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    "title": "O Pantaneiro - Ruben Figueiró de Oliveira",
    "description": "Feed de notícias de Ruben Figueiró de Oliveira do O Pantaneiro",
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            "content_html": "<div>\n\t<em><strong>*Ruben Figueiró</strong></em></div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tSinceramente eu desconfio, até prova robusta em contrário, da real intenção do ex-presidente Lula quando lançou Dilma Rousseff à reeleição. Será que ele a deseja no posto ou com o gesto, tido como solidário, quer queimá-la no tempo para ser ele o candidato? Daí é que a questão pegou fogo e o tema das eleições de 2014 começou a contaminar as atitudes da classe política. Tenho percebido isso no Senado. Em temas fundamentais como a partilha do Royalties, o FPE e o ICMS, sinto, nas entrelinhas, o caráter eleitoreiro dos debates e até das decisões. </div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tEnxergo esse processo com grande preocupação, pois a lógica dos interesses meramente eleitorais passa a prevalecer sobre as verdadeiras prioridades nacionais.          </div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tVemos a adoção de medidas populistas, de impacto imediato, que poderão prejudicar a economia assim que passar o período eleitoral. Criam uma sensação momentânea de bem-estar social, mas podem se reverter em contração de investimentos, aumento da dívida pública, elevação dos índices inflacionários, distorções cambiais, desequilibrando os fundamentos de uma economia sadia e sustentável. </div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tFico me perguntando: se o quadro se mostra tão favorável para o governo ? que, conforme pesquisas, tem alta popularidade ? qual a razão para antecipar tanto o calendário das eleições? Qual é o temor? </div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tEm Mato Grosso do Sul, pude observar a expectativa em relação ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Não sei se por se tratar de uma novidade política no cenário nacional; se por causa da exposição dele na grande impressa como pretenso candidato; ou se porque ele constitui um fenômeno originário da fadiga de materiais, decorrente dos anos de governo lulo-petista. Mas posso constatar: o nome de Eduardo Campos está começando a tomar conta do corpo político da Nação num processo como diria o homem do campo, de ?infestação do carrapatinho?.</div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tA antecipação da campanha eleitoral também se reflete localmente. Já observei em MS intensa especulação em torno da sucessão no Executivo estadual, sobretudo após a recente visita de quatro ministros só pensando naquilo: a reeleição de Dilma. </div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tMas, ao analisar o resultado das últimas eleições, posso inferir que a sociedade deseja mudança, revisando o papel dos partidos que há várias décadas ocupam o centro do poder. </div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tO resultado eleitoral de Campo Grande em 2012 foi emblemático. Valeram pouco na decisão dos eleitores o desempenho administrativo fabricado com peso da propaganda, a estrutura financeira abusiva e o tempo de televisão desigual.</div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\tO fato é que não há vencedores nem vencidos de véspera. Hoje, a gestão petista erra ao substituir compromissos com o País pelo compromisso com a manutenção do poder. Como diria o velho gaucho, ?estão querendo atropelar o cavalo no partidor?. Às oposições cabe manter o sentido de alerta sobre as distorções que possam ocorrer daqui pra frente.</div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\t </div>\n<div>\n\t<em><strong>*Ruben Figueiró é senador da República pelo PSDB-MS </strong></em></div>\n",
            "summary": "Sinceramente eu desconfio, até prova robusta em contrário, da real intenção do ex-presidente Lula quando lançou Dilma Rousseff à reeleição.",
            "date_published": "2013-04-12T08:00:00+00:00",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Assuntos  \"Vasqueiros\"...",
            "url": "https://www.opantaneiro.com.br/coluna/ruben-figueiro-de-oliveira/2011/06/06/assuntos-vasqueiros.html",
            "content_html": "<P>Nas conversas que nascem nas caminhadas matutinas (lá ao redor das seis horas) no Belmar Fidalgo, agradável praça de convivência da melhor idade, tenho observado que os assuntos estão \"vasqueiros\" - \"vasqueiro\" ( significa raro, inexistente) é uma expressão gauchesca que vem da prodigiosa imaginação de Érico Veríssimo em sua trilogia \"O TEMPO E O VENTO\" através de seu personagem principal, o capitão Rodrigo Cambará - embora ainda quentes pelo que representam na repulsa popular. Ainda mais Renan, carta já fora do baralho, praticamente. A fidelidade partidária está consagrada pela suprema justiça, portanto, os trânsfugas, os do troca-troca, estão desmascarados mesmo que não percam seus mandatos até o término legal deles. Isto dos assuntos já requentados que vêm da corte planaltina. </P>\n<P>E aqui em nossa planície. Ah ! Aqui, a pasmaceira prossegue provocando a inteligência dos jornalistas de todas as mídias e nem a famosa fofoqueira \"tia Candinha\" tem circulado com as \"suas\"... Nada no front; caiu-se num buraco negro e nem a conhecida habilidade e oportunismo dos políticos estão sendo capazes de aviventar o noticiário. Aliás, o mais esforçado em provocar suspense, o combativo deputado federal Dagoberto Nogueira nada mais tem de argumento para manter-se em evidência na luta pelo curul municipal, isto depois dos conselhos prudentes de seu Richelieu, o estratega notável Leite Schimidt. Nas bandas do PT o sobressalto é constrangedor em razão das provocações judiciais que o Ministério Público promove contra seu ícone estadual, o ex-governador José Orcírio. Na área oficial, continua soberbo o governador André Puccinelli, que não dá trela aos que muito o ajudaram chegar ao poder, desgastados estão todos, mas sorrindo na sua presença imperial e choramingando pelos cantos das sedes de seus partidos, onde correligionários desatendidos e desconsolados o malham a todo instante.</P>\n<P>Na prefeitura da capital, gozando das delícias de uma administração profícua, o prefeito Nelson Trad Filho se sente com respaldo popular para reeleger-se. Por certo, está precavido contra as manhas da política, pois não basta a simpatia do povo, necessário também o apoio político que vem das lideranças maiores e, em conseqüência, dos partidos. Esses querem, e como querem, maiores espaços políticos na arena; espaços que emanam do prestígio consagrador das urnas. É aí que o bicho pega. Será que o PSDB que tem um compromisso importante em 2010, à presidência da República, não mostrará a cara com candidato próprio como a capital Campo Grande, em 2008? Os Democratas que estão em alta pela atuação corajosa na oposição ao governo Lula não almejam crescer aqui em nosso estado, onde sua situação ainda é discreta? E o PPS, partido aferrado em teses programáticas graníticas, não aspira também ganhar expressão eleitoral maior, sobretudo na Cidade Morena, centro político do Estado?</P>\n<P>Quanto aos outros partidos políticos, como o PDT e o PR, em nível estadual são liderados por políticos que, individualmente, lhes dão ar, fôlego, mas que, reconhecidamente pragmáticos, são eficientíssimos meteorologistas políticos, pois decidem conforme os ventos dominantes...</P>\n<P align=right><STRONG>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É  suplente de senador. </STRONG></P>",
            "summary": "Nas conversas que nascem nas caminhadas matutinas (lá ao redor das seis horas) no Belmar Fidalgo, agradável praça de convivência da melhor idade, tenho observado que os assuntos estão \"vasqueiros\" - \"vasqueiro\" ( significa raro, inexistente) é uma...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Idêntica a Rosa de Malherbe",
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            "content_html": "<P>Certa vez o Senador José Fragelli, um dos mais íntegros homens públicos que perlustraram a vida pública deste país, ao saudar da Tribuna do Senado, o rei João Carlos da Espanha, lembrando do compatrício do monarca, Ortega Y Gasset, disse \"um país se consolida com o plebiscito do dia-a-dia\". O arquetipo senador sul-mato-grossense quis significar a extraordinária ação política de João Carlos, o qual após a derrocada do regime franquista, com persuasão, equilíbrio, tolerância, conduziu o processo de consolidação democrática na Nação Hispânica através do já célebre e ainda não imitado Pacto de Monclôa, que exigiu reiteradas consultas ao seu bravo povo.</P>\n<P>Lembrei-me do episódio histórico ao voltar meu pensamento ao tempo da Assembléia Nacional Constituinte, que redundou na conhecida Constituição Cidadã, assim cognominada pelo espírito cívico do grande Ulisses Guimarães - o senhor Diretas Já. Como constituinte pela representação de nosso Estado, procurei com sincero esforço patriótico, inserir no magno texto aquilo que tenho como ideal político. Aliás - permitam-me os caros leitores a imodéstia - alguns pontos da Carta foram de minha autoria, muitos tiveram meu entusiástico voto, como outros tantos deles divergi porque não me convenceram de sua validade para uma nação, como a nossa, que almejava e almeja até hoje, a estratificação de princípios autenticamente democráticos. Não irei relatar neste escrito com minúcias até que ponto alcançaram as divergências; estas já expostas em artigos publicados anteriormente pelas prestigiosas páginas do Correio do Estado e pelo site meticuloso da Midiamax, os quais reunidos devem ser publicados sob o título de \"Espelho do Tempo\" sob o patrocínio (para minha honra) do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul.</P>\n<P>Reservo-me, porém, a oportunidade para afirmar que a Constituição de 1988 envelheceu precocemente, não atingiu a maioridade aos dezenove anos de vigência. Violentada várias vezes pelo arbítrio de presidentes autoritários, sofreu fraturas remendadas por mais de cinqüenta emendas constitucionais; deveria receber, como complemento, um \"tratamento plástico\" de oitenta leis complementares e que o Poder Legislativo ordinário - preguiçoso como soe ser - somente lhe concedeu algumas poucas e quase por força de conveniências momentâneas.</P>\n<P>Para uma Carta Magna exausta (como nossa atual) , tenho para mim que sobre ela o cidadão brasileiro deveria se manifestar claramente através de uma consulta plebiscitária. Evidentemente que tal não poderia ter o condão casuístico como pretende o PT - \"ex Catão da moralidade pública que deita e rola na orgia do poder\", como ressalta o escritor Gilberto Mello Kunjaski - exclusivamente para dar ao primeiro mandatário mais um mandato consecutivo ao que já exerce, pela segunda vez.</P>\n<P>Não, mil vezes não. Consulta plebiscitária para ter valia deveria ser precedida por um amplo debate nacional sobre os temas mais palpitantes da realidade política, social e econômica do país e cujo ritual poderia iniciar-se no período eleitoral das eleições presidenciais de 2010, ocasião em que a efervescência das idéias é empolgante, podendo levar os eleitos ao compromisso de convocar o plebiscito sobre a valia ou não de nova Lei Fundamental.</P>\n<P>É praticamente unânime a opinião de consagrados constitucionalistas que um dos maiores defeitos da atual Carta é que ela contém o vício insanável de ter sido elaborada por um conúbio estranho : tinha uma só cabeça pensante - a extraordinária Assembléia Nacional Constituinte e o Congresso Nacional ordinário - mais propensa ao legislador ordinário, senadores e deputados. A conseqüência aí está. Aqui a importância da consulta plebiscitária, teria ela a oportunidade de optar por uma assembléia nacional constituinte exclusiva, idéia pela qual muito lutou o saudoso senador e emérito constitucionalista Afonso Arinos de Melo Franco nos primórdios de 1985. Constituinte exclusiva, ou seja com titulares eleitos com o objetivo único de elaborar e promulgar o texto fundamental. O que ocorrido seus mandatos seriam finitos. Seria, também, uma oportunidade de se maturar a idéia vivificadora do sistema parlamentarista de governo e que marcaria, pela sua essência democrática, a presença permanente do povo nas decisões magnas da nacionalidade, expurgando-se de vez o atual (regime presidencialista) onde prepondera a vontade autoritária do presidente da República.</P>\n<P>Uma nova Carta Constitucional não seria como a que hoje nos rege, idêntica à Rosa de Malherbe, formosa quando surge, mas que precocemente perde sua essência!</P>\n<P align=right><STRONG>* Foi deputado estadual, federal constituinte 88, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É  suplente de senador.</STRONG></P>",
            "summary": "Certa vez o Senador José Fragelli, um dos mais íntegros homens públicos que perlustraram a vida pública deste país, ao saudar da Tribuna do Senado, o rei João Carlos da Espanha, lembrando do compatrício do monarca, Ortega Y Gasset, disse \"um país se...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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                {
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            "tags": [
                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Lições de uma vida exemplar",
