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Valdemir Gomes

Permissão

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31/10/08

Permissão

Peço licença aos deuses,
Às Marias, aos Josés.
Para iluminar a memória,
Deste humilde chofer.
A conduzir a rima,
Do jeito que o mestre quer.


Do jeito que o mestre quer
O meu querido Pata.
Que está junto ao Pai,
E irá me orientar.
Como um bom trovador,
Nele quero me inspirar.


Nele quero me inspirar.
Para não perder a rima
Pois versos quebrados,
Com o mestre não combina.
Mesmo eu sendo um letrado,
Ao matuto tenho estima.


Ao matuto tenho estima.
No cordel era doutor
E o seu certificado,
Recebeu do Criador.
Pois, como um Pelé,
Os versos ele dominou.


Os versos ele dominou.
"O que é bom já nasce feito!"
Ele era obra divina,
E o divino é perfeito.
Tirava rima de pedra,
Com carinho e muito jeito.


Com carinho e muito jeito.
Ajuntava o verbete
Ficava bela mistura,
Como um café com leite.
Cercava como um roçado,
E fechava com colchete.


E fechava com colchete.
Não deixava brecha ou falha
Para espantar maus presságios,
Tinha o cigarro de palha.
Mesmo sendo inculto,
Seus versos rimam, espalham...


Seus versos rimam, espalham...
Como se fosse um bordado
Trabalho meticuloso,
Não aceita ponto errado.
Do exército de escritores,
Foi ele o maior soldado.


Foi ele o maior soldado.
O nosso ilustre Pata...
O nordeste sem ele,
Impossível de morar.
Seria como o deserto
Sem vida, sem vegeta...


Sem vida, sem vegeta...
Assim seria o nordeste.
Deus com sua sapiência,
Sabe que o povo merece.
Colocou Patativa,
Como o Anjo do agreste.


Como o Anjo do agreste.
Ele cumpriu seu papel
E divulgou seu Torrão,
Nos versos de seu cordel.
Hoje nosso Patativa,
É uma estrela no céu.


É uma estrela no céu.
Que dá luz, inspiração.
Ajoelho no meu quarto
Ao Deus... Faço uma oração!
Ao mestre Patativa,
Peço sua bênção!


Peço sua bênção!
Como mestre trovador.
Faço versos de improviso,
Pensando no professor.
O meu querido Pata...
Do cordel maior doutor.


Do cordel maior doutor.
Que encontrava beleza...
Na terra esturricada,
Achava delicadeza.
Aos olhos do poeta...
Rio seco tem correnteza.


Rio seco tem correnteza.
De águas imaginárias
Que transforma o agreste,
Em vidas temporárias.
Com flores resistentes,
De palmas e araucárias.


De palmas e araucárias
Assim é a vegetação.
Que resiste a estiagem,
E define o sertão.
Os versos do repentista,
Transforma dor em paixão.


Transforma dor em paixão.
E alimenta o povo.
Que acredita no Pai,
E sonha em ver de novo.
A vida renascer...
Como pinto sai do ovo.


Como pinto sai do ovo.
Assim sai este cordel.
Pois o grande Patativa,
Tá na terra, tá no céu.
Obrigado, mestre...
É nosso este troféu!

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