Sou um simples cidadão,
Caboco do interiô.
Na minha simplicidade...
Nem sei onde é qui istô.
Por isso, eu progunto:
U qui é qui fais um gestô?
Quandu eli é candidatu...
Eli fala cum vigô!
Sobi inté num palanqui...
I fala du seu valô.
Mostra qualé a função...
Di prefeito i veradô!
Ieu! Oiço cum atenção...
Pru sê bom espectadô.
Acradito nu seu dito...
Pois, só fala di Valô.
I diz se fô inleito vai...
Defendê u trabaiadô.
Fala di uma tar carta...
A tar constituição!
Diz qui nela istá iscrito:
U direito Du cidadão.
Diz qui todo mundo é iguá,
Cumu si fosse irmão.
Nessa fala, acradito...
Mi enxu di imporgação.
Só cunfio nesse cabra...
Ficu cheio di razão.
Digo: “Esse é o cara!”
Nunca vi arguei tão bão!
Votu neli sem assombro!
Esse durmiu no meu pala!
Peçu inté votu pru cabra...
Pois imporga sua fala.
Despois a decepção...
Veju qui é mais um... Mala.
I assim passa us anus,
Inleição pós inleição!
Muda somente a cólera,
Mas... A merma inganação.
U dinhero dus impostus...
Pru povo, num vorta não!
Dispois du preito passado,
Inleito prefeito i vereadô...
Us cabras fica suberbo,
Corre du trabaiadô.
Eu progunto pra vance...
Pra quê qui serve u gestô?
U cabra fica arroganti,
Com intoju constipadu.
Já num que carru nacionar...
Vai nagência di importado.
Quantu ao pobre inleitô...
Tem nojo do disgraçadu!
Vira cabra de duas caras,
Comu inxada i inxadão.
Só pensa nus seus cumpinxas,
Qui si Dani o povão!
Está é a realidadi...
Du País da bolição.
Du País dus navegantis,
Discubertu pur Cabrá.
Du príncipe dom Pedro...
Regente di portuga!
Da princesa Izaber,
Da Lei Áurea a assiná...
Diz qui essa lei...
Botô fim na iscravidão.
Querem qui eu acrediti,
Nessi ingodo meu irmão!
Pra eu ela continua!
Farta distribuição....
É tanto imposto cobradu,
Já num aguantu, mais não!
O que compru cum salaro,
Tragu na parma da mão.
Os programa sociar...
É tudu tapiação!
Tapa i ação pulitica...
Coisa pra ingres vê!
Pois muitos beneficiaro...
Ganham... Mais sem merecê!
É incruido no programa...
Por ter parente nu pudê!
Chega na casa loterca,
Da borsa tira um cartão.
Já joga na mega sena...
Quina, lotofácil e... Um montão!
Pega uma tele sena...
Que i pra televisão!
U dinheiro da ajuda...
Não sobra uma rapinha!
Despois amunta nu carro...
Eu... Saio de bicicretinha.
Mas... Ajuda du guverno...
Pra eu... Num vem nadinha!
Essa é a realidade,
Du caboco inleitô.
Que nunca teve resposta...
Pra progunta du dotô.
Afiná di conta...
Pra qui serve o gestô?
Resposta a essa progunta...
Num sei si alguei vai dá!
Pois, us cabra nu podê...
Só sabe u povo isprorá!
Si arguei subé...
Venha logo mi falá.
Tem um bando di gestô
Qui só miorô di vida...
Pois, só andava di bermuda...
Hoje tem... Carça cumprida.
Tu qui é homi consciente...
Mostre... Pra eu uma saída!
Voto num cabra... Me roba...
Votu nu outro tamém...
Já cheguei à conclusão:
Farta piloto nu tem!
Vou pedir a Jesus Cristo...
Proteção aos anjos... Amém!
Este lamento matuto é...
Sem intenção de chocá.
Mas... Mostra a alma do povo...
O País tem que mudá
A continuar assim...
Despois... A quem vamo recramá?
A situação é crítica!
Caminhos... Vamos achar...
Basta arregaçar a manga...
É Guerra? Vamos lutar!
Nesses cabras ingomadinho...
Nunca mais hei di votá!
A saúde ta falida
Natar... Entra de recesso!
Si o cabra adueçer...
A morte pra ele é certo!
Nessa hora tudo fecha
I num tem gestô pu perto.
U gestô, tudo na praia!
Cuns amigos e famia.
Todo mundo nu bem bom!
Eu cum a dô qui arripia.
E prometu se inleito...
Posto pra eu construía!
Mais uma veis enganado.
Cai “no conto du vigaro!”
U qui mi dexa imputecido:
Eu qui pago seu salaro!
Que patrocino a farra....
I me chama di otaro!
02/01/11