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            "content_html": "<P>Poucas foram às vezes em que lí um livro com tanta simpatia e curiosidade. Curiosidade que ao ser alcançada em determinado tópico, crescia de intensidade por outro. Simpatia para conhecer os episódios de uma vida referta de lances elucidativos de um \"homem à frente de seu tempo\".</P>\n<P>Assim foi o meu roteiro de leitura do fascinante relato do amigo Antonio Barbosa de Souza, autor do livro sobre a epopeica existência do Seu Laucídio Coelho, seu sogro, pai (como Antonio o considerava), patrão e, sobretudo, estímulo de vida.</P>\n<P>Sempre fui admirador de Seu Laucídio. Admiração e respeito profundo que a ele me ligou meu pai Orcírio Thiago de Oliveira, o Gury Marques, a quem Seu Laucídio dedicou amizade e estrema confiança em vários momentos e sua extraordinária trajetória empresarial. </P>\n<P>Meus contatos com Seu Laucídio foram esporádicos, mas o suficiente para me dispensar o calor de sua atenção e incentivo, fundamentais ao meu caminho profissional e na carreira política, as quais ao lado de meu tio Martinho Marques, seus filhos Italívio, Lúdio, Wilson e Magno, os genros Rachid, Antonio e José Henrique, fizeram-me de Rio Brilhante (minha terra natal) deputado estadual, o mais votado no Sul do então Mato Grosso uno, nas eleições de 1970, a primeira das cinco vitoriosas a que concorri e que me deram cadastro parlamentar e político para ser, hoje, suplente da senadora Marisa Serrano.</P>\n<P>Quando da leitura da obra de reminiscências do Antonio Barbosa muitas passagens me serviram de reflexão. A vida do Seu Laucídio, uma epopéia de trabalho incansável e operoso, digno, apreço impertérrito aos nobre ditames de Família, respeito às leis e aos princípios básicos da justiça, espírito empreendedor, levaram-me à uma análise de minha vida e, honestamente, conclui de que muito acertei, muito também errei porque não tive as luzes, a perspicácia de enxergar longe como em sua existência alcançou o Seu Laucídio.</P>\n<P>Certa vez, lá pela década de cinqüenta, papai (que nos deixou tão cedo levado por um mal insidioso) em conversa informal comigo, relatou uma prosa que tivera com o Seu Laucídio, este, ainda em plena atividade de expansão de seus negócios, lhe dissera: \"Gury, construí um invejável patrimônio, fruto de meu trabalho e da Dna. Lúcia para legar aos meus filhos, mas, hoje, temo pela segurança dele a partir de minha terceira geração\"...</P>\n<P>Tal vaticínio foi lembrado pelo Antonio num relato sutil dentre os inúmeros diálogos mantidos com grande patriarca (diálogo este ocorrido mais de vinte anos após o que mantivera com o meu pai) revelador de uma personalidade forte, indômita, impulsionadora de um desejo inexpugnável de assegurar, através os seus descendentes e para sempre, o que a alma de sua existência o indicara - o amor à terra , a segurança e os valores da Família.</P>\n<P>Nunca me esqueci daquela grande preocupação de Seu Laucídio, cujas lições de vida sempre serão como um farol projetando luz nas incertezas da vida, nos escaninhos do futuro.</P>",
            "summary": "Poucas foram às vezes em que lí um livro com tanta simpatia e curiosidade. Curiosidade que ao ser alcançada em determinado tópico, crescia de intensidade por outro. Simpatia para conhecer os episódios de uma vida referta de lances elucidativos de um...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Lembrando Garrincha",
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            "content_html": "<P>Nestes tempos pré-eleitorais, tia candinha sai de seu tenebroso castelo de adivinhações maldosas e se esbalda entre políticos e afins com suas \"novas\", sempre apetitosas fofocas ao gosto do paladar dos incautos, ingênuos e dos\"leva-e-traz\" à caça de alimentos para suas mentes desparafusadas. Tais \"novas\" às vezes surgem refesteladas de tantos detalhes que reluzem facetas da verdade, a ponto de impressionar até quem já está calejado pelas nuances das lutas políticas sempre prenhes de artifícios enganadores. </P>\n<P>Ainda agora surge pelos corredores, a mais \"nova\" sobre a sucessão municipal. Está tudo acertado. Haverá um acordão. Zezé vai ser vice-prefeito; tonho e juca terão suas reeleições garantidas pelo apoio oficial e também financeiro; tião ocupará a secretaria de obras, desde já com plena autonomia para definição das empreiteiras alinhadas. Tudo como manda o figurino implantado desde antanho e hora revigorado com o fortificante biotônico fontoura dos \"distintos\" do poder!... </P>\n<P>José Maria Alkimin, político mineiro famoso pelas suas manhas, dizia que na política o que vale são as versões, não os fatos. Alguém deixou escrito que na política não há lugar para querubins e serafins, não há anjos, só nêgos escolados, enfim. Porém há certas normas que os políticos não podem transgredir, qual seja a do respaldo de seus companheiros de luta que estão aqui na planície. No regime democrático não se concebe mais a chamada tese do \"centralismo democrático\", criada pelo bolchevista Lênin, segundo a qual a cúpula decide e as bases obedecem incondicionalmente.</P>\n<P>Aliás, há um exemplo histórico. Durante a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, às vésperas do jogo do Brasil contra a Rússia, Vicente Feola (técnico da nossa seleção) discorria para os jogadores as táticas que seriam utilizadas para a vitória certa, quando foi pespegado por uma pergunta aparentemente inocente do Garrincha: isto o senhor já acertou com os russos?... levando ao vazio a preleção do Feola, que ficou sem resposta!</P>\n<P>Nestes tempos, repito, em que as raposas partidárias estão à caça de posições, natural é a distribuição para consumo de algumas fofocas, até para desviar a atenção popular para um foco diferente daquele que elas realmente desenham. Inconteste, porém, é a força das bases partidárias, as quais hoje bem mais informadas não aceitam, como no passado, os chamados \"pratos feitos\", para serem engolidos goela abaixo.</P>\n<P>\"Atentai bem\", tomando por empréstimo a já célebre advertência do combativo senador Mão Santa, do \"Piauiiii...\" ao se dirigir ao presidente Luiz Inácio - atentai bem, senhores dirigentes partidários, para decidir é preciso sempre observar qual a tendência da companheirada e a conduta dos que querem ser aliados e mesmo contrários e não se esquecer do exemplo histórico que vem do saudoso Garrincha.</P>\n<P>* Suplente de senador.</P>",
            "summary": "Nestes tempos pré-eleitorais, tia candinha sai de seu tenebroso castelo de adivinhações maldosas e se esbalda entre políticos e afins com suas \"novas\", sempre apetitosas fofocas ao gosto do paladar dos incautos, ingênuos e dos\"leva-e-traz\" à caça de...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Revisando o Passado",
            "url": "https://www.opantaneiro.com.br/coluna/ruben-figueiro-de-oliveira/2011/06/06/revisando-o-passado.html",
            "content_html": "<P>Segundo o meu amigo Chiquinho Palhano - aquele que nos enleva com espiritualidade romântica semanalmente em suas Crônicas pelas páginas do Correio do Estado - tempo é tempo, aquele que cura feridas e nos desperta para verdade. Nada mais sábio.</P>\n<P>A propósito, ainda n'outro dia assisti pela televisão a um interessante documentário sobre a trajetória de vida e da existência política do eminente brasileiro, o ex-presidente Jucelino Kubitschek. Devo escrever, de antemão, que ainda jovem não fui correligionário e muito menos admirador de JK. Como udenista, na minha modesta esfera de atividades, o combati, muita das vezes com razão, n'outras fui embalado pelo radicalismo natural de minha mocidade.</P>\n<P>Agora já septuagenário, mas não velho, me mostrei atento ao documentário, a cada cena televisiva fui me conscientizando de que JK buscou em seu governo ser um dirigente nacional de estatura política diferenciada. Não foi um visionário, mas apostou no futuro promissor do Brasil. Rompeu com o ordinário, abriu nossas fronteiras para o desenvolvimento econômico atraindo capitais externos para a consolidação das nossas ainda incipientes indústrias de base - processo iniciado no período getuliano. Despertou, com a construção de Brasília, o sentimento de conquista de nosso hinterlande, talvez lembrando a célebre previsão de Frei Vicente Salvador, no século XVII, de que, para progredir, a então novel colonia portuguesa (o Brasil) não podia ficar \"arranhando as areias do litoral\", e sim avançar sobre a Serra do Mar e conquistar o planalto interiorano. JK mostrou-se democrata na acepção ideológica do termo, tolerou gestos golpistas de militares da aeronáutica, a \"revolta dos bondes\" na então capital, o Rio de Janeiro - foi como a repetição histórica da célebre noite de São Bartolomeu, 30 de maio, quando a mocidade universitária (lá estavam o Nelson Trad, Nelson Fontoura, Ubaldo Barém, Yasuo Oshiro, Mustafa Esgaib, Onildo Basrbosa, Eduardo Contar, Jorge Siufi, Benedito Dutra Pimenta, Salomão Amaral, eu e tantos outros jovens mato-grossenses, então rebeldes) se insurgiu contra as tarifas de bonde, seu único meio de transporte - anistiando militares e dando a nós, estudantes, o sentido da compreensão.</P>\n<P>Muitos outros gestos de estadista praticou JK. Evidente que, com o andar da minha carruagem etária, vinha eu abrindo os olhos de meu horizonte para sem afetar o estamento doutrinário que me conduz na política, me impor à uma revisão de conceitos com relação a algumas figuras de projeção nacional e mesmo aqui de nossa labuta caseira, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, nas lutas do passado, já nostálgicas.</P>\n<P>Aquele documentário televisivo da cadeia NET foi a gota que faltava para encher o meu cálice de convicções de que o tempo é realmente o senhor da verdade, e que esta só surge, com nitidez, quando ele, o tempo, indica que chegou o momento da racionalidade.</P>\n<P>* Foi deputado estadual, federal, constituinte de 1988, secretário de estado, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e é suplente de senador. </P>",
            "summary": "Segundo o meu amigo Chiquinho Palhano - aquele que nos enleva com espiritualidade romântica semanalmente em suas Crônicas pelas páginas do Correio do Estado - tempo é tempo, aquele que cura feridas e nos desperta para verdade. Nada mais sábio. A...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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            "title": "TEREZA DE CALCUTÁ, Madre da Dor e da Esperança",
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            "content_html": "<P>Não porque sou católico tão somente, mas pela admiração de sua obra humanista em favor dos mais pobres dos pobres que respeito e ressalto a obstinação religiosa da Madre Tereza de Calcutá.</P>\n<P>Recordo-me que, ainda deputado federal e no curso da Assembléia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988, deparei-me com uma publicação cunhada de \"Momentos de Oração\", que alguém me ofertou, preparadas por outras duas religiosas e onde despontam instantes eloqüentes da fibra de Madre Tereza ao defender com pureza d'alma a sua definição pelos mais pobres dos pobres. Foi quando ao ser recebida em audiência pelo primeiro ministro Fidel Castro, o ditador de Cuba, esse de forma arrogante, assegurou-lhe que o Estado cubano se orgulhava por oferecer ao povo aquilo que precisava, ao que foi docemente retrucado por Madre Tereza ao assinalar que \"o Estado não dá amor\"por mais organizado que esteja, mas aquele que vem das profundezas da alma. Convenceu o duro Fidel, tanto que este permitiu que um grupo de irmãs da Ordem das \"Missionárias da Caridade\", criada por Madre Tereza, para lá fossem a fim cuidar dos doentes pobres em sua fase terminal.</P>\n<P>Há relatos também emocionantes da compaixão inesgotável de Madre Tereza pela sua missão em Kalighat, no \"Lar para moribundos\", em Calcutá, Índia, dedicação maior de sua vida.</P>\n<P>Humilde, Madre Tereza não se cansava de declarar que \"não há ninguém que precise mais da graça e da ajuda de Deus do que eu. Creio que por isso que Ele me usa porque não posso reivindicar crédito pelo que é realizado.\" No entretanto, Madre Tereza interpretou no curso de sua magistral existência, como um canal os fluídos divinos que vêm de Deus. E o mundo lhe referenciou concedendo-lhe o prêmio Nobel da Paz, o mais expressivo reconhecimento que a humanidade concede aos primeiros.</P>\n<P>Nesse ano, celebra-se o décimo-sétimo aniversário de seu falecimento e muitas são as lembranças evocadas de sua sacerdotal passagem por esta terra. Fala-se no lançamento de um novo livro sobre Madre Tereza \"Mother Tereza Come By My Light\" ( Madre Tereza Venha ser Minha Luz), que traria revelações surpreendentes da religiosa que, em algumas de suas meditações, chegou a pôr em dúvida a existência de Deus. Tal agonia, penso eu, sensibilizava sua tristeza diante do quadro que se lhe apresentava entre doentes, famintos, flagelados, por toda sorte de infortúnios distantes dos olhos do Criador. Dizia então, Madre Tereza \"não encontro palavras para expressar as profundezas da escuridão\" que, em momentos tais, lhe alcançava a consciência. Não raro, também nós, pequeninos diante do que Madre Tereza foi, somos assaltados por dúvidas sobre a existência de um Ser Supremo todo poderoso. Isto, pela nossa inexperiência de vida religiosa intensa do que por um questionamento ateu e agnóstico.</P>\n<P>Entre o ser e não ser, a realidade e a dúvida, foram as provações que Madre Tereza enfrentou e venceu, fê-la uma extraordinária figura de comportamento espiritual e de solidariedade humana, pelo menos no Século XX.</P>\n<P>Para mim, a mais profunda mensagem que Madre Tereza de Calcutá legou a humanidade, trago-a sempre em meus momentos de reflexão:</P>\n<P>\"A luta da vida é ganha pelos decididos, pelos apaixonados, pelos ambiciosos. Vencem os rebeldes, os bons rebeldes, os persistentes, os heróis do dia-a-dia, os inconformados que não cruzam os braços, os que perseveram a toda prova. Provei ao mundo que é possível empunhar uma causa, perseverar nela ainda que se apresente gigantesca. Provei que para fazer o bem, basta querer.\"</P>\n<P align=right><STRONG>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É suplente de senador.</STRONG></P>",
