissoras de Campo Grande e lá estão vozes de Aquidauanenses espalhando informação e entretenimento.
Mas, nos últimos anos tem sido preocupante o rumo em que este importante segmento da comunicação tem tomado. No início deste ano resolvi agrupar e compartilhar com amigos do rádio algumas dicas que tenho observado e aprendido desde 1992, ano em que ingressei no rádio em Aquidauana.
Neste período vi e ouvi muitas coisas interessantes, boas e outras nem tanto. Apesar de não ter sido privilegiado de fazer parte da geração de profissionais do rádio dos anos 1970 e 1980, tenho a satisfação em ler e ouvir depoimentos de colegas da comunicação aquidauanense. Os contos e a história revelam o que mais aprecio: Aquidauana sempre foi um celeiro de ótimos e respeitados comunicadores.
Contudo, infelizmente, nem sempre o trabalhador que faz o rádio ser este veículo mais rápido na informação, mesmo com o advento das novas tecnologias, tem sido valorizado profissionalmente. Ele consegue mexer com a opinião pública, conquista audiência e anúncios publicitários, mas tem pouco, ou nenhum, incentivo para investimento em seu crescimento intelectual. Para sobreviver com a remuneração que recebe é necessário ser comunicador/vendedor de publicidade.
Na maioria dos casos, o conhecimento empírico, dons e talentos fazem destes homens e mulheres verdadeiros heróis da comunicação, vez que com sua fala e postura conquista (ou não) a confiança da sociedade.
Preocupação
No início de nossas transmissões do campeonato Estadual de Futebol de MS, em 2011, encontrei, em uma das jornadas em Campo Grande, um experiente cronista esportivo que naquele momento não empunhava um microfone de rádio, pois transmitia o futebol para um site. Indagado sobre o motivo ele respondeu: ?falar em rádio de Campo Grande, de cada dez palavras nove têm de ter erros de português?.
O descrédito vive nos rondando por conta de nossos próprios erros. É lógico que qualquer pessoa tem o direito de se apaixonar pela profissão. Mas, há a necessidade de um mínimo de preparo a fim de lidar com o microfone. É óbvio que a linguagem no rádio tem de ser simples para que todos entendam. Porem, jamais chula. Exemplo é o telejornalismo que abraçou o jeito ?rádio? em seus noticiários.
Chacotas
Infelizmente, sem generalizar, atualmente o rádio tem servido de exemplo negativo no aspecto educação e cultura. Mas, nos últimos anos parece que a coisa fugiu do controle. De respeitada e admirada, a classe se tornou motivo de piadinhas e chacotas. Para valorizar a categoria é preciso, urgentemente, lutarmos por um padrão de postura no trato com a nossa tão sofrida língua portuguesa. Não queremos ?locutores-professores de português?. Para alavancar a valorização profissional é necessário começar por nós locutores, repórteres, técnicos, recepcionistas, vendedores de mídias, etc... Não podemos deixar a profissão radialista cair ainda mais no descrédito e permanecer com o tema central nas rodas de piadas.
Está na hora de virar o jogo. A história do rádio aquidauanense não merece. O primeiro passo para as abordagens e comentários com teor jornalísticos ganharem credibilidade é melhorar o português na hora da fala. Lembremos que a linguagem rebuscada (aquele português difícil) não cabe no radiojornalismo. Agora é só buscar algumas dicas e macetes e assim fugiremos dos erros mais comuns da língua portuguesa. Não vale a esfarrapada desculpa: ?eu falo a língua do povo?.
Ronaldo Regis é Jornalista e Radialista.
?Os contos e a história revelam o que mais aprecio: Aquidauana sempre foi um celeiro de ótimos e respeitados comunicadores?.
?Há a necessidade de um mínimo de preparo a fim de lidar com o microfone?.