Até onde a vista alcança
Nada de nuvem no céu
Raios ardentes no chapéu
Mata toda a esperança
O sorriso amarelo da criança
Reflete a dureza do torrão
O seco e esturricado chão
Deixa o homem arriado
Nada, nasceu do plantado
Assim, é a vida no sertão.
Diante desse flagelo
O homem implora, lamenta
O relinchar da jumenta
Bate forte qual martelo
Alma pó, quase farelo
É o barreiro secando
Palma cortada murchando
Para servir de alimento
À vaca, bode e jumento
Filhos, de fome chorando.
Esta é a realidade
Do homem do sertão
Reza ao santo de devoção
Força, pede à divindade
Superar dificuldades
Faz parte da rotina
Lamenta a triste sina
No torrão vive esquecido
Nada do que foi prometido
Do político lá de cima.
A dita transposição
Ainda não aconteceu
Só valeta apareceu
Cortando o seco chão
Mais uma enganação
Para angariar voto
Foi como acertar na loto
Aos donos de empreiteira
À gente, mais uma rasteira
Mantém a fé, povo devoto!
Poema: Valdemir Gomes dos Santos 27/12/2012