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            "content_html": "<P>Não foram uma, duas, três, mas inúmeras as pessoas a me abordar nestes últimos dias sobre a situação política em nosso país. Algumas em tom de deboche, outras raivosas, revoltadas, mas a maioria preocupada com o rumo decadente das coisas e revelando alto senso de cidadania. Como fui parlamentar - de outras épocas, naquelas em que havia respeito ao mandato popular - e mantenha discreta militância partidária, muitos de meus interlocutores fazem crer na forma crua de se expressarem de que, como político que fui, tenha responsabilidade no que está ocorrendo. À estas, repilo até com certa veemência embora compreenda seu rancor e decepção, com a qual sobre vários e diferentes aspectos estou solidário. Outras querem uma luz, um caminho que possa levá-los a um movimento cívico com vitalidade para colocar um paradeiro nessa onda de corrupção, incompetência, desídia, malversação e quanto mais adjetivos abjetos se devam atribuir a amplos setores das atividades dos poderes públicos.</P>\n<P>As recentes manifestações populares, a principiar pelas surpreendentes, ruidosas, repetidas e espontâneas vaias à presente figura do presidente da república nas solenidades de instalação dos Jogos Pan-americanos e que se seguiram em outras oportunidades publicas, começam a demonstrar que algo está brotando na alma e na consciência do cidadão brasileiro. Os movimentos \"Cansei\", este liderado pelo prestígio institucional da OAB, seccional de São Paulo, e outros de iniciativa de setores da classe média - a mais penalizada, daí sua revolta - são extremamente válidos e aos poucos vão acendendo a chama da indignação do povo, ainda em estado de dormência tal têm sido as doses de entorpecentes publicitários oficiais nele diariamente aplicados.</P>\n<P>Tenho para mim que tais movimentos cívicos só ganharão às ruas com acento ruidosamente popular se tiverem o apoio de segmentos sociais organizados. Claro a CUT, MST, UNE são do governo e estão contentes com as benesses recebidas; a Força Sindical, num golpe magistral de esperteza política de Lula, está no bolso dele; as entidades patronais, a CNI, CNA, CNC, assemelham-se a \"turuno\" recanteado e sem energia; os partidos de oposição (inclusive ao que me filio, o PSDB) estão numa posição anômica, para não dizer agônica, de dar dó... Resta a Igreja Católica a qual, pela aura de respeito milenar, poderá, se quiser, motivar o clamor adormecido do povo, pois é liderança consagrada. Não creio, entretanto, que ela se engajará, isto pelas manifestações tímidas, quão raras, de suas entidades pensantes, como a CNBB.</P>\n<P>Portanto, posto-me como incrédulo. Nada despertará no momento o presidente da república - sem dúvida um autêntico Pôncio Pilatos que não enxerga o que de ruim está ocorrendo e lava as mãos, ou culpa Herodes - que chegará ao final de seu mandato com a mesma postura adjetivada pelas expressões xulas que diz cotidianamente e reveladoras de um egocentrismo estelar. O Legislativo está inanimado, perdendo dia-a-dia o respeito republicano. O Judiciário numa luta intestina entre o bem e o mal, indefinido.</P>\n<P>É, realmente, uma Canseira, mas não há por que desanimar. As eleições municipais do próximo ano e as gerais de 2010 poderão refletir o atual estado de ânimo dos brasileiros. Já erramos em outras pugnas eleitorais, poderemos ainda errar, estamos porém mais conscientes, politizados e, a final, poderemos acertar. O grande homem público do Rio Grande do Sul e idealizador do regime parlamentarista no Brasil. Raul Pilla, dizia que \" é votando que se aprende a votar bem\" ... Quem sabe!</P>\n<P>* Foi Deputado Estadual, Federal, Constituinte de 1998, Secretário de Estado e Conselheiro do Tribunal de Contas. É Senador suplente.</P>",
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            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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            "title": "Tempos Estranhos",
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            "content_html": "<P>Há muito não visitava o meu velho amigo e valoroso correligionário de saudosas jornadas eleitorais, o Pompílio. Consultando a memória, creio que a última vez foi logo após as eleições de outubro do ano passado, 2006. Fui vê-lo no último final de semana. Recebeu-me com aquele seu jeitão gauchesco, estrepitoso, espontâneo, aberto como se estivesse campo fora a camperiar retocando uma ponta de gado para o rodeio. Sempre e sempre voltando para reminiscências de seus pagos lá das canhadas, coxilhas de seu Rio Grande. Assentei-me na roda do \"amargo\" em que ele presidia mateando há algum tempo com seus familiares.</P>\n<P>Pompílio não esperou que puxasse conversa e foi pipocando \"que tempos estranhos, molestantes\" estamos vivendo, heem Figueiró!... Antes que me manifestasse - concordando evidentemente - repoltreou-se no banco, esganiçou sua voz de espanto e contrariedade: nunca pensei que o Brasil se chegasse a tanto. Nada obstante sua idade matusalênica - já no \"piquete dos noventa\", como diz ele - mantém uma memória prodigiosa no relato dos fatos atuais, presentes, contrariando o que dizem que o velho só se lembra bem de fatos há muito passados. Disse Pompílio de sua inconformidade, cutucando com veemência os escândalos levados para \"debaixo do baxeiro imundo de peão preguiçoso\" (referia-se ao esquecimento que as autoridades os levaram) do Waldomiro Diniz, do Valerioduto, das sanguessugas, dos mensaleiros, suas ramificações e dos pérfidos quejandos atuais e cuja pútrida avalanche está infectando a confiança do povo na estrutura do poder público. E o pior, disse Pompílio, a autoridade maior do país \"faz de conta\" que está governando, mas a toda hora é surpreendido com a explosão de fatos delituosos que ameaçam os alicerces de pessoas e entidades que, política ou familiarmente, dele estão próximos.</P>\n<P>Ouvi. Só o Pompílio se manifestou. Não compreende como o desfibramento ético e moral está atingindo amplos setores da sociedade brasileira. Voltou às recordações pretéritas e como que perorando exaltou a Revolução Federalista lá no seu torrão gaúcho quando havia lideres de fibra, não se dobravam ante os desmandos e a corrupção, como Gaspar Silveira Martins, homem de princípios rígidos, segundo os quais \"as idéias não são como metais que se fundem.\" </P>\n<P>Tempos estranhos estes, os atuais, não há idéias, só metais, concluiu Pompílio, cidadão de seu tempo que, parece, não terá outro igual.</P>\n<P align=right><STRONG>*Foi deputado Estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente</STRONG></P>",
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            "title": "Um Brasil no Texas",
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            "content_html": "<P>\"Não sei se já contei aqui, faz algum tempo . Há quem não leu ou não se lembra, de maneira que acho que posso contar de novo.\"</P>\n<P>Assim, João Ubaldo Ribeiro, iniciava uma de suas crônicas cujo assunto julgava repetitivo. Perdoe-me, se também ouso usar o mesmo cachimbo.</P>\n<P>Daí, com este artigo, concluo minhas impressões, curiosidades, melhor expressando sobre o modo de vida do cidadão americano no estado do Texas, como também algumas facetas da legislação que dizem de perto às responsabilidade do cidadão perante o Estado. Tanto no tocante ao modo de vida, como do respeito às leis, há muitas semelhanças e contrastes entre o que lá constatei e daquilo que vivemos e sofremos em nosso Brasil.</P>\n<P>Na temporada que passei em Houston, com o passar dos dias, fui aguçando minha atenção, abrindo os olhos para inusitados aspectos daquela megalópole de mais de hispano-americanos do que os da guerra, eis que a miscigenação de nacionalidades aumenta pelo encanto \"de polens destas terras para a formação de colméias de latinos, segundo um cronista local,\" inclusive de brasileiros, lá estimados em mais de cinco mil, segundo nosso Consulado.</P>\n<P>Percebe-se a importância da mão-de-obra hispânica nos serviços exigentes de força manual, tais nas construções, conservação de vias públicas, jardinagem (levada com muito apreço), serviços domésticos, etc, para os quais há razoável remuneração salarial - em torno de U$300,00, semanais. Se há especialização, o salário cresce a valores expressivos. Para quem deseja trabalhar, além da escala de oito horas diárias e em diferentes locais, não há impedimento inclusive em domingos e feriados, o \"batente\" depende da disposição do trabalhador, eis que a legislação trabalhista é flexível e, até mesmo, tolerante, embora enérgica no combate a exploração do trabalhador quando aos seus direitos individuais. </P>\n<P>Notei que os feriados, tanto nacionais, como do estado do Texas não são muitos, isso se compararmos com o número dos nossos no Brasil - lá, parece-me que de cinco a sete: dentre os quais o Memorial a Martin Luther King, em maio , o Independence Day, em julho; o Labor Day, em setembro; e o Thanks Given, em novembro, além dos consagrados dos dias do Natal e do Ano Novo. Estes o que me ocorrem lembrar.</P>\n<P>Em Houston, e nas cidades coligadas a ela - West University, Suggar Lane, dentre outras - há um sistema de transporte coletivo urbano por ônibus confortabilíssimos, todos com ar- condicionado e sua utilização intermediária entre os locais de trabalho e os terminais, pontos de estacionamentos de veículos, onde os usuários residentes nas áreas periféricas mudam de sistema de transporte, evitando-se, ao máximo, os problemas de congestionamento, que, lá também ocorre eventualmente. É impressionante o número de pessoas que possuem carros, vai do rico empresário aos trabalhadores de menor poder aquisitivo, que compram por \"preço de banana\", por assim dizer, veículos com três a cinco anos de uso pelo primeiro dono.Também pudera a indústria automobilística americana desova no mercado interior, todo ano, ao redor de 20 milhões de unidades novas acrescidas de um inflacionário número de importadas, em torno de 30% da produção nacional! Outro atrativo são os preços, vez que os impostos agregados não se assemelham aos pantagruélicos de nosso país.</P>\n<P>Há costumes familiares inusitados para nós, brasileiros, e que, por tristes, tocam nossos sentimentos cristãos. Fazendo cooper diário pelas ruas próximas à residência que me hospedara, impressionei-me ao ver moldado sobre o gramado de um jardim residencial e a beira de calçada (não há muros ao redor das residências) uma cruz formada de flores em torno brinquedos diversos. Impressionado, disseram-me que aquele ornamento simbolizava homenagem póstuma a uma criança falecida, e que lá residia, homenagem prestada por parentes e de vizinhos! Percebemos , então, quão diferentes podem ser as manifestações de sentimentos e culturas entre diversos povos.</P>\n<P>Pela atual legislação americana do imposto sobre a renda - pelo menos a vigentes no Texas ao que depreendi respeitada a coluna vertebral da legislação federal, - cada estado da união pode dar a sua \"pitada,\" assim todas as taxas que o contribuinte paga pelas compras que faz, de bens duráveis à coca-cola, são deduzidas posteriormente quando a declaração anual para efeito de imposto a pagar. Nada mais justo. Os nossos legisladores poderiam pensar em medida idêntica, naturalmente para o \"desespero\" dos leões das receitas oficiais... Creio, seria, por outro lado um instrumento eficiente não só para diminuir a carga tributária sobre o esquálido contribuinte, para combater a sonegação, pois todo consumidor teria interesse de exigir do comerciante, prestador de serviço, o recibo de compra, prestação, etc, conservá-lo, para seu crédito das declarações do imposto de renda.</P>\n<P>No mais, constatei muitos contrastes e também muitas semelhanças entre os sistemas de vida, nossos e dos americanos, a destacar as expressões de respeito às pessoas, quando isto se deseja ou a educação manda. Como aqui no Brasil.</P>\n<P align=right><STRONG>*Foi deputado Estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente</STRONG></P>",
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            "content_html": "<P>Como invariavelmente faço todas as manhãs, fui caminhar pela pista oval do Belmar Fidalgo. Domingo cedo com temperatura amena, embora indicasse menor pela ausência do sol até então impedido pelas nuvens espessadas contra ele. Dos companheiros de caminhada e diletos amigos (Alfredo Arruda, Nelson Corrêa, Gilberti Miglioli, Roque Fachini, Valdemar Justus Horn, Benedito Pimenta e Jarbas Corrêa), somente lá estava o madrugador Chiquinho Palhano, este extraordinário contista que todas as semanas, pelo Correio do Estado, nos delicia com suas historias vividas ou sonhadas - e também aquelas análises ferinas quão oportunas, contundentes sobre a conjuntura da política e da administração pública - todas de vivo calor humano . Chiquinho estava concluindo o seu \"cooper\" de 45 minutos e se foi.</P>\n<P>Logo, porém, chegou o Geraldo Solari, o nosso Geraldão, e fizemos um par exótico, ele com sua estatura \"exagerada\" (talvez 1,90) e, eu, com minha \"ideal\" (1,60), com tendência acentuada para baixo, forçada pela curvatura da idade. Lembramos de coisas do passado, com ligeira passagem pelo presente , onde já não conhecemos quase ninguém nesta, hoje, cosmopolita e querida cidade morena. Foi um momento de nostalgia, mas vivificante pelas passagens relembradas. Os bons tempos do Radio Clube, ao reverenciarmos a memória do Gabura, que a pouco foi ao encontro da eternidade - hoje um clube distante de seus antigos associados, não por descaso de seus dirigentes, mas pela própria dinâmica do tempo e onde o interesse comercial e das coisas vãs prevalecem afastando dele a sociedade tradicional. Lembramos da fascinante história da Fazenda Miranda Estância, lá na mesopotâmia (influência dos rios Miranda e Aquidauana) pantaneira, relatada pelo traço vigoroso e percuciente do professor universitário Cezar Benevides e onde meu pai Orcírio, o Gury Marques, teve participação marcante quando dela tomou posse em nome de grandes empresários brasileiros, tais Bento Ribeiro, Luiz Pontes Bueno (o Zito Bueno, grande amigo de papai), os Monteiro Aranha, os Rheigants (da Renner) e os Klanbin, os únicos e atuais proprietários. Isto em 1948, quando os capitalistas, lordes ingleses da Miranda Estância Company Limited, a entregaram para ajudar a velha Albion quitar parte da divida com o Brasil oriunda das compras de matéria prima para o esforço bélico, e produtos agrícolas durante a Segunda Grande Guerra.</P>\n<P>Passamos depois - Geraldo e eu - pelo livro de nosso comum amigo, Antonio Barbosa de Souza sobre a espetacular existência de um homem que sempre esteve \"à frente de seu tempo\" - o senhor Laucídio Coelho. Nos recordamos de episódios talvez inéditos e interessantes da vida do grande pioneiro, figura autêntica do empresariado rural de nossas terras, episódios a nós relatados pelos nossos pais, amigos fraternos do seu Laucídio, e que marcaram-nos para sempre como um exemplo de dedicação ao trabalho, sentimento de família, e espírito de conquista.</P>\n<P>Cumpri o meu tempo de caminhada domingueira e lá no Belmar deixei o amigo Geraldo Solari, efervescente repositório de fatos saudosos e, como saudosos, não voltarão jamais. Pena! </P>\n<P align=right><STRONG>*Foi deputado Estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente</STRONG></P>",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Um sábio conselho",
