Rosildo Barcellos
Publicado em 28/10/2018 às 17:25
Atualizado em 10/09/2026 às 12:06
A vida não é uma mera sucessão de fatos e acontecimentos. Então, numa dessas proveitosas conversas que tenho pelas estradas da vida, deparei com o amigo e assíduo leitor, Pedro Dias Miranda, conhecido como Sargento Miranda, que dedicou 27 anos de sua vida, dos 32 de carreira militar, a causas de proteção ao meio ambiente, sendo certamente um dos baluartes da Polícia Militar Ambiental, labutando por muito tempo, nas margens do Rio Miranda, num local conhecido com “21” distrito de Bonito/MS. E ele me contava, da frase de George Santayana “Aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo” George, na verdade era pseudônimo de Jorge Agustin Nicólas Ruiz de Santayana y Borrás, filósofo, poeta e ensaísta espanhol,(1863-1952), que ficou famoso escrevendo em inglês. E Miranda, se assim posso chamá-lo, asseverava-me com essa frase, da importância de um voto consciente "hoje' e do alcance dos artigos que escrevo, quando estes contam fragmentos da história de nossa gente. A ele e ao Edil Paulo, que me honrou com o título de cidadão Anastaciano, dedico este texto, discreteando desta feita, sobre a parte final da “Retirada da Laguna” inclusive por ter um marco na BR 262, próximo a entrada do Porto Canuto, justamente no Posto da Polícia Ambiental, na cidade de Anastácio/MS. A coluna brasileira, percorreu em dois anos 2.112km a pé Atravessando o Pantanal a coluna chegou a Miranda, saqueada e incendiada. Em Miranda, no primeiro do ano de 1867 o Coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando das tropas que marchou até Nioaque, e de Nioaque até a fazenda chamada Jardim às margens do rio Miranda.
A fazenda era propriedade de Francisco José Lopes, uma das personagens mais interessantes deste contexto, posto que ele era um criador de gado que na ocasião cuidava de terras em nome do Imperador D. Pedro II, e que nutria grande aversão pelos paraguaios que lhe tinha morto o irmão e sequestrado o filho e a cunhada. Lopes propôs guiar a tropa brasileira por aquele sertão ser conhecedor e ainda fornecer alimentação aos soldados. A tropa chegou a Bela Vista, às margens do Apa, que então era território paraguaio e foi até a fazenda Laguna do ditador paraguaio Solano López.
Momento em que, cercada pelos paraguaios, sem víveres e com pouca munição decidiu recuar. Os paraguaios usavam sua cavalaria contra os brasileiros que seguiam a pé. Camisão morreu de cólera no fim da retirada, já às margens do Miranda, assim como Lopes e seu filho, onde hoje é a cidade de Jardim. A margem oposta hoje abriga a cidade de Guia Lopes da Laguna e dos 1.680 soldados que invadiram o Paraguai em abril de 1867, 700 voltaram a Porto Canuto em Anastácio/MS. Estas informações estão no livro célebre, do Visconde de Taunay, relato loquaz de tudo o que ocorreu com a expedição. O autor escreve no Prólogo: 'É o assunto deste volume a série de provocações por que passou a expedição brasileira, em operações ao Sul de Mato Grosso, no recuo efetuado desde a Laguna, a três e meia léguas do rio Apa, fronteira do Paraguai, até o rio Aquidauana, em território brasileiro.
O marco simbólico do fim da retirada, episódio da Guerra da Tríplice Aliança, é uma rocha de arenito, na fazenda Tabapuan, aonde está fixada uma placa reproduzindo o último parágrafo do boletim militar (ordem do dia) referente a 12 de junho, um dia após a chegada no Porto Canuto, escrito pelo Tenente Escragnolle (Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay): “A retirada, soldados, que acabais de efetuar, fez-se em boa ordem, ainda que no meio das circunstâncias as mais difíceis. Sem cavalaria contra o inimigo audaz que a possuía formidável, em campos onde o incêndio da macega, continuamente aceso, ameaçava devorar-vos e vos disputava o ar respirável, extenuado pela fome, dizimados pela cólera que vos roubou em dois dias o vosso comandante, o seu substituto e ambos os vossos guias, todos estes males, todos estes desastres vós os suportastes numa inversão de estações sem exemplo, debaixo de chuvas torrenciais, no meio de tormentas de imensas inundações, em tal desorganização da natureza que parecia contra vós conspirar. Soldados! honra à vossa constância, que conservou ao Império os nossos canhões e as nossas bandeiras!”.
*Detentor da Medalha do Mérito Pantaneiro, da Comenda Vespasiano Martins e da Comenda Ministro Wilson Fadul, além do Troféu Marçal de Souza- Tupa Y.
** Informação da Redação: Texto do escritor Rosildo Barcellos, publicado no "O Pantaneiro" foi tema de questão de prova, quesito: "interpretação de texto", do Colégio Militar em Campo Grande.
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