O povo está exposto
Há interesses espúrios
Os buchichos e murmúrios
De esquemas outros
Nem sempre o conforto
Que vem é definitivo
Atinge o coletivo
Como deveria ser
Está pra satisfazer
Apenas os mais ativos.
Ligados aos poderosos
Alimentam os esquemas
Fazem jogo do sistema
Em rito sempre jocoso
Fica meio cabuloso
Como pode aceitar
Até o nome sujar
Para ganhar migalhas
Esse mal se espalha
Começa a gotejar.
Contamina o ambiente
E toda a sociedade
É uma calamidade
Concordar, ser conivente
Espalhar a tal semente
Da triste erva daninha
Como cascalho pedrinha
Atrapalha a caminhada
Torna a vida deturpada
Leva?nos ao fim da linha
Todo dia ouvi-se a falação
Divulgar pela imprensa
Esquemas e recompensas
De gestor licitação
Feito no tal pregão
Com lisura transparência
Diz ?se justa concorrência
Jogo de carta marcada
Porcentagem acertada
Enrolação, indecência!
Conversas de bastidores
Decidem nosso destino
Assim, segue o maligno
Causando dissabores
A inversão de valores
Fica muito acentuada
As ofertas combinadas
Depois se bate o martelo
Trava-se um falso duelo
Ao conhecer as propostas
As ofertas expostas
É o show de salmonelos...
E nesse grande engodo
O pobre povo é levado
Tudo antes combinado
Grana puxada a rodo
Nesse espúrio acordo
Dinheiro vai pelo ralo
Caldo de peixe, robalo
O cardápio preparado
O povo otário, coitado
Sempre a patrociná-lo.
Oxalá que o povo acorde
E fiscalize o gestor
Denuncie ao promotor
Exija a probidade
De toda autoridade
Que tem cargo eletivo
Cumpra o objetivo
A que o tal se propôs
Faça o feijão com arroz
Respeite o coletivo.
Poema: Valdemir Gomes dos Santos
26/11/12