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            "content_html": "O saudoso Ulisses Guimarães no alto de sua sabedoria política dizia em tom metafórico “time que não entra em campo, não tem torcida”, isto para significar que partido que não participa de eleições – majoritárias, é claro – não galvaniza eleitores.<br />\n<br />\nLembro dessa máxima do grande líder ao ensejo da disputa eleitoral que ocorre em outubro deste ano. Evidente que a nível nacional o quadro já esta definido para um pugna plebiscitária entre Governo e Oposições: Dilma e Serra, hoje difícil prever quem será vencedor.<br />\n<br />\nNos Estados, principalmente naqueles de maior expressão eleitoral, a tendência é para a vitória das oposições, excetuando nos Estados nordestinos, Ceará e Pernambuco, já domínio do PSB (Partido Socialista Brasileiro) e Bahia, com o PT.<br />\n<br />\nAqui em nosso Estado a previsão é de luta acirrada entre o PMDB e o PT, semi-governista e governista, correndo por fora o PSDB, DEM e o PPS. Embora haja uma indefinição do PMDB quanto a quem oferecerá o palanque para as eleições presidenciais, sobretudo porque o atual governador (que tem o domínio absoluto sobre o PMDB) está avaliando as vantagens que poderá  receber eleitoralmente da Dilma ou do Serra. Enquanto, aos trancos e barrancos, ora com tiradas hábeis e outras de brucutu, não se decide o governador, as águas de janeiro estão conduzindo o barco eleitoral para uma eleição apenas entre André e Zeca. Será uma disputa quase de caráter pessoal entre duas personalidades que apreciam a polêmica, apaixonante para determinado tipo de eleitor, porém muito preocupante para a maioria do eleitorado que deseja seja  ela de idéias, programas e de tom civilizado.<br />\n<br />\nIsto mesmo, campanha eleitoral fundamentada em idéias, programas de governo, respeito as regras democráticas, civilizada, sem bate-bocas de horrorizar satanás. Ai entra a responsabilidade do BDR (PSDB, DEM, PPS), Bloco Democrático Reformista, para atender aos reclamos da maioria de nossos concidadãos que não desejam participar da preanunciada porfia de destrambelhos e acicates venenosos entre Zeca e André. Aqui vale – e como vale - o sábio conselho do velho Dr. Ulisses, segundo o qual a presença efetiva de um partido na disputa eleitoral é vital para sua sobrevivência.<br />\n<br />\nQuem tem acompanhado a trajetória política do PSDB sobretudo nos três últimos debates eleitorais, pode testemunhar o desgaste que ele tem sofrido com a insistência de ser acólito do PMDB, se submetendo aos caprichos de uma liderança incontestável que puxa a sardinha somente para sua rede. Está, pois, na hora de o PSDB estadual se reabilitar, aproveitando dessas manobras prorrogacionistas do governador de levar na barriga sua decisão de quem apoiaria para presidência da República e qual a sua intenção de alianças no plano estadual específico.<br />\n<br />\nO PSDB tem nomes potenciais, com títulos e prestígio, para com o apoio de seus aliados,  o DEM e o PPS, participar efetivamente das eleições majoritárias (Governo e Senado), oferecendo os três partidos uma terceira opção, esta para livrar o eleitorado dessa estranha gangorra na qual há muitas eleições participam o PT e o PMDB.<br />\n<br />\nEnquanto há tempo, pensem nessa real possibilidade os lideres do BDR e se definam para a luta, para não perder eleitores que insistem em manter a crença no Bloco.<br />\n<br />\n*Foi deputado estadual, federal, constituinte em 88, secretário de estado e conselheiro do TC-MS",
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            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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            "title": "O Prometeu do Brasil",
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            "content_html": "<P>A mitologia grega reservou um pedacinho do Olimpo para abrigar o presidente do Brasil. É o espaço onde mora Prometeu, a quem se atribuiu a criação de muitas artes\". Assim, o consagrado cientista político Gaudêncio Torquato inicia seu artigo com o título, com pequenas variações gramaticais, \"Prometeu no Brasil\"; semelhante ao epígrafe , por ele publicado anos atrás, quando Lula iniciava a sua fase de megalomania , que ainda perdura. E como !</P>\n<P>A história mitológica é conhecida: Prometeu enganou Zeus, seu superior, e este vingou-se dele. Prometeu sorrateiramente entra no Olimpo, acende a carruagem do sol, diz-se dono do fogo para anunciar seu invento aos homens. Tal e qual está fazendo o nosso presidente, que ufano, assegura ter descoberto a pólvora... Do \"nunca antes\", agora sua excelência resolve arbitrar a conduta de homens públicos - começou pelo seu antecessor FHC - não só no território pátrio, lançou-se extra-fronteiras para criticar, com doestos, posições e procedimentos de certos líderes mundiais. Diz já ter telefonado ao presidente Busch sobre suas encrencas no Oriente Médio; agora, recentemente, passou defender as declarações desatinadas do pré-ditador Hugo Chávez, da Venezuela, o qual, no final da Conferência Íbero-Americana, em Santiago do Chile, teve áspero diálogo com o primeiro ministro Zapatero e o rei João Carlos I, da Espanha. E o pior, insinuou que o soberano espanhol não deveria meter seu bedelho na discussão que era entre chefes de governo, como se a causa do imbróglio não ferisse os brios da nação ibérica - daí a ação do rei. Motivo da discussão à parte, o gesto de nosso presidente fere um princípio basilar da diplomacia de Rio Branco - conceito internacional dignificado e orgulho de nossas relações diplomáticas com o mundo civilizado - qual seja o respeito às figuras proeminentes de uma nação estrangeira, no caso João Carlos I. Ademais, o nosso presidente tem o vezo de blasonar ser um intransigente defensor da auto-determinação dos povos, portanto da opinião expressa pelos seus dignatários. Pisou em falso duas vezes e, com sua prosa disparatada, talvez dê trabalho ao seu ministro das Relações Exteriores, mais do que já dera.</P>\n<P>Lula, com sua declaração inoportuna e infeliz, pode ter gerado uma situação de desconforto em nossas relações com os chefes de Estado e de Governo espanhois; pode tê-la do agrado do companheiro Hugo Chávez, este acostumado a dar botinadas e ironias a Lula e às instituições brasileiras (lembra-se as críticas ao Congresso Nacional) sem a reação de nosso presidente - pelo menos publicamente - como desejaria a população brasileira. O pré-ditador deve estar a essas horas nos estertores da alegria, pois vê aumentado o núcleo de sua política bolivariana, cujos vassalos passam para quatro: Evo Morales, da Bolívia, Eduardo Correa, do Equador; Daniel Ortega, da Nicarágua; e, agora declarado, nosso inefável presidente Luís Inácio Lula da Silva.</P>\n<P>Diz o presidente, para justificar-se, que nas plenárias das conferências de primeiros mandatários o pau quebra e não há sutilezas da boa educação e fino trato. É possível que tal ocorra, visto nível da seleção de quem lá compareça. Sinceramente, não creio que seja comum bate-bocas destemperados entre altos representantes; no máximo tiradas de fina ironia. Isto, porém, jamais em solenidades de instalação e encerramento de tais conclaves, onde as normas protocolares são rígidas. O que aconteceu em Santiago e que ganhou publicidade pelo mundo todo, pode ser normal para Lula, até porque sua iniciação fora das reuniões da \"companherada\", às vezes entre \"umas e outras\" valia até palavrões. Daí porque considera menos graves as diatribes verbais do companheiro venezuelano e, ao que se vislumbra, hoje líder Hugo Chávez...</P>\n<P>Tem razão o jornalista Gaudêncio Torquato, Lula está no Olimpo: é a imagem, sem tirar nem pôr, do mitológico grego Prometeu !</P>",
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            "title": "Um pompílio \"aporreado\"...",
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            "content_html": "<P>Após longa temporada sem dele ter notícias, resolvi procurar o meu amigo Pompílio, gaúcho destemido, de linguagem desabrida, indócil tal como um potro bagual. Despertaram-me não só saudades do velho companheiro, cuja idade não esmaeceu a inteligência lúcida e a viva percepção do dia-a-dia contemporâneo. Não só saudades; desejava também ouví-lo. Saber como Pompílio entendia os acontecimentos que turvam o cenário político social e econômico da nação.</P>\n<P>Como sempre entendi dele, Pompílio não tem papas na língua e se disse profundamente preocupado com as perspectivas que se abrem para o futuro do País. Para ele, os escândalos que atingem a dignidade do Senado da República e, antes, obumbraram com o manto da ignomínia a estrutura da Câmara dos Deputados são fichinha para o que se pretende fazer com as instituições nacionais. Aquelas, apenas fazem parte de um \"trailler\"para o espetáculo político que devagar - \"de passito\", como Pompílio diz - os autores fantasmagóricos estão no escuro nos bastidores montando. O objetivo é mostrar aos dóceis e até incrédulos espectadores - o povo - que o que aí está - o Congresso Nacional, o Poder Judiciário - não é o ideal para a tranqüilidade e o bem estar da comunidade e, portanto, mudanças institucionais profundas devem ser realizadas. E devem ser planejadas e implementadas por quem tem a sensibilidade das causas populares, vem da terra seca, adusta e ardente, conhece a angústia do migrante pau-de-arara, foi aprendiz do SENAI, enxergou o sindicalismo obreiro como alavanca para alçar-se a objetivos maiores e, atingindo-os, deles se apraz e está na ansiosa espectativa de mais querer. Inteligente, persuasivo, usa o modelo político corrente para as \"negaças\" próprias de seu temperamento; estimula seu séqüito de bajuladores e aproveitadores pantagruélicos para que desmoralize o Congresso, atinja a jugular do Senado da República (onde não possui maioria cordeira) e fingindo-se de autêntico democrata, nega o que mais deseja: o terceiro mandato consecutivo. Nessa sua performance - lá onde está, Maquiavel se manifesta perplexo com astúcia do voluntário discípulo - lembra aquela estória do sapo (nenhuma alusão ao adágio \"sapo barbudo\" que lhe atribuiu o memorável Leonel Brizola) quando questionado o que mais preferia: a água ou a fogueira!</P>\n<P>Pompílio lamenta a frouxidão dos partidos políticos, principalmente ao do seu lembrado MDB ( não consegue soletrar a denominação atual PMDB) que deixou de ser aquele dos sonhos de Ulisses Guimarães e o hoje humilhado senador Pedro Simon, cujo pensamento maior era o bem da nação. O PMDB de hoje, segundo Pompílio, traiu suas origens históricas, é fisiológico e só \"pensa naquilo\"... em empregos !</P>\n<P>Pompílio, já em idade provecta, lamenta não ter mais forças físicas para lutar; está descrente da nossa mocidade sem vigor e estímulo cívico. As chamadas classes empresariais estão anômicas, anestesiadas, parte pelos ganhos faraônicos que desfrutam pela onda econômica global, parte porque descrente da ação estimuladora que deveria vir do Estado nacional. Os trabalhadores, classe da qual Pompílio faz parte, estão amortecidos pelas tais centrais sindicais, satisfeitas estas pelas régias benesses de seu maior usufrutuário político, o presidente.</P>\n<P>Pompílio foi enfático. Pelo que se vê, ausculta, observa, sente-se no ar, não tem dúvidas: Lula quer já um terceiro mandato, crê nele, até porque não pode ser ultrapassado pelo apetite afrontoso de seu correspondente lá da Venezuela, o pré-ditador Hugo Chaves...</P>\n<P>Já no final de nosso encontro, o velho gaúcho, a sua maneira espontânea de largos gestos francos, sem assombros, \"aporreado\", lançou esta tirada: \"a lei é uma prostituta; sorri para os que tem a carteira mais recheada\". A decepção popular está ganhando horizontes tais que muitos já começam assim também pensar - infelizmente.</P>\n<P>Deixei a residencia do amigo Pompílio mais apreensivo do que quando lá cheguei.</P>\n<P align=right><STRONG>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É  suplente de senador. </STRONG></P>",
            "summary": "Após longa temporada sem dele ter notícias, resolvi procurar o meu amigo Pompílio, gaúcho destemido, de linguagem desabrida, indócil tal como um potro bagual. Despertaram-me não só saudades do velho companheiro, cuja idade não esmaeceu a inteligência...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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            "title": "Nó Górdio",
