Natureza destruída
Querem refloresta
Com uma planta estranha
Bonita pra se oiá
Mais como diz o caipira
Pra terra faz muito má.
Ela bonita, formosa.
Cheirosa igual princesa
É gigante, soberana.
Sobressai pela beleza
Mas espanta os animais
Pelo cheiro que despeja...
Os animais fogem
Pois ali não tem comida
A mata fica fechada
Eles ficam sem saída
O verde é encantador
Porém um verde sem vida.
As aves se afugentam!
E o verde fica deserto.
O vento rege a orquestra
Produz um som sepulcral.
Pois vida ali...
Somente a vegetal.
A água da chuva
Que abastece o aqüífero.
São sugadas pelas raízes
E seu caule dá sumiço
O deserto instalado
E a vida corre risco.
Chamo de deserto verde
A cultura XI XI X
Que dissemina a planta
Que traz o mal na raiz
Apregoando a todos:
Plante!... E será feliz!
Nossa mata nativa...
Jaz... Virou carvão!
Então chega a oferta
Como sendo solução:
Tenho muda à vontade,
Refloresto a região!
Nesse grande engodo...
Mais um conto do vigário
Ofertas mirabolantes
Pra convencer o otário
A sombra é exuberante!
Antecipa o fuso horário.
Assim temos instalada...
Aqui a monocultura
Que dissipa outras vidas...
Fica só a criatura...
A terra esturrica
Vira pedra de tão dura.
Oxalá que o povo acorde
E dispense a oferta
Quando a esmola é grande
Até o santo desperta
Este verde fúnebre
Ao futuro... Não interessa!
Poema: Valdemir Gomes dos Santos