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            "content_html": "<P><STRONG>Ruben Figueiró de Oliveira*.</STRONG></P>\n<P>Como muitos, também prestei grande atenção na leitura da entrevista concedida pelo senador Delcídio Amaral à equipe editorial do importante Correio do Estado, edição dominical de 25 de fevereiro último. Dela conclui que sua excelência tem uma rotunda bagagem técnica em áreas especificas, como a da energia em todos seus múltiplos enfoques, e já um suficiente malabarismo de mineirices para contornar, como o fez, à algumas das perguntas capciosas, inteligentes lançadas pelos seus interlocutores, como dardos ferinos para comprometê-lo. Demonstrou, assim, o senador um político experimentado para a gestão da coisa pública e uma habilidade razoável no trato das espinhosas transações partidárias. </P>\n<P>De Alexandre, o grande, que provocado por Górdio, rei da Frigia, para desatar o nó que firmava a lança à canga de seu carro, e, se o conseguisse, dominaria toda a Ásia; das opções que tinha, sua inteligência fê-lo cortar o nó garantindo-lhe o prêmio. Diferentemente, o senador Delcidio permanece na atroz duvida hamletiana de ser ou não petista, como e quando cortar o nó que o prende no partido. Isto poderá, com toda a bagagem que tem, levá-lo ao ostracismo político no porvir eleitoral. Sua euforia demonstrada na entrevista diz de quão distante está dos interesses mediatos da cúpula regional de seu partido, aliás ressaltados na própria entrevista pelas sibilinas ressalvas ao comportamento daquela na última campanha eleitoral.</P>\n<P>Sabem sua excelência, os militantes históricos do PT regional e todos os que, a distancia, assistem ou ouvem o que acontece nas festivas pescarias da Estrela Vermelha, que não há coincidência programática e mesmo pragmática entre ele e seus \"supostos\" correligionários. Aí está o nó górdio que o senador Delcidio jamais desatará, se continuar na insistência de permanecer na senda partidária atual.</P>\n<P>Como seu cooestaduano, louvei e aplaudi com entusiasmo sua brava atuação como presidente da CPMI que desnudou para a nação os mensaleiros do Congresso. Celebro sua competência técnica, os abalizados conhecimentos sobre a nossa realidade econômica e social, qualidades que podem no futuro propiciar-lhe oportunidades maiores para servir seu estado natal - o nosso Mato Grosso do Sul. Não creio, porém, que a canoa que escolheu para navegar nas traiçoeiras águas da política, dar-lhe-á certeza de que não está furada...</P>\n<P>Se o senador Delcídio tem a agudeza política para bem enxergar o seu futuro - sua entrevista ao Correio do Estado abre perspectivas para tanto - caia fora do PT enquanto o tempo eleitoral permite. Lá poucos o querem, ou melhor nenhum, pois sua cor ideológica não é deles.</P>\n<P align=right><STRONG>*Foi Deputado Estadual, Federal, Constituinte de 1988, Secretário de Estado e Conselheiro do Tribunal de Contas. É Senador Suplente.</STRONG></P>",
            "summary": "Ruben Figueiró de Oliveira*. Como muitos, também prestei grande atenção na leitura da entrevista concedida pelo senador Delcídio Amaral à equipe editorial do importante Correio do Estado, edição dominical de 25 de fevereiro último. Dela conclui que...",
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            "title": "Assim Aconteceu",
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            "content_html": "<P>Há um célebre provérbio da mi<BR>lenar sabedoria chinesa que <BR>proclama haver três verdades - a sua, a minha a sua e a absoluta. Pois é. Lendo o interessante livro do jurista Saulo Ramos - Código da Vida - deparei-me com sua afirmação de que a ele coubera dar as tintas jurídicas para a posse do presidente eleito Tancredo Neves às vésperas do dia quinze de março de 1985 ( dia da posse), motivado por uma cirurgia de emergência no Hospital de Base de Brasília. Não faz muito assisti na TV Câmara uma entrevista concedida pelo general Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército escolhido por Tancredo, dando indicações de que seria peça decisiva na solução do impasse surgido sobre a quem caberia assumir a presidência da República, Sarney ou deputado Ulisses Guimarães, presidente da Câmara dos Deputados. É bem possível que outros políticos de evidência na época também tenham arrogado a si o mérito da solução constitucional da questão.</P>\n<P>Aliás, mesmo nos meios de jornalistas, cronistas políticos, de estudiosos da história recente do País, há opiniões controversas. Isto senti ao ouvir, há pouco tempo, em reunião social na capital de São Paulo, o consagrado cientista político Gaudêncio Torquato, professor da USP e colaborador assíduo da Coluna \"Espaço Aberto\" do ESTADÃO, que se surpreendeu quando lhe afirmei ter sido o senador José Fragelli, presidente do Senado Federal, e, portanto, presidente do Congresso Nacional a única autoridade competente a dar posse ao presidente e vice presidente eleitos, na forma da Lei Fundamental da República. E assim o fez. Dei-lhe os fatos que aqui reproduzo em rápidas pinceladas. Na véspera da posse, dia quatorze de março, o presidente de Portugal, Mário Soares, oferece um jantar as autoridades brasileiras que assumiriam o poder. Entre outras lá se encontravam o senador José Fragelli, o deputado Ulisses Guimarães, o general Leônidas Pires Gonçalves, o senador Fernando Henrique Cardoso, o embaixador José Aparecido de Oliveira, todos aguardando a presença do presidente eleito Tancredo Neves. Diante da demora de sua chegada, crescem as expectativas; vem, então, a informação de que Tancredo não compareceria e, sim, sua esposa, Da. Risoleta; logo a notícia de que ela também não iria, mas a filha do casal. E pelo adiantado da hora, foi servido o jantar, no curso do qual chegou a \"bomba\": Tancredo encontrava-se no Hospital de Base sendo submetido a uma cirurgia de emergência.</P>\n<P>Diante da notícia impactuosa e preocupante e, já do hospital, cientes da gravidade do estado de saúde do presidente impossibilitado de assumir o elevado múnus no dia seguinte, quinze de março, começam as especulações sobre quem o substituiria para evitar o vácuo no cargo de primeiro magistrado. A discussão entra pela madrugada, tendo como protagonistas Fragelli, Ulisses, o general Leônidas e o chefe da Casa Civil do governo expirante, o ministro Leitão de Abreu. Aí prevaleceu a decisão do senador Fragelli - repito a quem constitucionalmente daria posse aos mandatários eleitos - ao entender que caberia ao vice-presidente o encargo de assumir interinamente até a recuperação da saúde do titular - Tancredo Neves. Tollitur Quoestio. O Congresso Nacional convocado e presidido pelo seu presidente, senador José Fragelli, empossou o vice-presidente, José Sarney. Assim aconteceu.</P>\n<P>De onde tenho essa informação histórica?... Do senador José Fragelli, querido amigo e sempre líder. Ainda dias atrás, em entrevista concedida à psicóloga e comunicadora Débora Passarelli Barros de Souza para o Museu de Imagem e Som da Fundação Estadual de Cultura, também discorreu sobre aqueles episódios importantes da República.</P>\n<P>É valioso frisar: Fragelli, com entonação, sempre exalta o espírito público, a alma de estadista de Ulisses Guimarães no desejo de que a democracia, ainda uma \"florzinha tenra\" (na lembrança de Otávio Mangabeira) se estratificasse no território pátrio, pois deu mão forte à sua decisão. Ulisses, evidente, poderia questioná-la, já como presidente da Câmara dos Deputados, o terceiro na linha da sucessão, na vacância declarada, a ele caberia a interinidade da presidência da República. Teve a altivez do momento, por certo sabia das seqüelas existentes em razão de sua impertérrita luta contra escalões do regime discricionário e antagônico, mas não sepulto, que poderia reavivar-se e \"babau\" a democracia almejada.</P>\n<P align=right><STRONG>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É suplente de senador.</STRONG></P>",
            "summary": "Há um célebre provérbio da milenar sabedoria chinesa que proclama haver três verdades - a sua, a minha a sua e a absoluta. Pois é. Lendo o interessante livro do jurista Saulo Ramos - Código da Vida - deparei-me com sua afirmação de que a ele coubera...",
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            "title": "RESPINGOS",
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            "content_html": "<P>O noticiário dos dias atuais tem nos deixado, a todos, entre atônitos, envergonhados, desarrazoados, indignados, revoltados, como se estivéssemos à beira do insolúvel, de um cataclismo, eis não há a quem apelar - aparentemente.</P>\n<P>Há \"apagão\" por todos os lados: o aéreo com as lamentáveis perdas de preciosas vidas humanas, em seguida de outra tragédia protagonizada pela anomia dos dirigentes específicos do setor, leniência do chefe maior que \"sumiu do mapa\" para esperar o que mais aconteceria isto frente a nação traumatizada pelo horror; o \"apagão\" ético e moral que assola as autoridades em todos os poderes da república que entendem ser o serviço público um munus personalíssimo (há dignas exceções); \"apagão\" no princípio da autoridade maior ao confundir carisma com liderança - Gilberto de Mello Kujamsky, escritor, jornalista e filósofo, bem caracteriza o quê é carisma, o quê é liderança: carisma é o forjado pelo imaginário popular, está acima do bem e do mal, está no gosto do povo e é intocável; liderança é saber mandar, não pela força nem pela imposição, e sim com base no consenso. Exemplifico, Lula \"irradia simpatia\", José Serra tem liderança. O que um tem o outro não tem. Aqui, quando do nosso Mato Grosso uno há na história um exemplo típico em que carisma e liderança eram sinônimos na figura do saudoso Fernando Corrêa da Costa, prefeito, governador e senador, sempre imbatível, política e eleitoralmente - chegando ao extremo e ao ponto de encarnar-se do espírito de Luís XIV, rei de França, o qual, ao tentarem rasgar suas vestes, dissera \"l'etat ce moi\" parafraseando-a em discurso apoplético de que \"a república sou eu\", \"aqui mando eu\", \"só eu reúno o povo\", \"jamais se fez tanto quanto eu\", claro, em palavras as vezes outras, mas com idêntico significado, numa manifestação egocêntrica, ensimesmada, de uma notória e auto-reconhecida carência intelectual.</P>\n<P>A mim tenho indagado, onde se cometeu o erro? No voto que se deu ma últimas eleições - precisamente nas últimas eleições gerais? No sistema eleitoral que rege tais eleições? Para encurtar, creio que falha está no sistema eleitoral reconhecidamente viciado não só pela pátina do tempo, esclerosado pelo contínuo abuso de práticas deletérias e adiposas encasteladas nas artérias e vasos comunicantes de nossa democracia que precocemente envelhece.</P>\n<P>Não porque prego desde os saudosos tempos universitários o voto distrital puro para compor o poder legislativo como instrumento eficaz a fim alcançar uma autêntica representatividade popular com o pendulo da responsabilidade implacável sobre a cabeça do parlamentar eleito; sim, porque percebo muito claro que a perdurar o sistema da eleição proporcional, respingará no processo democrático e a descrença do povo poderá conduzir o país ao populismo de um líder carismático como ocorreu no século passado, precisamente nas décadas de trinta e quarenta. Os mais antigos e os que se interessam pela história da pátria se lembram, o quão sombrias foram aquelas décadas de chumbo.</P>\n<P>Também o noticiário tem respingado sua verve sobre a lei que criou a figura como senador suplente, isto porque alguns dos que foram convocados à titularidade não têm cumprido, ao olho critico da mídia, a sua obrigação parlamentar. Não ouso contestar, mas creio que a lei ao criar o título de suplente de senador entendera que este deveria representar a figura política e partidária do titular, na hipótese de vacância temporária e definitiva. A eleição, pela lei, não é somente do titular, o cabeça da chapa, como também de seus dois suplentes. Ademais escolha dos nomes para a suplência não é de responsabilidade exclusiva da lei, e sim do partido político que, em convenção, a homologou.</P>\n<P>Se a eleição do suplente é viciosa o é também o da escolha do vice-presidente da república, do vice-governador, do vice-prefeito, levados às alturas pelos mesmos ventos eleitorais dos titulares, o presidente, o governador de estado e o prefeito municipal, ou não? Por quê respingar no instituto da suplência quando a intenção da lei não foi, em tese, eleger Sibá Machado, Welligton Salgado e poucos outros tidos como não representativos na Alta Casa da República, mas manter a representatividade da legenda ou coligação partidária eleita.</P>\n<P align=right><EM><STRONG>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente.</STRONG></EM></P>",
            "summary": "O noticiário dos dias atuais tem nos deixado, a todos, entre atônitos, envergonhados, desarrazoados, indignados, revoltados, como se estivéssemos à beira do insolúvel, de um cataclismo, eis não há a quem apelar - aparentemente. Há \"apagão\" por todos...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "HIPERTROFIA DAS LEIS, Um mal.",
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            "content_html": "<P>Aprecio ler os artigos da lavrado eminente senador Marco Maciel (DEM-PE) um dos raros homens públicos da atualidade e deste país que encara sua missão parlamentar com clarividência e espírito público acendrado. Afirmo com responsabilidade de quem com ele conviveu em diferentes episódios quando do trato de interesses de nosso Estado e quando sua excelência foi ministro da Educação - lembro-me de uma das características pessoais do senador, um incansável trabalhador, notívago por natureza, seu expediente adentrava pela noite no cumprimento de sua agenda de audiências e eu, em companhia do então prefeito de Navirai, hoje deputado Onevan de Matos, fomos recebidos às três horas da madrugada! - Chefe da Casa Civil do Governo do presidente José Sarney, sempre dando seqüência às reivindicações que lhe eram propostas.</P>\n<P>Agora, no Estadão do ultimo dia quinze, o senador Marco Maciel, em artigo intitulado de \"Consolidação Legislativa,\" fez interessante estudo sobre a prolixidade legislativa que se verifica nos parlamentos brasileiros, nacional quer estaduais, e lembrando TÁCITO, lá da Roma antiga, que a \"multiplicidade de leis corrompe as instituições, e confunde os cidadãos. Nada mais real.</P>\n<P>No curso da leitura do pensamento escrito do senador Marco, despertou-me na memória dois fatos ocorridos durante a minha vida parlamentar que justamente cabem sob medida dentro da tese por ele exposta. Estava eu em Washington, EUA, em missão oficial quando em reunião promovida pelo Partido Democrático, então no Poder com o presidente Jimy Carter, um de seus ideólogos, o professor Walluchek, fazendo uma análise comparativa entre as legislações americana e brasileira apresentou uma flagrante distorção quanto a objetividade do cumprimento do prescrito pela nossa, e deu como exemplo: enquanto nos EUA uma lei - diria - artigo1°, É proibido fumar, revogadas as disposições em contrário; no Brasil, há lei com a mesma intenção; é proibido fumar, mas logo acrescenta, parágrafo primeiro: se o cidadão for maior de 18 anos, pode fumar; parágrafo segundo, se for menor de dezoito anos mas com autorização do pai ou responsável , pode fumar... Concluiu o professor Walluchek ressaltando, além da prolixidade das leis aqui, elas tão margem a que se entenda de que não foram, ou não, feitas para serem cumpridas, tais as \"brechas\" criadas em seu texto. Lembro-me de meu protesto às observações por ele feitas, mas confesso o fiz mais por uma obrigação diplomática do que por convicção, já que ele dizia uma triste verdade!...</P>\n<P>O segundo episódio deu-se no início dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte que redundou na \"Constituição Cidadã\" de 1988. Na ocasião e perante a Sub Comissão de Assuntos Temáticos apresentei proposta para o texto Constitucional. Por ela a Constituição teria apenas trinta e três artigos neles capitulando o conceito de nacionalidade, o sistema federativo, o regime de governo parlamentarista, os direitos fundamentais de cidadania, a organização dos poderes e determinando que leis complementares e ordinárias a missão de disciplinação das normas constitucionais. Para elaborar a proposta vali-me como modelo da Constituição do Reino da Dinamarca (que contém também 33 artigos) e a assistência de um prestigioso corpo assessores, peritos em direito constitucional comparado. Pregava eu uma Constituição enxuta, poucos artigos contendo o essencial para a organização do Estado e da Nação.</P>\n<P>Lembro-me de o até hoje deputado federal Michel Temer, presidente nacional do PMDB, professor de Direito Constitucional, e à época membro da chamada Sub Comissão Temática, dizer-me que minha proposta não passaria porque o sentimento do político brasileiro era, e é, por um texto constitucional adjetivo, esmiuçado em detalhes. Foi o que aconteceu. Em 1988, constrangido porque vencido neste como em outros pontos com os quais me solidarizara, assinei a Carta Magna que engloba em seu Texto básico 250 artigos, acrescidos de 75 artigos das Disposições Constitucionais Transitórias, transformando-a em uma verdadeira colcha de retalhos...</P>\n<P>Tem absoluta razão o senador Marco Maciel, \"multiplicidade das leis corrompe as instituições e confunde o cidadão\" permitindo o descalabro da ação política e administrativa, o esgarçamento do tecido democrático como ocorre atualmente com a seqüência de escândalos onde viceja a corrupção pela quebra da ética e da moral por quem delas deveria zelar. É isso ai.</P>\n<P align=right><STRONG>*Foi deputado Estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente</STRONG></P>",
            "summary": "Aprecio ler os artigos da lavrado eminente senador Marco Maciel (DEM-PE) um dos raros homens públicos da atualidade e deste país que encara sua missão parlamentar com clarividência e espírito público acendrado. Afirmo com responsabilidade de quem com...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Delenda Mercosul",
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            "content_html": "A ideia de integração econômica, social e política dos países da América Latina vem de longe, talvez desde Simon Bolivar, nos primórdios do século XIX. Entretanto, a ideia tomou vulto não há muito, quando dela abraçaram, especificamente aqui no Brasil, lideres como André Franco Montoro (este sem o poder de mando) e o então presidente José Sarney, que contando com o apoio entusiasta de Raúl Alfonsin, presidente da Argentina, conseguiram reunir num bloco Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Daí nasceu o Mercosul cujo propósito era o de promover a identidade aduaneira entre tais países e, que através de uma intensa ação política, proporcionasse o desenvolvimento harmônico das respectivas economias como supedâneo de uma ativa justiça social e restabelecimento pleno da democracia como sistema político em cada estado membro. Os esforços iniciais indicavam que o Mercosul teria uma expressão econômica e política capaz de agregar aos demais países da América Latina e mesmo do Caribe, excetuando o México por suas ligações tradicionais e profundas com a América do Norte (Estados Unidos e Canadá). Chegou-se até a pensar em um entendimento político e econômico com a União Europeia, inúmeros países do velho continente, através do Mercado Comum Europeu. <br />\n<br />\nO tempo vai passando e lá se vão duas décadas, com algum sucesso e muitos atropelos. As repúblicas do Uruguai e Paraguai, por terem menor expressão econômica, cotidianamente reclamam que o Mercosul tornou-se um privilégio para o comércio bilateral entre o Brasil e a Argentina. A Argentina, por seu turno, reclama da gulosidade imperialista do seu parceiro Brasil, o qual, industrialmente mais poderoso, está a prejudicar seu já precário e ultrapassado, tecnologicamente, parque industrial. Com tal justificativa entrava o livre comércio, estabelecendo rígidas normas alfandegárias contra a entrada de produtos brasileiros. Os resultados são vexaminosos para os interesses da pauta de exportação de nossos produtos. Tal situação, extremamente injusta para quem investiu no Brasil na crença de que o Mercosul seria realmente uma porta aberta para o livre comércio entre as nações irmãs, se expõe a irreparáveis prejuízos e é letal para o sobrevivência do Mercosul. <br />\n<br />\nTal imposição das autoridades argentinas encontra a passividade das nossas. Ainda agora, o Ministro das Relações Exteriores, o irrequieto Celso Amorim, naturalmente atendendo ordens expressas do chefe Luiz Inácio, ao lado de outros dois ministros Miguel Jorge, da Indústria e Comércio, e Guido Mântega, da Fazenda, foram a Buenos Aires, e mais uma vez se curvaram às exigências argentinas de manter as barreiras alfandegárias existentes. Não deram um pio de protesto ou represália, agasalhados no princípio da reciprocidade, muito menos levantaram, como alerta, os fundamentos superiores do Mercosul. Celso Amorim, rodeando o toco, utilizou-se do surrado e parco argumento diplomático de que o Brasil e a Argentina estão no encontro de “soluções criativas” para os problemas comerciais comuns!! Desculpa vergonhosa e de clara submissão à arrogância platina. <br />\n<br />\nEnquanto o governo argentino fecha a porta de seu comércio de importação para o Brasil, abre de forma escancarada a outra porta para os produtos chineses que lá estão “lavando a égua”! <br />\n<br />\nSe o Brasil, por inépcia do governo do senhor Luiz Inácio, se agacha para a Argentina orgulhosa; se o Uruguai e o Paraguai se sentem marginalizados pelos outros dois parceiros, será que não está chegando a hora de se pensar num delenda Mercosul, pois fora dele o Brasil, pela sua vitalidade econômica e sem peias, poderia ser mais útil à comunidade de países sul-americanos e aos interesses nacionais? <br />\n<br />\nQue o próximo governo federal brasileiro pense na hipótese, ou seja mais duro nas trativas com o governo argentino para que ideia-mater do Mercosul prevaleça.",
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            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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            "title": "Conversa fora..., nem sempre",
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            "content_html": "Nas caminhadas matutinas pela pista do Belmar fidalgo, da qual participo com diletos amigos, o papo versa sobre os mais variados temas com predominância dos da mais recente atualidade; a importância deles varia pelo grau de paixão que provoca, até aqueles do corriqueiro diário, para os quais já se cunhou o adjetivo de “jogar conversa fora”.<br />\n<br />\nNem sempre, porém, os papos de “jogar conversa fora” podem ser desperdiçados; as vezes neles há detalhes significantes que merecem uma análise mais acurada. Pois, foi que aconteceu. Falava-se inicialmente das recentes tropelias do governo do senhor Luiz Inácio quanto ao decreto que aprova o Terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos e a constituição de uma chamada “Comissão da Verdade”, cujo conteúdo de extrema feição totalitária e revanchista visa torpedear, a moda do terremoto de Porto Príncipe no Haiti, todo o arcabouço jurídico, constitucional, cultural do País. A reação das forças vivas da nacionalidade não poderia ser outra a não ser aquela, levantada com vigor e uníssona, explobando a maquiavélica intenção, deixando surpreso o presidente que assinara o documento, sem ao menos ter lido o preâmbulo dele – conforme publicamente confessou. <br />\n<br />\nPara não ficar no mesmo Sua Excelência, iniciou um recuo tático para aplacar os ânimos das Forças Armadas – as que mais o amedronta. Logo virão, sob diferentes mantos a cobertura para os meios de comunicação, religioso e do agronegócio e, finalmente, a pá-de-cal que será lançada pelo Congresso Nacional ao, então, já pálido PNDH.<br />\n<br />\nA conclusão que se tirou durante a caminhada é que Lula não tem convicções ideológicas definidas, é um “voul ao vent”, como dizem os franceses, navega sobre as ondas e decide conforme as marés. Foi o que aconteceu com o ameaçador Decreto. Sorridente por que achava que sua assinatura daria um handicap à sua candidata Dilma - que no ato estava sorridente ao seu lado e como uma das coadjuvantes do famigerado PNDH 3 - foi veranear nas praias da Bahia, quando recebeu o impacto da notícia de quanto errara. Para não ir as pedras levado pelas ondas revoltosas, aguardou o bom momento delas para ser levado à mansidão da praia hospitaleira, e decidiu retomar o caminho da reconciliação e, repreender, pró-forma, a ação enganadora de seus xiitas.<br />\n<br />\nAssim, o presidente, vai conduzindo a carruagem entre os tropeços e buracos que se antepõem no trecho, confiante também naqueles da pavimentação alicerçada na aura de sua popularidade.<br />\n<br />\nOutro assunto que surgiu na caminhada: as eleições para governador do Estado. A primeira observação foi quanto ao temperamento mercurial dos dois mais evidentes candidatos, o atual e o ex-titular do Parque dos Poderes, circunstâncias que criaram no passado, como nos dias atuais, constrangimentos para a população, atingindo, inclusive, com manchas e pilherias, o nome do Estado na mídia nacional. O estilo extremamente concentrador de poderes do governador, dizem a ponto de fiscalizar as diárias de seus auxiliares imediatos, quando em viagens de serviço. A atitude tolerante do ex-titular Zeca do PT ao permitir abusos de ordem financeira e que lhe criaram problemas, dor-de-cabeça para si, após governo. Diante desse ambiente de dúvidas quanto a personalidade e curriculum administrativo dos dois postulantes existe um anseio pela presença de um tertius, como a senadora Marisa Serrano, que adentrando no campo eleitoral possa se tornar uma opção viável no sentido de acabar com essa disputa de campanário que já delonga próximo a vinte anos, envelhecida e esclerosada.<br />\n<br />\nJá ao término da caminhada veio a baila a postura nacional do PMDB. Aí não houve discussão, a opinião foi unânime: o PMDB não é mais aquele, o partido das lutas pela democratização do País, das Diretas Já, da Constituição Cidadã: hoje é o partido da conveniência, joga no varejo (liderança de estados, maior bancada federal) para barganhar no atacado (troca de vantagens junto ao governo federal). Alguém chegou até a compará-lo com o PT: os dois são cobras criadas e peçonhentas. O PT, símbolo da cascavel, fica estrategicamente na espreita, bate o guizo sinalizando que pode atacar, não é traiçoeira, é do bote anunciado; já o PMDB lembra a jararaca, sinuosa entre as folhas na espreita para o lance certeiro, pois só ataca quando sente que a presa vale o bote, como tem acontecido no governo do senhor Luís Inácio.<br />\n<br />\nÉ claro, no PMDB há preciosas exceções, mas não obstante elas, a agremiação nem de longe lembra os seus áureos tempos das memoráveis lideranças de Ulisses Guimarães, Mario Covas, Teotonio Vilela, Franco Montoro, José Richa, os quais donde estão devem estar constrangidos com o simulacro daquele partido que com imenso idealismo criaram.<br />\n<br />\nDe tudo, algo dá para pensar. <br />\n<br />\n<em>*Foi deputado estadual, federal, constituinte em 88, secretário de estado e conselheiro do TC-MS</em>",
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            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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            "title": "Uma estratégia infeliz",
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            "content_html": "<P>Não raro assisto a trechos das transmissões das Sessões Plenárias de nossa Assembléia Legislativa, via TV. Talvez por razões sebastianistas relembrando meu passado como deputado estadual por duas legislaturas lá na acolhedora cidade de Cuiabá, quando do gigante Estado-uno. Talvez para saciar a curiosidade momentânea de conhecer a miúdo a personalidade de nossos legisladores atuais, que parecem se comportar muito - ponha muito, nesse tempero - mais atuantes do que os das últimas legislaturas.</P>\n<P>Com um ou outro instinto - ou com os dois - dias passados, assisti ao final, a peroração do discurso que fazia da tribuna o deputado Pedro Kemp sobre o momento político nacional, dando um enfoque pessoal e partidário a respeito da bipolarização do Poder Legislativo Federal, ou seja o Senado da República e a Câmara dos Deputados. Sua Excelência, em síntese, execrou o Senado. Tenho para mim que foi um ato de confissão ideológica, pois a esquerda (a mais fanatizada) tem como princípio o unicameralismo. Onde não possível extinguí-lo, tem-no, apenas, como boneco de aparência - observe Cuba e agora a tendência na Venezuela.</P>\n<P>Não tive, é verdade, a oportunidade de conhecer a extensão das idéias do nobre deputado, pois, como afirmei atrás, ouvi suas palavras finais, não o exórdio. Não importa, porém. Aquelas que ouvi têm o calor oratório de seu partido, o PT, seguindo ordens de seu III Congresso Nacional, ora concluído. A ordem é \"esculhambar\" com a instituição senatorial, \"conservadora e arcaica\", aproveitando-se - é evidentíssimo - do clamor público oriundo do efeito Renan Calheiros. Creio, acompanhando o pensamento do cronista João Ubaldo Medeiros, \"vamos tapar o nariz\"e defender o Senado, hoje aviltado, mas recuperável; diria vítima de uma circunstância eventual vexatória, sem dúvida, porém com um crédito incomensurável na história da República.</P>\n<P>Nada obstante o hercúleo esforço do PT e do presidente Lula (este com a face de JUNO - ambivalente) em querer transformar as instituições republicanas em feudo seus, não lograrão êxito, pois elas estão solidamente estratificadas na consciência nacional desde o grito da Independência de Portugal. Uma simplória reforma política como pregou o nobre deputado Kemp, não tem o condão de destruir os fundamentos da República Federativa do Brasil. Federação é a união dos Estados autônomos entre si, soberana é a Nação. A Federação pressupõe a existência de um sistema democrático de governo, de controle de base, em que estão presentes duas instituições com lastro na efetiva participação do povo por meio da Câmara dos Deputados. A representatividade dos estados está no Senado da República, como orgão de equilíbrio entre as unidades estaduais autônomas.</P>\n<P>Com fulcro em tais princípios de representação e equilíbrio, a idéia do PT, repito, não vingará, a menos que sua real intensão, ora sub-reptícia, seja a de extinguir a Federação, portanto, a existência dos Estados (lá se iria para os cafundós o nosso amado Mato Grosso do Sul) e conseqüentemente implantar o Estado Unitário, tão a gosto, por exemplo, de Fidel Castro, e em que mandariam discricionariamente Lula e seu PT!</P>\n<P>Conheço circunstancialmente o deputado Pedro Kemp. Sei que é um cidadão cristão-católico, probo, sincero nas suas convicções, de esquerda (dizem que de uma facção radical), por isso abro-lhe um largo crédito para que analise melhor o que, com segundas intensões, prega o seu PT.</P>\n<P>Platão, aquele que imaginou, na antiga Grécia, a República, legou-nos as previdentes palavras: \"A democracia é o pior dos governos, mas o melhor entre os piores.\" Portanto, a democracia, fundamento das instituições republicanas, pressupõe mecanismos de defesa, no caso de nossa Pátria, a existência do bi-cameralismo, o Senado e a Câmara dos Deputados.</P>\n<P>Se mal há, e os há, não se deve debitar à instituição, mas aos políticos que, eventualmente , a dirigem. É só enxotá-los !</P>\n<P>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente.</P>",
            "summary": "Não raro assisto a trechos das transmissões das Sessões Plenárias de nossa Assembléia Legislativa, via TV. Talvez por razões sebastianistas relembrando meu passado como deputado estadual por duas legislaturas lá na acolhedora cidade de Cuiabá, quando...",
            "date_published": "2011-06-06T08:00:00+00:00",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "Reeleição Continuada",
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            "content_html": "<P align=right><STRONG>*Ruben Figueiró de Oliveira</STRONG></P>\n<P>Em recente seminário sobre desenvolvimento econômico e ações políticas, promovido, nesta capital, pela senadora Mariza Serrano (PSDB), foi-me dada a oportunidade de oferecer subsídios lastreados em minhas atividades parlamentares, em vinte anos como deputado estadual, federal e constituinte.</P>\n<P>De início, cumprimentei nossa nobre senadora pelo chamamento que fazia, com aquele seminário, a todos setores de nossa comunidade pensante nas áreas econômica, social e política, para que fornecessem elementos à sua missão parlamentar. Fato inédito em nossa ainda recente história político-legislativa.</P>\n<P>Recordo, dirigindo-me a ela, que Leon Tolstoi, para afirmar a importância de o político vincular-se à sua terra, ensinou: \"Se queres ser universal, fale de sua aldeia\". É justamente o que pretende nossa senadora com aquele conclave e outros que realizará para captar a voz e os sentimentos de sua gente para levá-los ao alto cenário nacional.</P>\n<P>Permita-me, senadora Mariza, oferecer-lhe três lembranças, como minha modesta contribuição ao seu múnus parlamentar. A primeira, de caráter nacional, no sentido de que ela devotasse prioritariamente seu tempo às questões da educação - a razão de sua vida - e juntasse seu esforço ao do senador Cristovão Buarque que na última campanha presidencial levantou a consciência nacional sobre a importância da educação como fator fundamental e efetivo de desenvolvimento econômico e social de um país. A segunda lembrança, de caráter regional, para alavancar do estágio atual a agricultura, a pecuária e seu contexto final, a agroindústria e negócios correlatos, aos quais estamos intrinsecamente vinculados. Lembrei-me de que, como constituinte da Carta Magna de 1988, coube-me a honra de deixar nela consignada as bases para a implantação do Fundo do Centro Oeste e do Banco do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Arts 159, I C; 192, § 3º e 34, § 10, este do A.D.T).Infelizmente, o Fundo ainda não funciona a contento, e o Banco está esquecido em alguma gaveta ministerial ou do próprio Palácio do Planalto, creio por deletéria influência da concorrência oficial. Lembrei, ainda, da importância para a região Centro-Oeste da reativação da SUDECO - Superintendência do Desenvolvimento do Centro Oeste - desativada por ato impatriótico do desastrado governo Collor - creio. Lembrei também, da dedicação da senadora para a questão da dívida consolidada do Governo do Estado com a União Federal - hoje da ordem de sete bilhões de reais, que suga, mensalmente, 13% da receita líquida - praticamente inviabilizando a gerência da administração estadual. A essa crucial pendência, sua ação será de grande valia. A terceira lembrança, esta de caráter eminentemente político-institucional, foi a necessidade da luta de Mariza em favor da implantação do sistema parlamentarista de governo - peça mater do programa partidário do PSDB - como instrumento eficaz e duradouro na consolidação de nossas instituições republicanas tão vilipendiadas pelo atual sistema presidencialista vigente desde a implantação da República.</P>\n<P>Durante os debates, após manifestações de diferentes e lúcidos expositores, a mim veio uma pergunta sobre o que achava do instituto da reeleição para os cargos executivos e legislativos. Confessei ter apoiado o princípio da reeleição por entender ser ele um veículo para a confirmação de metas governamentais que necessitavam ser implementadas em período seguinte. A realidade, porém, vindo dos tristes acontecimentos vividos pela Nação (desmazelo administrativo, omissão e mesmo apoio a atos lesivos ao erário e à ética) levaram-me a reformular meu pensamento e, hoje, sou contra aquele instituto, não somente para o executivo, como, em parte, para o legislativo. Para o legislativo, considero a reeleição contínua um defeito, porque cria raízes patronais e cerceia o acesso de valores novos que oxigenam a instituição parlamentar. Creio, assim, que para o Senado bastaria uma reeleição (16 anos), para as Câmaras (federal, estadual e municipal) três reeleições (12 anos), evitando-se a perpetuidade que torna o parlamentar, reeleito tantas vezes, donatário presuntivo do mandato, tais as vantagens prioritárias que adquire no curso continuado do tempo. Foi uma agradável surpresa e muita satisfação saber, pelos aplausos recebidos, que não estou só contra a reeleição continuada.</P>\n<P>* Foi deputado estadual, federal, constituinte de 1988, secretário de Estado, Conselheiro do Tribunal de Contas; MS. É Senador suplente.</P>",
            "summary": "*Ruben Figueiró de Oliveira Em recente seminário sobre desenvolvimento econômico e ações políticas, promovido, nesta capital, pela senadora Mariza Serrano (PSDB), foi-me dada a oportunidade de oferecer subsídios lastreados em minhas atividades...",
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            "title": "Tapas, sapatões e outras tratativas",
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            "content_html": "<P>O ex-presidente FHC, em recente manifestação declarou-se preocupado com a atual postura de seu partido, o PSDB. O ícone do tucanato nacional reclama que o partido não defenda, não divulgue, o imenso legado de seus dois governos em favor do País, a começar pelo Plano Real, com que se iniciou o processo de estabilidade econômica com a gradativa queda dos índices inflacionários, o estabelecimento de uma política federativa para o fortalecimento dos Estados - aqui lembre-se, em nosso Estado, o quanto o governo estadual, à época sob o comando do ex-governador José Orcírio (fato várias vezes exaltado pelo próprio), as prefeituras municipais (hoje de pires na mão) receberam à mancheias recursos federais extra-orçamentários - as radicais mudanças na política social estendendo solidariamente benefícios aos mais pobres e desvalidos da sorte (as diferentes bolsas, agora reunidas no Bolsa Família), as políticas das privatizações, uma extraordinária abertura no campo da comunicação (o que permitiu a popularização dos telefones celulares, hoje o gosto do povo), da energia elétrica, das indústrias de base que não afetassem a soberania nacional, como a Vale do Rio Doce, que de deficitária, ou pouco lucrativa, tornou-se orgulho nacional pela sua amplitude internacional trazendo para o país divisas que fortalecem a receita tributária e nossa economia com múltiplos empregos e renda.</P>\n<P>Se bem analisada, a política administrativa de FHC, sem rebuços políticos ou partidários e mesmo pessoais, quase tudo o que atualmente é motivo de regozijo para nós brasileiros e sobretudo para o presidente Lula - o grande beneficiário - nasceram e foram implantadas nos dois governos do PSDB, mas esse mesmo PSDB não sabe defender esse espetacular legado. Confessa-se decepcionado o ex-presidente. Para ele o partido é tímido, o que permitiu a Lula abrir um largo boqueirão e pousar com arrogância de que \"ninguém fez mais por este País\". Não há o que se discutir. Lula realiza uma obra de consolidação das boas políticas trazidas ao País por FHC, merece encômios, mas tem que deixar a arrogância de lado - a humildade é mérito sobretudo.</P>\n<P>Quanto ao PSDB, que poderia por direito de conquista ser o usufrutuário daquelas políticas, queda-se amorfo, tímido, e está perdendo o trem da história.</P>\n<P>Este início de outubro também trouxe outros choques que acenderam o sinal amarelo de advertência de que algo de podre está ocorrendo no cenário de Brasília. Ainda o palco principal - o que mais atraiu a atenção - deu-se no Senado da Republica, tudo em razão das tropelias ao decoro e à ética praticados pelo seu inefável presidente senador Renan Calheiros. A mim, como a todos quantos assistentes da TV Senado na última reunião da Comissão de Ética, ficou a perplexidade diante da postura deselegante, anti-regimental, de dois de seus mais extravagantes pares: Almeida Lima e Wellington Salgado.</P>\n<P>Não há negar a inteligência do senador sergipano, experimentado advogado em certos tribunais de juri nas caatingas de seu estado, oratória sem papas na língua, ferinas, contundentes com ressaibos de \"blefes\", curso talvez de um exímio jogador de pôquer. Gênio a flor da pele, prometeu \"tapas e sapatões\" a quem ousasse desnudá-lo... O outro, senador por Minas - logo das Alterosas que legou no passado à alta Casa da República estadistas como Tancredo Neves, Itamar Franco, Milton Campos, Gustavo Capanema, Magalhães Pinto, Antônio Carlos de Andrade e outros exponenciais homens públicos - mais se parece a um garotão mimado, pleno de gosto excêntrico, bronco no trato, diz com certo gesto de galhofa que foi ao Senado para aprender !? ... Dá sua excelência, porém, impressão contrária, foi àquele sinédrio para mostrar como se deve postar um parlamentar franciscano à busca de um chinelinho como troca de sua voz e voto. A descompostura de sua excelência atingiu o clímax quando tentou alcançar a estatura cívica do senador Jarbas Vasconcelos.</P>\n<P>Mais ocorreu na semana. Os episódios protagonizados pela liderança do PMDB, senador por Rondônia Valdir Raupp, também foi deprimente, perdeu ele a noção do posto, levou seu partido ao escárnio e à gozação pública mercê seu gesto submisso ao Planalto (dizem uns) ao Renan (dizem outros), não importa de onde partiu a ordem cesariana na tentativa de arranhar a dignidade de seus liderados, Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon e Walter Pereira, destituindo-os das missões delegadas.</P>\n<P>Não sei não. O panorama político institucional com o desprestígio das agremiações partidárias pode levar o País a uma situação de sobressalto e assim temer-se das salvaguardas do regime democrático. Mas, há nuvens de esperanças, as primeiras já no horizonte com a decisão do Supremo Tribunal Federal, ao tonificar os partidos com uma dose jurídico-constitucional retemperadora, além de prescrever uma vacina contra os vírus danosos dos infiéis, os useiros e vezeiros da labujenta arte do troca-troca. A dose não foi à medida que a opinião pública desejava, ampla, geral e irrestrita, pela cassação de mandatos, pois garantiu a todos os infiéis o amplo direito de defesa, direito que não respeitaram quando o povo lhes delegou o mandato.</P>\n<P>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É suplente de senador. </P>",
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                "Ruben Figueiró de Oliveira"
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            "title": "É ISSO AÍ",
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            "content_html": "<P>Nós campo-grandenses nativos ou adotivos temos o porquê nos alegrar com o aniversário da emancipação política, há 108 anos, de nossa Cidade Morena. Sou dos adotivos, pois nasci em Rio Brilhante, então Entre-Rios, mas, dois anos após, meus pais transferiram a residência para cá, isto em 1933 - hace tiempo, pois. Honro-me por ser cidadão honorário por decisão de nossa egrégia Câmara Municipal. Daqui, minha esposa, meus filhos e muitos de meus netos. Aqui, iniciei minhas atividades profissionais e daqui o eleitorado impulsionou-me para as posições políticas que exerci ao longo de 32 anos ininterruptos. Devo, portanto, muito a esta terra e por mais que eu a adore jamais lhe retribuirei as dádivas que me ofereceu.</P>\n<P>Como muitos, li, pelo nosso Correio do Estado (26/08), a entrevista que lhe concedeu o prefeito Nelson Trad Filho. Sinceramente postei-me empolgado com que sua excelência já realizou e as metas que ainda pretende alcançar. Mesmo que não as alcance em face das contingências da política, cujo dinamismo move montanhas, demonstra o jovem alcaide acendrado propósito de mais e bem servir ao seu torrão natal. Por oportuno, quando de minha mocidade (que saudades de minha aurora...) aprendi com o memorável presidente norte americano Francklin Delano Roosevelt um dito que me marcou como exemplo de um homem que enfrentando todas as procelas do \"crack\" econômico de 1929 em seu país, levantou a fibra de seu povo, enfatizando - \"É melhor alcançar triunfo e glória, mesmo se expondo à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que não gozam muito, nem sofrem muito, por que vivem numa penumbra que não conhece vitória, nem derrota\". Daí entender eu que não há desafios a temer, e, portanto, é pôr o pé na estrada.... Está certo o prefeito.</P>\n<P>Agora o lado curioso do que naquele dia festivo ocorreu-me lembrar. No final da semana, encontrei-me na porta do \"King's\" com um velho amigo e proeminente líder político. Matamos as saudades e muito conversamos sobre o momento atual de nossa política. Nossas idéias, observações, sempre coincidentes, e ele só lamentou não estar livre como eu de compromissos políticos e partidários entravantes para dizer de público o que sente, o que pensa. Realmente, sinto-me assim espraiando-me na largueza do pensamento, e assim me manifesto até no arraial de meu partido tucano. Posso exprobar o arcaico sistema eleitoral vigente, a deteriorada lei dos partidos políticos, o regime presidencialista macróbio, exaltar o bem que faria ao Brasil o parlamentarismo, condenar o sistema fiscal e tributário, truculento e faminto, dizer que salário não é renda e portanto não deveria ser receita para o fisco, abominar a malfadada CPMF - vício clamoroso tisnada pela mácula da bi-tributação, incrivelmente ainda não reconhecida pelo Judiciário - prestes a ser prorrogada ao talante do presidente Lula e, pasmem, com o voto também de meu partido, cuja direção nacional não ouve suas bases e, sim os interesses de seus dois presidenciáveis, os governadores José Serra e Aécio Neves, ambos com propósitos imediatistas. Perdem o partido e suas excelências adeptos e votos futuros para o DEM (antigo PFL), altivo e aguerrido no papel democrático de ser oposição a tudo de irregular que aí está.</P>\n<P>É isso ai.</P>\n<P>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É  suplente de senador.</P>",
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            "title": "Convenhamos...",
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            "content_html": "<P>A medida que se avizinha a data limite para o encerramento das filiações a partidos para quem, ainda não filiado, deseja participar como candidato nas eleições municipais de 2008, crescem como ondas tsunami as especulações sobre o futuro do embate eleitoral com vistas até as ainda no horizonte longínquo ano de 2010, sobretudo por serem ainda jovens os mandatos de Lula e André. Este aqui em nosso estado.</P>\n<P>As disputas internas nos partidos, com o afloramento de pretensas candidaturas ao importante cargo de prefeito, já demonstram a preocupação que o assunto desperta. Não é de se surpreender, pois, desde que comecei a militância político-partidária, e lá se vão mais de meio século, assisto ao fenômeno e onde pipocam os mais díspares interesses, o programático quase sempre sobreposto pelo pragmático, ou melhor, a vaidade, o egocentrismo, o corporativismo, o compadrio é que ditam o zênite ou as regras da disputa.</P>\n<P>Hoje, as coisas na arena das pretensões políticas não são, pois, diferentes daquelas lembradas no Portugal quinhentista quando era tudo igual como Quartel de Abrantes...</P>\n<P>Aqui, em nossa capital e cidade morena, as fricções já são apontadas pelos meios de comunicação, a mídia. Observando de fora, eis, em casos tais, a prudência recomenda não chegar à cozinha, onde os ingredientes estão sendo selecionados para o cozimento dos pratos (candidaturas) de palatável digestão no dia \"H\", ou já se prepara, também, a receita para o \"fritamento\" de candidaturas precoces ou indigestas, convenhamos o consuetudinário quer manter-se. É natural, quem está no poder ou com poder quer nele continuar; quem não está faz as vezes daquela célebre fábula de La Fontaine em que o corvo, no alto da árvore e com queijo no bico, é assediado com palavras insinuadoras pela esperta raposa, lá no chão... com objetivo inconfesso, mas lógico.</P>\n<P>Não se trata, convenhamos, de uma disputa do poder pelo poder simplesmente. A luta eleitoral que se avizinha deve ser pela afirmação de idéias. Já passou o momento das lutas características daquelas de campanário onde a preocupação-mor era a afirmação do prestígio pessoal de candidatos. O povo já está preparado e ansioso para a prevalência do poder das idéias, e os partidos, pelas suas lideranças, devem disso se capacitar, e, parece, estão se iniciando nesse processo, tentando evitar que fiquem à margem da preferência popular. Não custa aqui repetir, como tenho feito tantas vezes e já copiado por alguns políticos, o que dizia o meu saudoso líder deputado Ulisses Guimarães, \"time que não entra em campo, não tem torcida.\"</P>\n<P>Esta a razão, convenhamos, por que prego insistentemente para que o meu partido, o PSDB, participe em todos os municípios com candidatos próprios ao cargo de prefeito - isto muito antes de que o Diretório Nacional assim o recomendasse. Seria um ato de afirmação programática de idéias - o PSDB é uma sigla parlamentarista, prega o voto distrital, tem forte compromisso com a justiça social, teve atuação marcante nessa área quando do governo FHC (no que foi copiado pela atual administração federal), a realização de uma política corajosa de desburocratização da máquina estatal com as privatizações, tudo precisa ser relembrado ao eleitorado. E a ocasião propícia é justamente quando do embate eleitoral. Se se aliar a outro partido sem que o cargo titular seja o seu, perde o status do comando da campanha.</P>\n<P>Convenhamos, disputar com candidato próprio na cabeça da chapa não significa menosprezar quem está no poder e, se dele aliado desde a eleição passada, deve, com altivez, manter o apoio administrativo até o final do mandato em respeito ao compromisso assumido, abrindo mão de posições e cargos que eventualmente ocupe. Isto ressalto no caso específico e notório de Campo Grande onde sob o aspecto administrativo o ilustre prefeito vai muito bem.</P>\n<P>Partido que deseja sobreviver perante a opinião pública, que é justa quanto atroz em seu julgamento, tem que mostrar a cara, dizer a que veio.</P>\n<P>* Foi deputado estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente.</P>",
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            "title": "Síndrome dos AMBA",
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            "content_html": "<P><STRONG>Ruben Figueiró de Oliveira</STRONG></P>\n<P>O sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,em recente artigo publicado pela imprensa nacional, diz que os AMBA, tribo lá dos grotões de Uganda, na África, acreditam que os males que acossam as pessoas vêm dos \"bruxos\". Segundo ele, FHC, aqueles aborígenes para contra-atacar e afastar a bruxaria no seu efeito maligno, avaliam que não origina tão somente das tribos inimigas como também de seus irmãos clânicos . Assim, todos, incontroversamente de raça ou etnia, desconfiam de todos.</P>\n<P>A observação do eminente sociólogo foi em razão das disputas acirradas entre partidos políticos e, dentro deles, de companheiros versus companheiros, pela liderança. Há portanto, em nossa cultura ocidentalizada, um quisto de origem tribal que chega a nos assemelhar aos AMBA. A constação de FHC, foi, en passant, para enforcar o assunto principal do seu artigo, atual, empolgante e extremamente preocupante, ou seja, a questão do meio ambiente, dramatizada com a recente publicação pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), realizando em Paris, França, onde posições antagônicas - Estados Unidos e União Européia - de uma mesma raça e cor dominante se defrontaram enfeitiçadas pela síndrome AMBA.</P>\n<P>Não tenho capacidade para dar enfoque à questão do meio ambiente, embora, como qualquer cidadão, estou cada dia mais preocupado com uma possível hecatombe climática que atingiria o nosso planeta, a humanidade num futuro não longínquo. Tomei a tese do ex-presidente como um gancho da discorrer sobre fatos políticos correlacionados com a síndrome AMBA que atinge significativamente os homens públicos tanto a nível nacional como regional. Lá em Brasília, a \"bruxaria\" anda solta; depois da \"degola\" do deputado Aldo Rebelo agora puxou-se o tapete levando estrepitosamente ao chão o hércules gaúcho Nelson Jobim por obra de seu amigo de conveniência, o presidente Lula. Bem feito. Para ganhar as graças do Lula - o mesmo objetivo maquiavélico de servir ao príncipe, bajulou Ulisses Guimarães para projetar-se na Constituição de 88 e foi servil também a Fernando Henrique para ser ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal - Jobim rasgou as vestes de Themis, que deveriam se manter impolutas, para fazer \"os gostos\"do presidente atual. Creio, todos lembram do empenho do então ministro para que o STF considerasse constitucional a taxação de 11% sobre os proventos dos aposentados e pensionistas que, agora, após contribuir quando na ativa na certeza de uma velhice tranqüila, estão pagando \"o pato\" pelos desatinos na previdência social. Como o dito popular \"Deus tarda, mas não falha\", Jobim caiu de seu \"pingo\" e, aposentado, deve estar amargando também os 11%, um corte cérceo em sua adiposa aposentadoria!</P>\n<P>Isto lá. Cá, em nosso Mato Grosso do Sul, a síndrome dos AMBA também grassa como o vento minuano que prenuncia tempestade de um inverno forte e inclemente. Observe-se a luta intestina no abdomem do PT. Nele, lombrigas de diferentes matizes ideológicas e pragmáticas disputam para deglutir as proteínas (o poder que resta lá do governo central), os fermentos gasosos (delubiano, sanguessuga , valeriano) e todas as demais substâncias energéticas ou tóxicas ingeridas em oito anos de controvertido governo estadual, ao seu insaciável metabolismo político. São os feiticeiros, cuja magia vermelha quer distante, defenestrando o senador Delcídio que Lula, teima, pela sobrevivência nas vísceras músculomembrosas do PT.</P>\n<P>Mas tal acontece não só na tribo do PT. Na coligação governista, ou melhor, no dominante PMDB, a feitiçaria também anda solta. Mandigas p'ra lá, mandigas p'ra cá, as intestinas disputas já se prenunciam como aquilo que, no reino animal (irracional), se considera a \"liderança do território\". Prova-o a luta a nível nacional, Michel Temer versus os senadores Renan Calheiros e José Sarney. A nível estadual, a recente luta pela presidência da importante Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa. Para um olhar incauto, simplório, apenas uma luta parlamentar entre dois talentosos e atuantes jovens deputados em busca de uma claridade maior.Para os olhos mais experimentados no campo da política regional, tal entrevero vislumbra os primeiros passos de uma tomada de posição entre duas correntes cujos interesses estratégicos não são coincidentes no horizonte.Não é de se estranhar, é efeito da própria natureza da política, do político militante - a supremacia do território!...</P>\n<P align=right><STRONG>*Foi deputado Estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente.</STRONG></P>",
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